Hábitos Trabalho

Ei, você: Admita que está procrastinando!

Você já se sentou para completar uma tarefa importante e, de repente, descobriu que estava comendo mais uma guloseima ou acabou distraído pelo novo meme do gato compartilhado no Facebook? Ou, quem sabe, você precisa alimentar o seu cão, os e-mails precisam ser respondidos, a bateria do seu telefone precisa ser recarregada? Ou ainda, você precisa sair para almoçar, mesmo que sejam apenas 11:00 da manhã? Então, a próxima coisa que você vê é o fim do dia e sua tarefa importante permanece inacabada.

Para muitas pessoas, a procrastinação é uma força misteriosa que os impede de completar as tarefas mais urgentes e importantes em suas vidas. E essa pode ser uma força potencialmente perigosa, que faz com que as vítimas falhem no trabalho, adiem um tratamento médico ou atrasem a poupança para a aposentadoria.

Mas as razões pelas quais as pessoas procrastinam não são claras. Alguns pesquisadores consideraram que procrastinar não é uma questão de ser preguiçoso, nem de mal gerenciamento do tempo. Eles dizem que isso pode estar realmente ligado ao funcionamento do nosso cérebro e a percepções mais profundas do tempo e do “eu”.

Mas, como exatamente a procrastinação funciona, e como você a interrompe?

Pesquisas psicológicas e até mesmo “Os Simpsons” podem nos ajudar a entender essa questão.

A maioria dos psicólogos vê a procrastinação como um tipo de comportamento de evasão, um mecanismo de enfrentamento despreocupado em que as pessoas abrem mão de trabalharem pelos seus futuros “eus” para sentirem-se bem agora.

A procrastinação geralmente acontece quando as pessoas temem, ou têm ansiedade sobre a tarefa importante que os aguarda. Para se livrar desse sentimento negativo, elas procrastinam, começam uma nova partida de vídeo game ou “logan” no Pinterest uma vez mais. Isso as faz sentir melhor, temporariamente.

Uma vez que a realidade lhes dá um tapa na cara, os procrastinadores sentem vergonha e culpa. No entanto, para um procrastinador extremo, esses sentimentos negativos podem ser apenas outro motivo para afastarem-se de suas tarefas, com o comportamento se transformando em um ciclo vicioso e autodestrutivo

Os psicólogos têm alguns outros modelos fascinantes para entender as forças por trás da procrastinação. Alguns acreditam que a procrastinação é tão intratável porque está ligada a percepções mais profundas do tempo e a diferença entre o que eles chamam de “eu presente” e “eu futuro”.

Acontece que as tarefas importantes são mais desafiantes, mas, no longo prazo, trazem sentimentos mais duradouros de satisfação e bem-estar.

A ideia é que, apesar de sabermos que a pessoa que seremos em um mês é, teoricamente, a mesma pessoa que somos hoje, temos pouca preocupação, compreensão ou empatia pelo “futuro eu”. As pessoas estão muito mais focadas em como elas se sentem neste momento.

Essa é a essência da gratificação instantânea.

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A gratificação instantânea é a prima mais próxima da procrastinação

Chegou a hora de analisar “Os Simpsons” como uma ilustração das diferentes maneiras que pensamos sobre o nosso “eu presente” e “eu futuro”.

Em um episódio, Marge repreende o seu marido por não dedicar tempo suficiente às suas crianças. Ela diz: “Algum dia, as crianças estarão fora de casa e você se arrependerá de não passar mais tempo com elas!”

Esse poderia ser um problema para o “futuro Homer”. “Ei, mas eu não invejo aquele cara”, responde ele, enquanto derrama vodca em uma jarra de maionese e depois coloca toda aquela mistura grotesca goela abaixo, pouco antes de colapsar no chão.

O caso de Homer expressa bem isso: ao tomar decisões a longo prazo, as pessoas tendem a sentir a falta de conexão emocional com o “futuro eu” delas mesmas.

Então, embora eu reconheça que o “eu presente” se tornará o “eu futuro” em algum momento, de certa forma eu tratarei esse “eu futuro” como se ele fosse uma pessoa diferente, e como se ele não fosse beneficiar-se ou sofrer com o consequências das minhas ações de hoje.

Uma pesquisa sugere que quem está mais em contato com o seu “futuro eu” relata menos comportamentos de procrastinação. Teoricamente, eles tentam ser mais gentis com a versão futura deles mesmos.

(Talvez isso tenha alguma influência na escrita da minha “carta” para o “futuro eu”.)

Além de tentarem ser mais gentis com os nossos “futuros eus”, o que mais as pessoas podem fazer para evitar a procrastinação?

O conselho típico para os procrastinadores poderia ser o de parar o que estão fazendo e começar a trabalhar. Mas, isso é ridículo, porque a procrastinação não é algo que as pessoas que a realizam sentem como se pudessem controlar.

Já que estamos falando disso, vamos nos certificar de que as pessoas obesas evitem comer em excesso, as pessoas deprimidas evitam a apatia e alguém diga às baleias encalhadas nas praias de todo o mundo que elas deveriam evitar estar fora do oceano.

Não é assim que funciona.

Mas há algumas dicas simples, que podem ajudar os procrastinadores.

Curiosamente, pesquisas sugerem que uma das coisas mais efetivas que os procrastinadores podem fazer é perdoar-se por procrastinar. Em estudo recente estudantes que relataram perdoar-se por procrastinar em relação a um primeiro exame acabaram procrastinando menos para um segundo exame.

Isso funciona porque a procrastinação está ligada a sentimentos negativos. Quer dizer: perdoar-se pode reduzir a culpa sobre procrastinar, que é uma das principais razões que leva as pessoas a adiar as suas tarefas prioritárias.

Mas o melhor conselho provavelmente seja o de reconhecer que você não precisa estar com disposição para fazer uma determinada tarefa. Simplesmente ignore como você se sente sobre aquilo e comece a fazer.

Em outras palavras, em vez de nos concentrar em nossos sentimentos, temos que pensar sobre a nossa próxima ação. Então, podemos quebrar as nossas tarefas em passos pequenos, que podem ser realizados facilmente.

Por fim, se o que você deve fazer é algo como escrever uma carta de referência o primeiro passo é apenas abrir o cabeçalho e escrever a data. Mesmo que essa seja uma pequena ação, um pouco de progresso geralmente faz você se sentir melhor sobre a tarefa e aumenta a sua auto-estima, o que, por sua vez, reduz o desejo de procrastinar para se sentir melhor.

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