Aprendizado Millennials

O que eu aprendi com o erro na publicação do meu primeiro livro

Na última semana, uma importante parte do meu propósito de vida se tornou realidade. Eu tomei o conselho de Elizabeth Gilbert “é melhor fazer do que fazer bem”, cliquei no botão publicar e o meu primeiro livro se tornou disponível para qualquer pessoa com acesso à internet ou com interesse em ler um livro físico. No entanto, essa publicação, da forma que foi feita, foi o meu maior erro.

Eu havia dedicado meses em pesquisas, semanas na escrita, dias para a revisão e mais algumas horas discutindo sobre o tópico do livro (estereótipos sobre millennials) com os meus amigos e familiares.

O processo de escrita estava indo dentro dos meus planos e, em algum momento, eu achei que devia levar todo esse trabalho para onde ele deveria estar: disponível para leitores potenciais.

Acontece que minutos depois de clicar no botão ‘publicar’ no site Kindle Direct Publishing, vinculado à Amazon, eu fiz o que qualquer mamífero de sangue quente que procurava por um impulso do ego faria: postei no Facebook uma mensagem dizendo:

“Olá, amigos e família, olhe o que eu fiz, escrevi um livro”.

A minha postagem no Facebook sobre a publicação do livro.
A minha postagem no Facebook sobre a publicação do livro.

Certamente, todas as primeiras “curtidas” de pessoas queridas para mim, junto dos ’emojis’ de surpresa e adoração, e dos comentários de “Olhe para você”, foram um deliciosos impulso que me afastou temporariamente do pânico que chegaria algumas horas depois.

Eu imediatamente me encontrei escrevendo uma mensagem para o grupo da minha família. Afinal, todos tinham que me louvar. Todos deveriam dizer que comprariam imediatamente o livro. Embora eles não tivessem ideia da qualidade do livro e, como 98% deles não estavam nem aí para o que dizem sobre millennials, eu sabia que poucos familiares chegariam a ler o que eu escrevi.

Quanto aos meus amigos, embora em tenha visto que muitos tiveram uma abordagem empática e clicaram em “curtir” na minha postagem sobre o livro no Facebook, além de escrever um “parabéns” logo abaixo, eles seguiram em suas linhas do tempo para curtir a próxima foto do pôr-do-sol ou o próximo meme do gato.

Enquanto isso, eu segui para o próximo passo de auto-promoção, compartilhando o primeiro capítulo no meu blog. Eu também desejava compartilhar as boas notícias com os meus seguidores desse canal. Embora ainda não tenha centenas ou milhares deles, os meus seguidores aqui do blog saberiam sobre o processo de escrever e me dariam um pouco mais de significância. Eu também sabia que eles estariam interessados, já que estão lendo o meu blog sobre millennials a algum tempo.

Mas, nada disto foi uma garantia de sucesso na publicação do meu livro na Amazon. Ao contrário.

"Quem disse que millennials são todos iguais" na Amazon.com.br
“Quem disse que millennials são todos iguais” na Amazon.com.br

Uma vez que a notícia da publicação foi espalhada  para todos nas mídias sociais, blog e internet, eu senti um grande medo de não cumprir com as expectativas. Como uma escritora, eu gostava de fingir ser confiante. Mas, isso era como eu estava me sentindo.

O meu livro havia acabado de ser completamente auto-publicado, de modo que o número de erros potenciais naquela obra seria difícil até para mim mesma mensurar.

Claro, que eu poderia ter editado e revisado melhor este mesmo livro antes de torna-lo público. Isso me deixaria mais confiante. Mas, naquele ponto, já era tarde demais. O livro já estava publicado e eu não poderia remove-lo, impedindo que os mais ansiosos dentre os meus amigos, familiares e seguidores fizessem o download naquele instante.

No momento da publicação, eu subestimei as minhas inseguranças. Escrever um post no blog para que todos leiam é uma coisa. Se isso não funcionar, passamos para o próximo.

