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O que eu aprendi em 5 meses na Itália

Os italianos são conhecidos por ser bon vivants, ou pessoas que vivem de acordo com o princípio do prazer. Eles gostam de boa comida e bebidas de qualidade, enquanto mantêm um estilo de vida relaxado. Por isso, uma oferta para (outro) café expresso ou uma porção extra de “pasta” é frequentemente seguida pela palavra “dai” (tradução livre: “vem!”).

Seja quando se trata daquelas viagens de fim de semana para a Toscana, uma macarronada fumegante coberta de molho de tomate caseiro, compras em Milão, óculos de sol Prada de grandes dimensões, ou um gelato de fondant de chocolate na sua mão, a Itália tem muito a nos ensinar.

E neste artigo você provavelmente vai aprender algo a mais sobre a clássica Itália, começando pelo que mais agrada a todos os visitantes: a comida italiana.

Uma lição sobre a comida

A comida é tão importante para os italianos, um fato que não surpreende a ninguém, considerando que eles têm uma das cozinhas mais apreciadas em todo o mundo.

O café italiano tem que ser de boa qualidade e muitos pratos populares parecem  simples, mas deliciosos graças aos insubstituíveis produtos frescos que eles levam.

Eu também notei que os italianos (e esta é uma generalização) não gostam de sabores fortes, como cebola ou alho. Segundo eles, estes dominam os sabores de outros ingredientes mais sutis. Uma vez, eu participei de uma espécie de jantar com tema mexicano e o meu host italiano ficou horrorizado com o sabor “extravagante” de uma inocente cebola.

Falando de jantar, na Itália este é um evento longo que inclui muitos pratos. E, assim como no almoço, os italianos realmente dedicam tempo para celebrar esta refeição. Eles acreditam que os alimentos precisam ser apreciados, enquanto o café é algo que normalmente é consumido em pé e só dura alguns minutos (se é que dura isso!).

Agora, vamos falar de “pasta”. Há muitos tipos diferentes de macarrão na Itália, mesmo, mais do que eu pensava. Todo molho tem um tipo específico de macarrão para ser combinado. Mas, esqueça de pedir o molho à bolonhesa na Itália (chamamos assim porque vem de Bolonha). O nome certo é ragù alla bolognese ou apenas ragù.

Aqui estão outros exemplos de erros que poderiam ser evitados por estrangeiros que querem desfrutar de uma autêntica experiência gastronômica na Itália:

  • Pedir um cappuccino após a hora do almoço, ou pior ainda, com o almoço ou o jantar;
  • Beber vinho ou proseco com pizza, quando você deveria beber cerveja;
  • Pedir uma pizza com abacaxi (tipo hawaiana). Os italianos dirão que você está maluco, ou que não entende nada de gastronomia. Restaurantes ou pizzarias italianas autênticas não oferecerão coisas “tão absurdas” em seus menus;
  • Quebrar o espaguete antes de colocá-lo na água fervente é um grande pecado. Mentira. A verdade é que, diz a lenda, que o som da quebra de massa é o som de todos os cuori di nonne. Melhor deixar os espíritos descansarem em paz, não é?

Com isso em mente, vamos para o próximo aprendizado.

Uma lição sobre crenças

Todos são católicos na Itália. Quero dizer, aparentemente, todos são. O papa governa. Deus está em toda parte. Os crucifixos estão em todos os espaços públicos e os ateus reclamam o tempo todo sobre isso. Algumas cidades literalmente param quando alguma procissão começa a ser celebrada, invadindo as ruas e calçadas.

Mas, você acha que a religião governará a superstição? De jeito nenhum. Parece que quanto mais religioso você é na Itália, mais supersticioso você tem que ser.

Como resultado, os cenários de má sorte mais famosos devem ser evitados a qualquer custo: o sal no chão, os gatos pretos cruzando o seu caminho, cruzar debaixo da escada, passar por espelhos quebrados e, acima de tudo, sair pelas ruas nas sextas-feiras 17. Sim, o número 17 traz má sorte na Itália. Bom, pelo menos não é culpa da sexta-feira 13.

Uma lição sobre a família

A família é prioridade número um do italiano (antes mesmo do futebol). Algumas famílias italianas são tão grandes que poderiam povoar um bairro todo (é claro que estou falando de famílias que incluem tios, cunhados, avós, bisavós, tataravós…).

Precisa de ajuda? Sem problemas. Basta ligar para um dos cinquenta primos da área. Ah, e não esqueça de parar na casa de nonna para desfrutar de um prato de macarrão caseiro na hora do almoço.

Se você tem a grande fortuna de ser parte de uma família italiana, seu coração (e estômago) estará sempre cheio.

Isso significa que os italianos são, geralmente, abundantes no amor, generosidade e, claro, na comida. De fato, os domingos são dedicados exclusivamente à alimentação e à família. Normalmente, os membros de uma família vivem relativamente próximos uns dos outros, tornando mais fácil parar para apreciarem juntos um chá da tarde.

Uma lição sobre a vida

Os italianos orgulham-se das ricas tradições culturais, culinárias, artísticas e do senso de comunidades que possuem, criando um modo de vida distintivo ou, como a chamam de “la dolce vita”. A vida na Itália é muito lenta (embora a sua condução sugira o contrário).

Durante a minha estadia por lá, eu percebi que os italianos acreditam em várias xícaras de café, refeições descontraídas e passeios longos pelas estradas de paralelepípedos.

Além disso, grande parte dos trabalhadores deixam seus empregos das 12h às 15h todos os dias para almoçar, beber vinho e tirar cochilos. Naturalmente, você iria preencher esse tempo com mais trabalho, mesmo que seja em casa. Mas, uma vez que você aprende a diminuir a velocidade e a explorar os seus arredores, você começará a ver, ouvir e apreciar coisas que nunca pensava que apreciaria antes.

Aprender a apreciar os momentos simples e silenciosos na vida é difícil, especialmente para alguém que está acostumado a preencher o dia com obrigações insensatas.

Depois de viver na Itália, mesmo que tenham sido apenas cinco meses, eu aprendi a preencher os meus dias com mais qualidade e não quantidade. Eu aprendi a construir novas amizades. Eu comi a comida, bebi o vinho, (quase) aprendi uma nova língua, vivi, ri e, o mais importante, senti que a vida pode ser tão doce quanto queremos que seja.

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