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O desafio de criar um lar não-consumista

Estou escrevendo este artigo enquanto a minha filha joga com os seus brinquedos de segunda mão. E tanto quanto eu sei que a minha atenção plena é o melhor presente que eu poderia oferecer a ela, eu acredito que este tópico deve ser trazido à tona em todos os lares, especialmente, onde há crianças tentando nos imitar a todo momento.

Eu quero falar do consumismo: uma relação doentia com a oferta de produtos e serviços no mercado. Este é o conceito que te leva às compras por razões que qualquer outra razão diferente da necessidade de adquirir algo capaz de melhorar as nossas vidas.

E enquanto ninguém nasce consumista, nos tornamos consumistas. Então, talvez a culpa não seja nossa.

Já se tornou comum ver um pai que passa todo o dia no trabalho e então busca compensar a falta de tempo com os filhos enchendo a casa de presentes. E enquanto esse comportamento bem intencionado possa deixar as crianças felizes por algum momento, ela acaba absorvendo o consumismo como um de seus valores.

Mas, calma, eu também não estou culpando os nossos pais, ou a muitos de nós que já se tornaram pais e mantém o comportamento que eu acabo de mencionar. Não é fácil para nenhum pai (ou mã) lidar com tantas ofertas, vindas de todos os meios, e simplesmente dizer “não” para seus filhos.

Embora sendo difícil, lidar com o consumismo é possível. E se você tem algum interesse em saber sobre como eu estou fazendo isso com sucesso, vale a pena seguir na leitura desse artigo. Do contrário, talvez seja melhor buscar outra “distração” por aí na internet.

Vamos para o que funciona aqui em casa.

Como evitamos o consumismo na prática

Aqui em casa, não compramos nada que não tenha uma finalidade de uso imediato. Frutas e verduras são exemplos de produtos que usamos diariamente e que nunca acabam no lixo. Mas, nada de comprar aquela garrafa de refrigerante que só será consumida na próxima vez que recebermos visita. Aliás, vamos ao supermercado em dias determinados, para evitar o desejo de comprar aquele produto extra.

A compra de roupas para a minha família também acontece de forma planejada. Sempre revisamos o guarda-roupa antes de sair para um passeio no shopping, assim aquelas “promoções imperdíveis” não conseguem nos vender a promessa de que necessitamos determinado item.

Talvez o maior apoio para evitar o consumismo aqui em casa seja o fato de que mantemos a televisão desligada, a não ser para assistir algum video do TED ou outro programa do gênero no Youtube. É natural que evitando acesso a todos aqueles comerciais de TV diminuímos o nosso conhecimento pelas possibilidades de compra.

Mesmo sendo consumidores conscientes não vejo nada de errado em ir ao shopping de vez em quando. Quando isso acontece, costumamos voltar sem as mãos cheias de sacolas de compras, mas voltamos com novas experiências. Tomamos um bom café, encontramos amigos e descobrimos uma nova forma de entretenimento.

Falando em experiências, é aí que a minha família contribui mais para girar a economia. De maneira controlada, não trocamos o passeio a um destino inusitado por nenhuma roupa de marca, nem mesmo um passeio a pé no parque por um carro novo na garagem.

O consumo pode trazer conforto para as nossas vidas. Isso é inquestionável. Mas, quando me perguntarem “o quanto eu estou disposta a abrir mão para seguir comprando” talvez eu diga “muito pouco”. Claramente, a resposta está na moderação.

Tendo isso em mente, eu elaborei uma série de lições que podem funcionar para todos entre vocês que querem mais controle na relação de consumo. Vamos para as lições.

Um guia para superar o consumismo

1. Admita que é possível. Se você ainda não tem certeza sobre o caminho certo para seguir uma vida menos consumista com filhos em casa, seja realista: Não existe uma única resposta. Basta dar o primeiro passo e você verá o que funciona na sua realidade.

2. Adote a mentalidade de um viajante. Quando viajamos, tomamos apenas o que precisamos para a viagem. Eu viajei por três continentes em um ano com apenas uma mala. Sem excesso, nos sentimos mais leves, livres e flexíveis. Adote essa mentalidade de um viajante para a vida e procure transportar apenas o que você precisa para a viagem.

3. Abrace os benefícios de possuir menos. A internet está cheia de lições sobre o minimalismo e explicações sobre os benefícios de viver com menos. Então, eu não vou repetir-los aqui. Mas a teoria continuará sendo apenas teoria se você não praticar.

4. Seja consciente da sociedade em que vivemos. A mídia pode te fazer acreditar que a sua maior contribuição para a sociedade é o dinheiro que você gasta. Nós enfrentamos milhares de anúncios todos os dias convidando-nos a comprar mais. Reconhecer isso é um passo essencial na sua jornada para superar o consumismo.

5. Deixe de se comparar, especialmente com quem tem mais. Quando começamos a comparar as nossas vidas com aqueles que nos cercam, nos tornamos mais infelizes. Isso é fato. Mas nós podemos romper essa armadilha ao observar que tantas outras pessoas vivem com menos e, muitas delas, permanecem alegres nessas circunstâncias.

6. Entenda o valor do seu dinheiro. Esse recurso tem um grande potencial. Ele pode ser usado ​​para investir e te dar um senso de liberdade, ou para trazer justiça e esperança para um mundo que procura desesperadamente por isso. Honestamente, essas parecem ser melhores opções do que usar o seu dinheiro para comprar aquele item de liquidação.

7. Considere o custo total das suas compras. Normalmente, quando compramos um item, nós apenas olhamos para o preço da etiqueta. Mas isso raramente é o custo total. As nossas compras custam o nosso tempo, a nossa energia e atenção (para a limpeza, organização, manutenção, reparação, substituição ou remoção). Criar o hábito de contabilizar essas despesas nos leva a melhores decisões sobre o que consumimos.

8. Desligue a televisão. A televisão glamoriza tudo o que precisa glamorizar para continuar a existir. As empresas não gastam bilhões a cada ano em propagandas à toa. Elas sabem que em pleno século XXI ainda podem te convencer a comprar o produto que estão vendendo. A televisão se baseia no pressuposto de que você pode gastar (e gastar demais) o seu dinheiro. Não se deixe cair nessa armadilha.

9. Faça da gratidão uma disciplina em sua vida. A gratidão nos serve como uma simples resposta a circunstâncias positivas. Abrace-a em todas as circunstâncias. E comece a se concentrar na abundância, mais do que no que você acha que te falta.

10. Pratique a generosidade. O caminho mais seguro para o contentamento é a generosidade. Isso nos permite encontrar a realização em ajudar os outros.

Por fim, renove diariamente o seu compromisso com o que você mais valoriza.

E enquanto formos bombardeados todos os dias com propagandas de quase todas as superfícies planas que encontramos, não podemos parar de consumir, e nem dar aos nossos filhos um senso do que é o sistema capitalista em que vivemos.

Mas, podemos ensiná-los pelo nosso exemplo que a moderação serve para nos manter distantes de qualquer relação doentia com o consumo.

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