Maternidade Sentimentos

Sobre o dia em que eu me tornei mãe

Acabei de respirar fundo tentando remontar na minha mente e então escrever sobre o episódio mais transformador da minha vida: o dia em que me tornei mãe. Então, eu decidi escrever este artigo para inspirar futuras mães a acreditarem na capacidade, força e coragem da natureza feminina para o momento de dar a luz, e exemplificar com a minha experiência de parto normal.

Este nada mais é do que um relato dos detalhes de como tudo aconteceu naquele dia, desde as primeiras contrações até o incrível momento em que eu segurei a minha filha nos meu braços pela primeira vez:

Eu acordei às quatro horas da manhã com um incômodo que se parecia com uma cólica menstrual. Fui ao banheiro, como fazia inúmeras vezes durante todas as noites das últimas semanas de gestação, e voltei a dormir. Já eram cinco e trinta da manhã quando olhei para o relógio outra vez e decidi levantar da cama naquele momento, pois eu já não conseguiria dormir mais com aquele desconforto.

Comecei a preparar o café da manhã, bastante entusiasmada pois comeríamos o pão de trança que minha mãe havia preparado no dia anterior. Sentamos à mesa, eu, meu marido e a minha mãe. E discutimos sobre a possibilidade de eu estar tendo contrações de parto, o que eu achei que não eram, já que ainda faltavam oito dias para o dia previsto para o parto e eu ainda não havia experimentado nenhum outro sinal.

Logo depois do café, saímos juntos para a caminhada que eu fazia todos os dias. Eram cerca das 7:00 da manhã e eu me sentia mais energizada do que nunca. Acho que eu poderia correr uma maratona naquele dia. Durante o percurso, eu continuava com as mesmas dores, e acredito que caminhar fez com que eu não sentisse o aumento na intensidade delas. Depois de 50 minutos, chegamos de volta em casa.

Fui direto ao banho, como de costume, mas dessa vez percebi uma significativa quantidade de secreção vaginal, que se parecia com uma clara de ovo, transparente e gelatinosa. Logo, eu avisei a minha mãe sobre o que notei e pedi para que o Roberto me ajudasse a finalizar a mala de hospital, apenas por acaso.

Cerca de 9:30 da manhã decidimos que poderia ser uma boa ideia ir até a maternidade para averiguar que tipo de dores seriam as que eu sentia e confirmar se a secreção que eu perdi poderia ser um “sinal” de trabalho de parto. Eu estava feliz com a ideia de conversar com alguém que pudesse me dar alguma certeza em meio a apreensão que começava a me dominar.

E quando o meu cervix fosse examinado pela primeira vez, estava com dois centímetros de dilatação. Neste ponto, eu desejava que tivesse permanecido em casa por mais tempo. Mas, como eu já estava em trabalho de parto, não poderíamos mais voltar para casa sem a nossa filha nos braços.

Ainda eram 11:00 da manhã quando eu fui internada e as contrações começaram a ficar mais difíceis de lidar. Eu precisava respirar fundo para aliviar a dor, mas não sabia a melhor forma de fazer isso. Eu ouvia as orientações de uma das enfermeiras sobre como respirar e tinha o apoio do meu marido que esteve do meu lado o tempo todo.

Comecei a utilizar a bola de exercícios que levamos de casa para suportar a dor das contrações. Também passei a caminhar em círculos feito uma maluca, o que parecia ajudar.

Na segunda vez que minha dilatação foi examinada era 1:00 da tarde e estava em quatro centímetros, o que parecia um bom progresso.

Já havia passado do meio-dia e mesmo sem vontade de almoçar eu precisaria de energia para chegar até o final, o que eu não fazia ideia de quanto tempo ainda iria tomar. Então, eu pedi para que minha mãe preparasse uma macarronada caseira. E comer a comida da minha mãe, em meio a fortes contrações, de alguma forma, poderia me confortar.

Consegui almoçar entre uma contração e outra e logo elas começaram a ficar incrivelmente intensas. Esse foi o momento em que me questionei sobre a escolha pelo parto normal, sem nenhuma intervenção. Comecei a pensar que eu não iria conseguir fazer isso sem anestesia, e eu só queria era acabar o mais rápido com aquela tortura.

Eram quinze e trinta quando eu fui examinada novamente. A dilatação estava em seis centímetros, mas iam para oito durante as contrações. Se eu optasse pela anestesia, esta era a ultima chance de pedir. O que me convenceu do contrário, mesmo com a minha autoconfiança destruída naquele ponto, era o meu conhecimento sobre os benefícios do parto normal para mim e o bebê. Não usar anestesia também faria com que eu tivesse uma ligação muito maior com minha filha, imediatamente após o nascimento.

Oito centímetros de dilatação também indicavam que era hora de me preparar para a última fase do parto, quando os dez centímetros são alcançados e só resta empurrar para a saída do bebê e depois da placenta. Neste momento, eu fui transferida para a sala de parto e as contrações estavam cada vez mais fortes, demoradas e próximas uma das outras.

Mesmo se eu mudasse de ideia, naquele momento eu já não poderia optar pela anestesia. Eu sabia também que cada contração me levava mais perto do momento de conhecer a minha filha. O que me restava era acreditar que eu poderia ser mais forte e esquecer de qualquer pudor ou constrangimento. Eram cerca das 7:00 da noite, e eu estava na cama de parto me via inspirando profundamente com auxílio de uma bomba de gás e expirando em forma de agonia.

A última fase durou menos de uma hora e me ensinou muito sobre o que uma mulher é capaz de realizar. Eu dei graças por todo o encorajamento que recebi, mas era eu quem estava lá me sentindo flagelada naquele momento. Cheguei a achar que eu estava naquele episódio apenas fisicamente, e que outra parte de mim já havia se passado. Foi quando respirei mais vez profundamente e retomei uma energia tamanha que eu não sei ainda de onde surgiu.

Então, eu ouvi com atenção as instruções da enfermeira e da obstetra, que havia chegado naquele instante. Elas me orientaram rapidamente sobre como “empurrar” e depois disso foi tudo como num piscar de olhos. Eu “empurrei” como se eu tivesse super poderes. Foi nesse momento que estourou a minha bolsa, e todos que estavam naquele quarto já podiam ver a cabecinha da minha filha. E, logo, eu estava com a minha filha Isabella em meus braços.

Enquanto eu olhava para aquele milagre da vida e para o meu marido, eu reafirmei para mim mesma o tamanho da minha alegria e senso de realização. Agora eu sou mãe.

Isabella nasceu em Joanesburgo, África do Sul, no domingo 4 de outubro de 2015, às 19:50. Ela pesava 3.3kg e media 54cm. 

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