Aprendizado Trabalho

Ensaiando uma profissão aos 20 e poucos

O início de uma carreira pode ser um grande desafio para qualquer jovem de 20 e poucos anos de idade. Falo isso porque é nessa fase que estamos “ensaiando” uma experiência que pode nos conduzir ou não para a carreira dos nossos sonhos.

O que acontece com a maioria dos jovens quando entra no mercado de trabalho é, muitas vezes, uma série de escolhas equivocadas. Por experiência própria, eu passei a acreditar que todos esses deslizes são importantes para o processo de aprendizagem profissional, quando assumidos como uma oportunidade de fazer melhor.

E a minha trajetória no mercado de trabalho começou antes mesmo de eu considerar que estivesse trabalhando formalmente. Eu já trabalhei como ajudante em um hotel na época do ensino médio, cuidei de crianças, fui vendedora na loja do meu irmão mais velho, isso sem falar dos inúmeros trabalhos voluntários que eu assumi.

E agora que eu acabo de dar os primeiros passos da minha carreira na área de marketing, eu me sinto confiante para falar sobre o que aprendi, e espero que de alguma maneira, os meus aprendizados possam incentivar a quem está inseguro sobre como começar (Ei, eu não estou dizendo que você é inseguro. Apenas por acaso, viu!?).

Eu aprendi que cada trabalho conta

Mesmo naqueles empregos em que eu voltava para casa depois de receber a folha de pagamento questionando como alguém pode sobreviver com aquela miséria, eu aprendi a diferença entre salário e recompensas.

Salário tem muito mais a ver com dinheiro e outras benefícios. Mas, as recompensas de um trabalho, nem sempre são financeiras e mensuráveis. Para mim, uma boa recompensa pode ser ter uma boa liderança e uma rotina de escritório desafiadora.

E hoje mais do que nunca, eu agradeço as iniciativas das empresas (ou seja lá quem for) em inserir jovens menores de 18 no mercado. Porque, talvez, as primeiras experiências não sejam tão compensadoras à primeira vista, mas elas podem trazer recompensas se você observar mais de perto.

Além do mais, as primeiras experiências profissionais servem para planejar a nossa carreira, enquanto desenvolvemos habilidades que podem ser transferidas para posições de trabalho ainda mais desafiadoras no futuro.

Eu aprendi a investir em networking

Para quem ainda duvida que são as conexões com pessoas na sua área de interesse que podem trazer os maiores benefícios em termos de oportunidades profissionais, vale dar mais atenção a esse tópico.

Esse tipo de conexão profissional – o network – pode ser iniciado até mesmo dentro da universidade. Eu fiz isso buscando sempre inserir mais profissionais com potencial ou com uma bagagem diferenciada na minha rede de contatos.

Eu aprendi a manter o meu CV atualizado

Revisar ortografia, organizar o conteúdo em tópicos e expor um resumo que expresse o que eu poderia oferecer para a empresa para a qual eu estou aplicando (em vez de apenas questionar os benefícios oferecidos) são passos fundamentais para conseguir uma boa vaga.

Eu sempre penso que sou apenas uma candidata e que existem dezenas de profissionais a minha altura concorrendo pela mesma posição. Por isso, eu devo destacar o meu perfil no currículo de alguma forma, mesmo que eu não tenha vários anos de experiência naquela função ou não tenha estudado na melhor universidade.

Eu aprendi a tolerar mais o meu chefe

Eu devo ser uma menina de sorte, porque não recordo de ter tido um chefe que não tenha perfil de liderança, ou seja, que não tenha carisma e habilidades para lidar com pessoas, encorajando-as a fazer o seu melhor.

Ainda assim, haviam dias em que eu pensava que seria melhor partir para a próxima.

É bastante comum a possibilidade de um salário maior, de um trabalho mais desafiador (sem uma rotina monótona) brilhar os olhos de muitos jovens da minha geração. Mas vale avaliar todos os prós e contras de uma mudança para outra empresa ou trabalho, antes de ir para a sala do seu chefe e pedir demissão.

Eu aprendi a criar uma marca pessoal

Talvez esse seja o aspecto mais importante no começo de uma carreira, e existem diversas maneiras de criar e agregar valor a uma marca pessoal, para se tornar um profissional desejado pelo mercado.

Mas, para isso, não adianta apenas ter um perfil campeão no LinkedIn, é preciso atualizar-se constantemente, participar de cursos, palestras e sempre que possível desenvolver novas capacidades e apresentar ideias capazes de gerar resultados.

A chave é buscar o constante desenvolvimento profissional e eu fiz isso sendo consistente com a minha promessa de marca. Ou seja, cuidando para construir uma imagem profissional que reflita a minha identidade, ao mesmo tempo em que a minha reputação passou a se tornar cada vez mais confiável.

Eu aprendi que nunca saberei o bastante

Acredito que hoje eu domino muito mais aspectos sobre a minha área profissional do que no momento que assumi a minha primeira experiência. Mas, eu reconheço que esse ainda é um passo inicial (ei, lembre que eu tenho apenas 21 anos de idade!).

Não poderia ser diferente, profissionais com 20 e poucos são jovens e pouco experientes, mesmo que tenham frequentado as melhores escolas e tenham obtido excelente notas.

Ainda há muito que deve ser aprendido antes de ter autonomia e capacidade para trazer resultados significativos para as empresas e a comunidade.

E, mesmo que você seja um pouco (ou muito) mais velho do que eu, a mentalidade devia ser a mesma – sempre teremos muito para aprender.

Em suma, o que já aprendi durante os meus ensaios de profissão é que está tudo bem não nascer sabendo de tudo, e que vale a pena ouvir e respeitar aqueles com mais experiência, mesmo que eu não vá usar os seus conselhos.

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