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Quando ninguém se importa com você

Eu vou repetir aqui algo que você já deve ter percebido neste ponto da sua vida: Você não é o centro do universo. E, muitas vezes, ninguém realmente se importa com você. Pode ser duro, mas é a verdade. Claro, a sua família e alguns amigos têm um interesse especial em alguns aspectos da sua vida. Eles até podem te ajudar quando necessário.

A verdade, pura verdade, nua e crua, é que ninguém se importa com você tanto quanto você se preocupa com você mesmo. Porque, você não é o primeiro pensamento que chega na mente de alguém, além da sua própria mente.

Para mim este foi um fato libertador.

No começo da minha carreira, o medo do fracasso foi responsável pela maior parte das minhas decisões. Eu constantemente me questionava sobre o que as pessoas pensariam. Eu vivia em constante estado de ansiedade sobre os julgamentos dos outros.

A minha ansiedade se transformou em medo do fracasso e isso me levou a novos questionamentos. “E se eu falhar, como eu poderia passar a culpa para outra pessoa?” “Se isso não fosse possível, eu poderia culpar a circunstância?” Eu estava com tanto medo que eu já não me sentia capaz de ser honesta comigo mesma.

Esses questionamentos me levaram a tomar decisões consistentemente precárias sobre como eu vivia, e sobre como eu usava a minha energia emocional. A minha filosofia era simples: enquanto tudo ia bem, eu poderia continuar, não importa o que fosse, porque como eu era percebida era o mais importante.

Eu corria de um lado para o outro. Eu me mantinha ocupada, mas nunca me sentia feliz e realizada. Pior do que isso, tudo o que eu estava fazendo era destrutivo. Eu estava desperdiçando tempo, dinheiro e relacionamentos.

Eu falhei repetidamente. Porque a alternativa da honestidade parecia muito dolorosa.

Depois da minha enésima derrota, eu cheguei a uma compreensão irreversível: ninguém se importa. Ninguém lembra dos meus erros. Aqui e ali, as pessoas lembrariam de alguma coisa que eu fiz de errado, mas não por muito tempo.

Então, eu me senti livre: livre para tentar, falhar, aprender, enxaguar e repetir.

Mas logo depois, a minha lógica me levou a uma vala. Se ninguém se importa comigo, por que eu mesma devia me importar? Eu sempre vivi para os outros, para impressioná-los, para que eles me dêem reconhecimento. Como eu deveria conduzir a minha vida daqui em diante?

E em vez de seguir me remoendo por dentro com esse tipo de questionamento, eu finalmente compreendi por que eu nunca me sentia feliz e realizada. Eu nunca me sentia satisfeita e realizada porque eu ainda não tinha reconhecido as minhas próprias motivações, nem entendido o que realmente me fazia feliz.

Então, eu deixei de me importar com as outras pessoas também. E fazendo isso eu percebi que as pessoas só começam a se importar com você quando pensam que você não se importa com elas.

Pense nisso por um momento.

Seja nas relações de negócios ou amizades ou relacionamentos amorosos, a pessoa que se importa menos sempre parece ser a pessoa que recebe maior atenção.

Então eu comecei a observar como isso se aplicava à minha própria vida, especialmente nos casos de romance. Eu percebi que eu era a pessoa que não respondia a uma mensagem de texto, ou que não retornava a uma chamada perdida, ou que esperava que o outro tomasse a iniciativa, ou que agia como se eu não pudesse me importar menos.

Ser esse tipo de pessoa que não se importa com a outra vinha de forma natural para mim. Talvez porque eu já tive o meu coração partido, o que me ensinou que mesmo quando nos importamos, outras pessoas simplesmente não se importam. E isso tudo parece um grande jogo de estratégia. Um jogo deprimente e devastador.

Eu também percebi que as pessoas que demonstram que se importam estão no caminho certo, porque quando você é quem menos se importa, você se convence de que está bem sempre, mesmo quando não está.

O que as pessoas não percebem sobre a pessoa que menos se importa é que ela é quem acaba saindo ferida. É humano querer amar e ser amado, oferecer cuidado e cuidar de alguém. Negar isso, é como negar a própria humanidade.

Não se importar com o próximo não faz de você uma pessoa mais saudável ou mais forte, mais sábia ou mais fria ou até mais feliz. Isso só faz que você sinta menos humano. Isso apenas faz com que você se sinta cada vez menor.

Quando tudo é dito e feito, mesmo as pessoas que se sentem perfeitamente bem sozinhas ainda precisam do apoio, atenção e cuidado de outras pessoas. Seja um parceiro romântico, um bom amigo, um membro da família, um mentor, ou um colega de trabalho – todos precisam de uma pessoa, ou de algumas que se importam.

A verdade é que se você age como se não se importasse o suficiente com elas, essas mesmas pessoas eventualmente começarão a acreditar em você. O que não é verdadeiro, porque, no fundo, você se importa. Ou, você esqueceu de que continua sendo humano?

Importar-se com alguém realmente não é algo para se envergonhar. Mas, se você não diz às pessoas e mostra às pessoas que você se importa, que tem sentimentos por elas, que as ama, de que forma elas saberão?

Então, suponho que você possa passar pela vida pensando que eventualmente alguém quebrará todas as paredes que você colocou, porque você não quer que ninguém saiba o quanto você possa se importar. Mas se você continuar dizendo a si mesmo que não se importa, talvez você também comece a acreditar nisso.

E se no final você voltar a perceber que ninguém realmente se importa com você, busque colocar em prática os seus instintos. Seja humano o suficiente para se importar, pelo menos, com você.

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