Estilo de vida Maternidade

Na criação dos filhos, menos é mais

Quando eu observava a relação das minhas amigas que haviam abraçado a maternidade antes de mim, eu notava um comportamento em comum: elas queriam dar aos seus filhos o mundo. Como a maioria das mães e pais, essas eram as suas melhores intenções.

Toda geração quer dar aos seus filhos mais do que eles próprios tiveram um dia. A intenção das minhas amigas que se tornaram mães recentemente não é diferente. Elas querem dar mais aos seus filhos. Mais proteção; mais oportunidades; mais brinquedos; mais tudo. E este desejo de dar “mais” estava enraizado no amor.

Mas, antes mesmo de eu me tornar mãe, eu já sabia que este não era o meu desejo. Eu sabia que “mais” não era exatamente o melhor de mim que eu poderia oferecer. Talvez, essa mentalidade tenha surgido muito mais cedo na minha vida, quando os meus pais me ensinaram que “mais” nem sempre é o que alguém realmente precisa.

Parece que depois que a minha filha nasceu, houve uma mudança. A minha mentalidade baseada na certeza de que mais nem sempre é melhor começou a se basear no medo.

Então eu comecei a me questionar:

Se eu não dedicasse tempo suficiente para a minha filha, ela seria feliz? Se eu não estivesse segurando a sua mão enquanto ela desse os seus primeiros passos, ela cairia? Se eu não conseguisse um lugar na melhor creche, a sua educação seria impactada?

Eu sabia que mais nem sempre é melhor. Mas, ninguém nunca me disse quanto medo está escondido no amor.

Todo esse medo, camuflado como amor, rapidamente começou a causar um impacto sobre mim. E tentando ser tudo e fazer tudo pela minha filha acabou me deixou esgotada.

O meu desejo de dar a ela mais de mim me deixou sentindo menos. Menos energia; menos alegria; menos calma.

Então, eu encontrei o minimalismo.

O minimalismo é mais do que simplesmente se livrar de grande parte de suas posses materiais (embora este movimento também me interesse). É sobre a filtragem do ruído para concentrar sua energia no que é importante.

As famílias de hoje têm vidas “barulhentas”. Conheço isso na minha vida pessoal, mas também na minha vida profissional. Eu tenho um mestrado em experiência de consumo. Quer dizer que a minha formação acadêmica tem enfoque em entender por que as pessoas se comportam de certa maneira enquanto elas consomem [mais] coisas.

E eu aprendi que em cada indivíduo, a calma reside no equilíbrio entre atender as suas necessidades ao mesmo tempo em que é capaz de se tornar uma pessoa realizada. Parece complicado. Na realidade, é mais complicado do que parece.

Felizmente, a essência do minimalismo pode ajudar a encontrar essa calma na paternidade (ou maternidade). E aqui estão algumas lições que eu aprendi ao colocar este conceito em prática, durante a minha jornada em criar a minha filha com menos:

1. Proteja menos e os seus filhos viverão mais

Passamos tanto tempo [super]protegendo os nossos filhos que esquecemos de deixá-los viver. Quando passamos sobre eles e insistimos na segurança, os nossos medos podem prejudicar a confiança deles. Esses temores roubam a sua independência.

Em vez de pairar como os “pais helicópteros” das gerações passados, podemos ajudar a criar um senso de responsabilidade e uma curiosidade natural em cada criança.

Permita que seus filhos vivam a vida ao máximo. Mesmo que isso signifique deixá-los subir ao topo do escorregador sozinhos de vez em quando.

2. Programe menos e seus filhos descansarão mais

Como seres humanos, precisamos descansar nossos corpos e mentes. Isto é ainda mais verdadeiro para os pequenos corpos que estão crescendo e amadurecendo rapidamente.

A pesquisa mostra que a ansiedade infantil é uma epidemia crescente na nova geração. Portanto, uma criança que cresce com ansiedade é significativamente mais propensa a ser atormentada com problemas de saúde mental ao longo de sua vida adulta.

Você sabe o que uma criança precisa de verdade? Descansar. E, provavelmente mais do que você. Porque enquanto ela descansa, ela cresce.

Então, pare de fazer do descanso um luxo e faça dele uma prioridade. A saúde mental e física da sua família depende disso.

3. Arbitre menos e seus filhos resolverão mais

Como pais, usamos muitos chapéus. Um chapéu que precisamos abandonar é o árbitro. Os pais têm a tendência de saltar e resolver quaisquer disputas e desafios entre as crianças. É mais fácil ser o árbitro do que assistir dois filhos resolverem seu próprio desacordo. É mais fácil pular e ajudar do que esperar dez minutos para que uma criança resolva por si.

Depois de abandonar esse chapéu, fique a vontade sentando-se à margem em silêncio. As crianças precisam de muita prática para aprender a resolver problemas, então vamos dar a elas algumas chances de fazer isso sozinhas.

4. Ofereça menos e seus filhos serão mais criativos

Em muitos aspectos, o Pinterest é uma armadilha.

A abundância de arte, artesanato e ideias de atividades que a nossa geração é capaz de oferecer aos seus filhos nos deixa sentindo como se nunca estivéssemos dando a eles o bastante. Não seria mais fácil se pudéssemos simplesmente cortar uma caixa de papelão e proporcionar entretenimento ilimitado para os nossos filhos?

Ah, você raciocinou muito bem, nós podemos!

Mas, deixe de ser “tão criativo” em pensar que emprestar a eles o seu iPad podia entretenê-los por ainda mais tempo. Quando oferecemos infinitas variedades de entretenimento para os nossos filhos, oferecemos a ales menos chances de criarem e de explorarem novas ideias por conta própria.

Então, se me permite, deixe de seguir o Pinterest. Melhor ainda, elimine a sua conta. Em seguida, deixe as crianças se aborrecerem. Por que são estes momentos os que mais fomentam a criatividade delas.

5. Compre menos e seus filhos explorarão mais

Se você gritou para os seus filhos arrumarem a bagunça de seus quartos recentemente, sinto dizer que a culpa é mais sua do que deles. Foi você quem comprou ou decidiu manter toda aquela montanha de brinquedos lá dentro, não foi?

Se a sua casa tiver menos objetos, mobília e outras posses, naturalmente será mais fácil mantê-la organizada.

E você sabe o que não tem um impacto a longo prazo sobre a felicidade de uma criança? Por ironia, é isso mesmo: o último brinquedo da moda. Então, compre menos e assim eles serão capazes de filtrar o ruído e de se concentrarem nas coisas importantes.

Agora, se você estiver curioso sobre o que realmente tem mais impacto sobre a felicidade de uma criança, tente ler outros artigos sobre essa mesma questão que você verá que o que eles realmente valorizam é o tempo de qualidade com as pessoas que amam.

Talvez seja a hora de sermos mais presentes, enquanto buscamos ser menos invasivos para que os nossos filhos sejam capazes de aprender desde cedo sobre tudo isso que nós levamos tanto tempo para aprender.

2 comments

  1. Administrar nosso ego, nossos desejos, nossos sonhos, nossos medos, nossas limitações em prol da melhor educação que pudermos dar! Adorei esse texto.

    1. É isso mesmo Monique, a maternidade é uma troca. É abrir mão de muita coisa em prol de outras: indivíduos preparados para a realidade em seus futuros e pais mais conscientes sobre como melhor a cada dia.

      Obrigada pela sua contribuição, beijos!

      Thaís

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