Uma vez que está publicado, está publicado. Os leitores potenciais começam a fazer download, ou a ordenar a cópia física, e eu não poderia deixá-los na mão, logo agora que eu acabo de dizer a todos que finalmente tirei o meu projeto do papel.

Esta foi a minha primeira conclusão e eu me senti completamente aterrorizada.

Desculpe, me dê um segundo, preciso atualizar minha página de downloads. Caramba, em poucas horas já foram feitos mais de 100!

Informações de download do livro no Kindle Direct Publishing
Informações de download do livro no Kindle Direct Publishing

Onde eu estava? Ah, sim, eu estava aterrorizada.

Eu havia acabado de revisar o trabalho já publicado, onde encontrei um erro depois do outro. Seja de gramática, concordância, ordem ou coesão. O que eu poderia fazer agora?

Por que eu fiz isso em primeiro lugar?

Eu sempre tive o propósito de escrever para melhorar a mim mesma e para ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo. E por que estes erros me fariam mudar de ideia?

Ao ver os meus erros, tudo o que eu sentia eram mais incertezas.

Ao mesmo tempo, eu temia pelas avaliações do produto no site da Amazon, se é que algum de meus leitores se dará ao trabalho de fazer isso. O silêncio será ensurdecedor e eu preciso gerenciar as minhas emoções enquanto isso não acontece.

Eu também preciso relaxar no rastreamento do número de livros vendidos. Eu nunca escrevi este livro pelo dinheiro. E, agora, mais do que nunca, o dinheiro é com que eu menos me importo.

O que me importa é aprender com o meu erro.

Vale dizer que no próprio processo de escrita eu também havia aprendido sobre gestão do tempo, além de ter comprovado a minha paixão pela melhoria.

E o meu grande erro me ensinou que, não importa o que eu ou você faça, fazer algo provavelmente irá levá-lo mais longe do que não fazer nada.

As pessoas bem sucedidas conseguem ser bem sucedidas através da ação. Quando você está trabalhando duro, você provavelmente cometerá muitos erros, mas você também conseguirá chegar muito mais longe.

Assim como eu fiz, você não pode ter medo de correr riscos e fazer o seu melhor. Às vezes, mesmo os seus melhores esforços podem não ser o suficiente, mas lembre-se de que você está ganhando experiência.

Com essa experiência e o conhecimento que você ganha ao longo do caminho, na próxima vez será mais provável que você consiga o que estava tentando.

Por outro lado, você não ganhará nada sentado esperando. Você deve tentar uma e outra vez em qualquer coisa que você deseja realizar em sua vida.

É preferível errar do que não fazer nada. Qualquer passo que você faça, não importa o quão lento seja o seu progresso, irá levá-lo mais longe do que não tentar dar um passo.

Então, saia e faça o seu melhor, mesmo se você sabe que pode se equivocar.

O que me conforta é saber disto e saber que os escritores bestsellers não surgem durante a noite. É preciso prática e dedicação ao ofício e tudo tem que começar em algum lugar.

Tem que haver um primeiro livro que os ensine sobre o processo. E nesse processo haverão erros e os erros serviram de aprendizado.

Foi assim que Elizabeth Gilbert, a autora da frase no começo deste artigo, se tornou famosa em todo o mundo com o lançamento do seu livro “Comer, Rezar e Amar”.

A prática e o processo de escrever o meu próprio livro foram divertidos e gratificantes. Haverá as versões em inglês e espanhol em breve, graças aos erros desta primeira versão  que me deixaram intrigada para melhorar na próxima vez.

6 comments

  1. Relaxa irmazinha!
    O livro poderia ser 100% do jeito que queria e mesmo assim poderá ser criticada, mas isso pouco importa! Você aprendeu algo novo neste processo? Isso é o que importa…
    Pra mim, sua publicação foi perfeita, não precisa floriar tanto. Bjs

    1. Obrigada Márcia, meu ego está saltitante mais uma vez por ler isto.

      Saiba que essa resposta significa muito pra mim. Agora, me resta trabalhar mais pra melhorar na próxima.

      Um abração e até logo!

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