Aprendizado Maternidade

Não há desculpas: bebês são capazes de aprender múltiplos idiomas

Qualquer adulto que tenha tentado aprender uma língua estrangeira pode atestar a dificuldade e confusão que isso pode causar. Então, quando um filho de três anos que cresce em uma casa bilíngue insere palavras em espanhol em suas frases em português, a sabedoria convencional pressupõe que ele está confundindo as duas línguas.

A ciência mostra que este não é o caso.

Na verdade, a primeira infância é o melhor momento para aprender uma segunda língua. As crianças que crescem ouvindo dois idiomas desde o nascimento normalmente se tornam falantes nativas de ambos, enquanto os adultos muitas vezes lutam com a aprendizagem de uma segunda língua e raramente alcançam fluência nativa.

Mas a questão permanece: é confuso para os bebês aprenderem duas línguas simultaneamente?

A resposta breve é “não”.

Os bebês começam a aprender sons de linguagem antes mesmo de nascerem. No útero, a voz de uma mãe é um dos sons mais proeminentes que um feto ouve. No momento em que o bebê nasce, ele já é capaz de diferenciar entre o idioma da mãe e outro idioma.

Os bebês aprendem a reconhecer a voz de suas mães mesmo antes de nascerem.

Isso acontece porque a aprendizagem de idiomas depende do processamento de sons. Todos os idiomas do mundo juntos incluem cerca de cerca de 800 sons. Cada idioma usa apenas cerca de 40 sons, ou “fonemas”, o que distingue um idioma de outro.

No nascimento, o cérebro do bebê pode notar a diferença entre todos os 800 sons. Isso significa que, nesta fase, os bebês podem aprender qualquer idioma aos quais eles estejam expostos. Gradualmente, os bebês descobrem quais sons que eles estão entendendo melhor.

Os tamanhos de vocabulário de crianças bilíngues, geralmente, são superiores aos de crianças que falam apenas um idioma. Mas o bilinguismo não causa confusão. Os bilíngues apenas combinam os dois idiomas.

Por exemplo, a minha filha de dois anos, que fala inglês, espanhol e português, chega a responder em espanhol quando a questionamos sobre algo em português.

As pesquisas mostram que isso acontece com crianças bilíngues porque os adultos bilíngues ao seu redor também fazem o mesmo.

Ao contrário das crianças monolíngues, as crianças bilíngues têm outro idioma a partir do qual podem ser facilmente emprestados se não puderem recordar rapidamente a palavra apropriada em determinado contexto. Mesmo aos dois anos de idade, enquanto elas modulam sua linguagem para combinar com a linguagem usada pelo interlocutor.

Essa mudança de idioma em determinado contexto faz parte do desenvolvimento normal de linguagem de uma criança bilíngue. E pode ser isso o que chamamos de “vantagem bilíngue”.

Crianças bilíngues estão em vantagem

A boa notícia é que crianças em todo o mundo podem adquirir duas línguas simultaneamente. Na verdade, em muitas partes do mundo, ser bilingue é a norma e não uma exceção.

Agora, mais do que nunca, entende-se que a constante necessidade de mudar a atenção entre dois idiomas leva a várias vantagens cognitivas. Adultos e crianças bilíngues revelam um melhor funcionamento do cérebro – isto é, eles são capazes de deslocar a atenção, alternar entre tarefas e resolver problemas com mais facilidade.

Os bilíngues também têm maiores habilidades metalinguísticas (a capacidade de pensar sobre a linguagem em si e entender como ela funciona).

Há evidências de que ser bilíngue facilita a aprendizagem de um terceiro idioma.

Além disso, acredita-se que o efeito acumulado da experiência de dupla linguagem se traduz em efeitos protetores contra o declínio cognitivo com o envelhecimento e o início da doença de Alzheimer.

Então, se você quer que seu filho conheça mais de um idioma, é melhor começar em uma idade precoce, antes mesmo de começar a falar sua primeira língua. Isso não confundirá seu filho, e pode até dar-lhe um impulso em outras formas de cognição.

Entre seis e 12 meses, os bebês que crescem em famílias que dominam apenas um idioma tornam-se mais especializados no subconjunto de sons em sua língua nativa. Em outras palavras, eles se tornam “especialistas em sua linguagem nativa”. Mas, logo, essas crianças começam a perder a capacidade de ouvir as diferenças entre os sons de um idioma estrangeiro.

Saber disso e sobre como o cérebro do bebê aprende um ou mais idiomas é importante para entender os marcos do desenvolvimento ao aprender a falar.

Por exemplo, pais de crianças bilíngues muitas vezes se perguntam o que é e não é típico ou esperado, ou como seu filho será diferente das crianças que estão aprendendo uma única língua.

Um recente estudo utilizou uma tecnologia completamente não invasiva chamada magnetoencefalografia (MEG), que identificou com precisão o tempo e a localização da atividade no cérebro de bebês que ouviram as sílabas de dois idiomas.

Aos 11 meses de idade, pouco antes de a maioria dos bebês começar a dizer suas primeiras palavras, as gravações cerebrais revelaram que os bebês de famílias monolíngues são especializados para processar os sons do seu idioma nativo e não de uma linguagem desconhecida. Os bebês de domicílios bilíngues, por outro lado, são especializados para processar os sons de ambos os idiomas.

Bebês bilíngues são especializados em processar os sons de ambos os idiomas.

Isso acontece porque os cérebros dos bebês se tornam sintonizados com qualquer idioma que eles ouvirem de seus cuidadores.

Um cérebro monolíngue torna-se sintonizado com os sons de um idioma, e um cérebro bilíngue fica atento aos sons de duas línguas. Aos 11 meses de idade, a atividade no cérebro do bebê reflete o idioma ou as línguas às quais eles foram expostos.

Quer dizer que vale a pena aprender duas línguas?

Isso tem implicações importantes.

Os pais de crianças monolíngues e bilíngues são geralmente ansiosos para que seus filhos pronunciem as primeiras palavras. É um momento emocionante para aprender mais sobre o que o bebê está pensando. No entanto, uma preocupação comum, especialmente para pais bilíngues, é que seu filho não está aprendendo rápido o suficiente.

Isso acontece porque os bebês bilíngues apresentam uma resposta cerebral igualmente forte aos sons de um de seus idiomas nativos quanto bebês monolingues. Isso sugere que bebês bilíngues estavam aprendendo na mesma proporção que os bebês monolingues.

Os pais de crianças bilíngues também se preocupam que seus filhos não conhecerão tantas palavras quanto crianças criadas com uma única língua.

O bilinguismo não causa confusão. Até certo ponto, essa preocupação é válida. As crianças bilíngues dividem seu tempo entre duas línguas e, portanto, em média, escutam menos palavras em cada uma delas. No entanto, os estudos mostram consistentemente que as crianças bilíngues não estão atrasadas quando ambas as línguas são consideradas.

Fontes:

1. https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-child-language/article/language-differentiation-in-early-bilingual-development/6A3ADCA6AC5F3C3DED3AD8A7F2379E57

2. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/0010028589900030

3. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02646839308403210

4. http://www.jimflege.com/files/Flege_Yeni-Komshian_age_constraints_JML_1999.pdf

5. http://ilabs.uw.edu/sites/default/files/2012%20Moon%20et%20al.pdf

6. http://ilabs.washington.edu/kuhl/pdf/Kuhl_2004.pdf

7. http://www.psych.mcgill.ca/perpg/fac/genesee/11.pdf

8. http://www.neurology.org/content/75/19/1726

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