Aprendizado Millennials

O que eu aprendi assistindo “TEDx”

Para quem esteve vivendo em uma caverna durante a década passada e ainda não conhece, o TED é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão compartilhar boas ideias pelo mundo.

Além das conferências presenciais, o TED possui um página oficial (www.ted.com) e uma forte presença nas mídias sociais, onde as gravações das suas conferências são sempre compartilhadas.

E então, surgiu o TEDx, uma versão local do evento, que hoje está presente em cada vez mais cidades, em todos os continentes. Inclusive, no continente asiático. E foi no continente asiático que eu me aproximei ainda mais do conceito dos eventos do TED.

Enquanto eu estava na Índia, eu conheci um jovem millennial que estava no mesmo destino para somar experiências e depois compartilhar-las através do TEDx na Tunísia. Eu podia ver o brilho nos olhos dele e um desejo imenso de transformar o mundo.

Eu também conheci outro millennial, o Ronan, un jovem de Joinville, a mesma cidade onde eu passei os últimos dez anos da minha vida. Enquanto realizava mais uma de suas apresentações no TEDx, o Ronan era o presidente da AIESEC no Paraguai, onde ele também seguia o sonho de fazer do mundo um lugar melhor.

E com personagens tão inspiradoras quanto as que eu acabo de mencionar, o meu maior argumento para continuar assistindo a TED Talks se baseia na ideia de que para mudar o mundo precisamos antes mudar a nós mesmos. E essa compreensão me incentivou a redefinir cinco metas para a minha vida.

Vamos revisá-las aqui:

  1. Trabalhar todos os dias para manter a minha saúde física e mental;
  2. Ser um bom exemplo para a minha família e na minha comunidade;
  3. Publicar um livro sobre o desafio de millenials, antes dos meus 27 anos de idade;
  4. Participar de um evento TEDx como apresentadora nos próximos cinco anos;
  5. Viajar pelo mundo e desfrutar da minha liberdade a cada dia.

Com essas metas em mente, eu desliguei o canal do Youtube no meu celular e parti para uma experiência, digamos, mais real do TED. Quero dizer que eu participei como espectadora em um TEDx no meu novo destino, a capital do Peru.

E o resultado disso não poderia ser diferente, eu me senti ainda mais inspirada para colocar as minhas metas em prática. Agora, se você estiver questionando-se sobre o que eu aprendi naquele evento, eu faço questão de compartilhar aqui. Porque, você já sabe, boas ideias merecem serem compartilhadas.

Vamos para as experiências dos locutores deste evento que eu assisti longe de uma tela, o TEDx@Miraflores:

Francisco Daneliuc

Pancho, para os mais próximos, tem apenas 17 anos de idade e uma história surpreendente. Sua paralisia cerebral não o impediu de buscar a felicidade, daí o nome do seu discurso: “o segredo do meu sorriso”.

Em seu discurso, ele fala sobre como viver sobre uma cadeira de rodas e que esse, definitivamente, não é um obstáculo para a vida. Com essa compreensão, o jovem Francisco também sabe valorizar o apoio dos seus amigos e familiares, além de seu cão-guia chamado Sol.

Francisco já visitou todos os continentes e frequenta a praia como qualquer pessoa sem nenhuma limitação física faria no verão. Se não bastasse ele escreve contos dedicados a crianças e chegou a publicar um deles, doando os lucros a uma escola para crianças com necessidades especiais.

Juan Pablo Huanqui

Com apenas 15 anos de idade, Juan detém o recorde mundial de speedcubing, o esporte que consiste em armar o cubo mágico no menor espaço de tempo.

Com a experiência de ter sido vitorioso em inúmeros campeonatos, em diferentes continentes, Juan argumenta que a prática traz uma série de benefícios para a memória, através de dezenas de sequências de algoritmos.

Isso sem falar da dedicação, persistência e perseverança para alcançar os resultados que ele já conquistou.

Sergio Lingán

Sergio sofria de distúrbios alimentares (anorexia e bulimia) em sua adolescência, o que o levou a ter problemas de adaptação no momento em que entrou na universidade.

Mas, aos 19 anos de idade, quando ele aprendeu a lidar com estes distúrbios cada vez mais comuns entre os mais jovens, Sergio decidiu criar um grupo de coaching.

O desejo pessoal que Sergio compartilha com todos é o de transformar as suas experiências negativas em um impacto positivo para toda a sua comunidade.

Jesús Pinto

Como dançarino profissional e atual professor de dança, Jesús discutiu sobre como a dança transformou a sua vida, deixando para trás as drogas, as más companhias e as brigas de gangues que ele costumava manter em sua vida.

Essa transformação foi iniciada no momento em que ele viu outro menino fazendo uma performance nas ruas. Aquele era um sinal.

A mensagem de Jesús foi tão poderosa quanto lógica: para encontrar um propósito de vida temos que estar atento aos sinais.

Esteban Marchand

Esteban relatou sobre a própria experiência de ser gay e como a aceitação que ele teve da família foi relevante para que ele tivesse a coragem de assumir a si mesmo.

Esteban entende que como ele existem tantos jovens homossexuais com sonhos para o futuro e que, como ele, também almejam tornarem-se médicos, congressistas, arquitetos, ambientalistas, engenheiros, etc.

Ser gay, como Esteban coloca, não faz de ninguém uma pessoa ruim, e nem é uma doença. O amor, o respeito, a compreensão é o que a nossa sociedade precisa para melhorar, e não os estereótipos.

Assistir a apresentações como a de todos os jovens que eu acabo de mencionar me fez sentir em dívida com a sociedade. Agora, eu tenho ainda mais desejo de retribuir.

Mais do que isso, eu quero construir uma sociedade melhor, começando por mim mesma.

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