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Por que millennials têm medo de vencer?

Vocês já repararam que a nossa geração tem muito mais empatia quando tudo vai errado na vida de alguém? Basta você dizer que acaba de ser demitido e que não sabe como vai conseguir dinheiro para pagar as contas no fim do mês que as pessoas serão capazes de espalhar para todo o mundo (por meio das redes sociais) sobre a sua desgraça.

É claro que sentir a solidariedade das pessoas ao seu redor pode ser positivo e, até mesmo, tirar o seu pé do buraco, uma vez que você esteja passando por um momento difícil ou desagradável. Mas, experimente ver a reação das pessoas quando você disser que foi promovido. Que agora, além de ganhar um salário muito maior, a empresa irá comprar os seus bilhetes de ida e volta todos os anos para um novo destino paradisíaco.

É muito mais provável que quando estamos atingindo algum nível de sucesso e decidimos compartilhar isso com as pessoas ao redor a reação delas não seja tão positiva. Elas até podem dizer o quanto se sentem orgulhosas por você, mas no fundo elas estão se remoendo pelas suas próprias desgraças. Elas podem pedir que você pague uma festa para celebrar aquela promoção, mas antes da festa terminar elas estarão remoídas pela inveja.

Por que nos incomoda que alguém vença?

Por que nos incomoda que alguém vença?

Eu arrisco dizer que isso pode ser cultural. Nós latinos, principalmente no Brasil, temos uma estranha mania de fazer de conta que somos humildes.

Eu cresci em uma pequena comunidade rural no Sul do Brasil e percebi bem evidente essa tendência. Lá, se uma pessoa conseguisse fazer algum dinheiro vendendo uma colheita de grãos no final de um longo ano de trabalho duro na roça, as pessoas diriam que isso apenas foi possível porque aquele agricultor estava se envolvendo com alguma atividade ilícita, seja no contrabando de drogas na fronteira com o Paraguay, ou recebendo “dinheiro lavado” da prefeitura.

Desde que comecei a viajar, tenho tido contato com muitas pessoas de outras nacionalidades e isso me fez perceber uma grande diferença na mentalidade dos latinos e de pessoas de outras origens. A minha intenção aqui não é criar nenhum estereótipo. Longe disso, eu apenas notei que na cultura latina é muito mais fácil associar pobreza com desinteresse, “burrice” ou vagabundagem. E, se uma pessoa é pobre ela jamais poderá se tornar bem-sucedida. Isso seria uma ofensa, para não chamar de corrupção.

Indo um pouco mais além, um pobre que acaba se tornando rico se torna mal-visto. Parece que quem trabalha, estuda, se esforça e investe grande parte do dinheiro que ganha tem a obrigação de se esconder porque é “feio” sair por aí viajando pelo mundo enquanto tem gente que passa até o fim dos seus dias de salário a salário.

Agora, se você conhece outras culturas, especialmente, nos países mais desenvolvidos, vai notar uma tendência oposta. Os estrangeiros não querem ser vistos como pobres e, mesmo que sejam, eles se vestem e consomem os mesmos produtos desenhados para os ricos. É fácil ir para os Estados Unidos, por exemplo, e encontrar um “americano pobre” almoçando no “Red Lobster” em um dia qualquer, mesmo que ele tenha que passar o fim do mês almoçando no Mac Donalds para não morrer de fome. Eles querem passar uma imagem de vencedores, mesmo que ainda não tenham vencido em nada nas suas vidas.

Estou falando da cultura “fake until you make it” (finja até conseguir). A mesma que promove a ideia de seguir tentando parecer, mesmo que a sua realidade seja outra. A mesma mentalidade que incentiva a geração mais jovem a se formar na universidade, e depois seguir em um PHD, mesmo que tenha que trabalhar como garçom pelo resto das suas vidas para pagar as dívidas do financiamento universitário.

Vale mesmo a pena lutar para vencer?

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ABSOLUTAMENTE. Mas, esteja preparado para lidar com a inveja. Eu estou falando da mesma inveja que os seus amigos terão quando souberem da sua promoção no trabalho. Estou falando da inveja daquela prima que permaneceu vivendo na roça e nunca teve a oportunidade de viajar de avião. Daquele colega de trabalho que não quis se desenvolver e acabou ficando para trás. A inveja vem das pessoas que estão no nosso nível, mas por algum motivo, se consideram melhores do que nós.

Todo mundo se considera invejado, mas ninguém reconhece que sente inveja. E aqui eu vou provar o contrário. Eu tenho inveja, uma inveja tremenda. Especialmente, do meu amigo que conheci num intercâmbio e que agora está trabalhando na Unesco. Eu tenho inveja da minha colega advogada que, além de ser um super mãe e esposa, segue assumindo grandes desafios de carreira.

Também é interessante ver que revistas, reality shows e, recentemente, o Instagram de pessoas que vivem para expor suas vidas, conquistas, roupas e corpos sarados sejam os mais populares e, consequentemente, os que recebem mais críticas dos seguidores.

Nossa sociedade está tão contaminada por essa mentalidade que parece ser motivo de vergonha falar sobre as coisas boas que acontecem nas nossas vidas. Ficamos nos justificando para não pareceremos esnobes.

Temos medo de vencer para não diminuir os outros

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Mas, será que em vez desse medo, não seria mais positivo aprender a lidar melhor com a vitória alheia? Não contar para ninguém sobre os nossos sucessos e conquistas é realmente o caminho para ter uma vida vitoriosa? Eu acho que não!

E não sou só eu. Estudos mostram que as pessoas mais vitoriosas ou bem-sucedidas, ou como você quiser chamar, são aquelas que se rodeiam de outras pessoas bem-sucedidas. Elas vêem a vitória alheia como uma maneira de melhorarem a si mesmas. Mas, para que isso aconteça, é preciso perder o medo.

Não basta seguir olhando para o que o outro tem e você não, se comparando, reclamando, falando mal das pessoas, as julgando não merecedoras. Quem está mais preocupado com o outro, não tem tempo para trabalhar pela vitória em suas próprias vidas. E, mesmo se a vitória for alcançada por essas pessoas, de quê ela adianta, se elas estiverem tão ocupadas olhando pela janela?

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