Maternidade Trabalho

Maternidade ou carreira aos 20 e poucos?

A minha mãe teve o seu primeiro filho aos 17 anos de idade. Eu nasci quando ela estava a ponto de completar 31, depois de ter trazido ao mundo um total de seis crianças.

Mas, tornou-se bastante incomum ouvir de qualquer indivíduo da nossa geração sobre o desejo de formar uma família tão numerosa quanto a dos meus pais.

E não faltam razões para isso. Uma delas, é o fato de que as mulheres da nossa geração têm outras prioridades que chegam antes da maternidade, especialmente o desenvolvimento de sua carreiras.

Este pode ser o meu caso. Enquanto eu acabo de entrar na faixa dos 20, os meus planos para trocar fraldas em vez de ter experiências profissionais, viajar e explorar o mundo sozinha parecem mais distantes do que a capital da Malásia ou da Mongólia.

Eu acabo de me formar na universidade e de concluir uma pós graduação. Tudo isso aconteceu enquanto eu tive algumas experiências profissionais aqui e ali. Foi em meio a essas escolhas pessoais que o meu questionamento sobre o rumo da minha carreira veio à tona.

Mas, adiar a maternidade em prol da carreira ou de outras prioridades não é uma regra que vale para todos. Eu mesma conheço tantas mulheres que se tornaram mães, até mesmo tão jovens quanto a minha própria mãe, e que ainda assim conseguiram ter “isso tudo”. Elas aprenderam a lidar com a maternidade e com suas carreiras ao mesmo tempo.

E, se você tem planos, que de qualquer maneira se parecem com os meus, talvez, você também esteja se perguntando isso: O que acontece com a carreira de quem se torna mãe mais cedo e deixa para mais tarde o início das experiências profissionais?

Enquanto eu e tantas outras jovens mulheres estão investindo os seus 20 e poucos para dar “bons” primeiros passos em nossas carreiras, nós seguimos buscando essa resposta sem nenhuma certeza do que poderia acontecer.

Iniciar a carreia durante ou logo após o término da universidade parece a decisão mais acertada. Enquanto dedicar alguns anos da faixa dos 20 e poucos para a maternidade, parece não ser a escolha mais inteligente. Mas, será que a resposta é assim tão simples?

Eu não sei. Mas, vejo que as mulheres podem encarar mais desafios em termos de ascensão profissional quando não somam experiências no currículo desde muito cedo.

Além disso, a maternidade aos vinte e poucos nem sempre se trata de uma escolha e todos sabem que uma gravidez não planejada pode acontecer a qualquer momento.

Do mesmo modo, ocupar os primeiros postos de trabalho até mesmo antes de concluir a universidade pode ser mero resultado da necessidade de remuneração.

E enquanto tentamos desvendar “qual é a melhor alternativa”, eu continuo acreditando que a melhor alternativa para essa decisão simplesmente não existe. A melhor alternativa apenas será a melhor alternativa para cada caso específico.

Finalizar os estudos acadêmicos, somar experiências profissionais e trabalhar ininterruptamente para concorrer as melhores oportunidades de colocação no mercado pode ser a melhor alternativa para muitos.

Enquanto isso, dedicar os anos da juventude para trazer ao mundo um indivíduo que poderá se tornar um líder para a próxima geração também pode ser a melhor opção.

E é por isso que eu não acredito em nenhuma fórmula secreta, nem “na melhor alternativa”, nem no blá-blá-blá que as suas tias da geração passada usarão para tentar te convencer para que você escolha determinado caminho.

Se eu me tornar mãe em breve eu estou me preparando para aprender a trocar fraldas, amamentar, brincar e colocar o bebê para dormir todas as noites.

E, se eu não me tornar mãe em breve e nem nunca na vida, eu também estou me preparando para encontrar satisfação na minha carreira e em outras prioridades que me parecem mais próximas da minha realidade de hoje.

Independentemente do que aconteça no meu futuro, eu sei que nos anos que estão por vir eu terei atividades igualmente grandiosas para realizar e para crescer como pessoa.

Se eu me tornar mãe, cedo ou tarde, o meu objetivo será me tornar a melhor mãe. E se eu não me tornar mãe, certamente terão outros objetivos para os quais eu vou me dedicar.

E até esse ponto eu estou falando apenas por mim. Mas, se mais mulheres se tornarem indiferentes como eu sobre essa decisão de ter filhos ou não, isso poderá ter grandes implicações – para famílias, países e para todo o mundo.

Enquanto mais mulheres decidem adiar a maternidade, elas poderão sofrer pelo declínio de fertilidade e pela maior probabilidade de abortos espontâneos e complicações da gravidez. Elas também terão menos anos férteis na qual poderiam engravidar. Isso significa que a alternativa de esperar para ter filhos deve ser decidida o quanto antes.

Mas a escolha de uma mulher para esperar também oferece benefícios para a sociedade. Quando as mulheres se estabelecem em suas carreiras antes de ter filhos, elas podem trazer implicações positivas a longo prazo para seus filhos.

Basta imaginar que uma boa educação e mais dinheiro aumentam o status socioeconômico de uma mulher. Então uma mãe que dedicou-se à carreira antes da maternidade pode potencialmente criar filhos tão bem-sucedidos como ela mesma.

As mulheres que adiam a decisão de ter filhos e avançam para cargos de liderança também têm o poder de estabelecer políticas com as quais as suas empregadas se beneficiarão. Isso inclui oferecer licença maternidade e paternidade, ou permitir horários de trabalho flexível para as novas mães.

Mas, lembre, enquanto muitas mulheres da nossa geração estão adiando a decisão do “momento certo” para ter filhos, talvez essa decisão nunca chegue a acontecer. E se acontecer, pode ser tarde demais.

Isso explica por que vemos famílias muito menores hoje em dia do que a família numerosa criada pelos meus próprios pais.

Em suma, a decisão de esperar para trazer ao mundo uma nova criança começa como uma escolha pessoal, com efeitos pessoais. Mas a tendência de adiar a maternidade para dedicar-se à carreira já está transformando o nosso mundo de muitas formas.

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