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A nossa geração não precisa de estereótipos — entenda o que precisamos

Antes de qualquer coisa, eu quero deixar isso bem claro: o problema não está na nossa geração em si. O problema são os estereótipos que tantos indivíduos em nossa sociedade lançam sobre nós.

Pessoalmente, eu odeio estereótipos. Não gosto do fato de que as pessoas pensem que eu deveria agir de certa forma por causa do meu sexo, personalidade ou nacionalidade.

Eu odeio que as pessoas pensem que eu devo dançar samba, apenas porque eu sou brasileira. Odeio que as pessoas pensem que eu devia ser militar por causa da minha personalidade.

Eu odeio tudo isso porque se trata de um conceito sobre mim com base em quem eu não sou.

Os estereótipos servem apenas para causar ódio

Com o tempo, eles acabam se tornando um problema na sociedade.

De fato, diferentes estudos concluíram que as pessoas afetadas por um esteriótipo em uma determinada situação são mais propensas a serem agressivas e a exibir uma falta de autocontrole.

Elas também têm mais dificuldade em tomar decisões racionais.

Isso acontece porque os estereótipos distorcem a imagem de como um indivíduo é para como ele deveria ser.

Eu posso ver os efeitos negativos disso: danos psicológicos, mau desempenho em diferentes atividades, e problemas sociais como a discriminação, o sexismo e o racismo.

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Estes são verdadeiros problemas para uma sociedade multicultural como a que fazemos parte.

Mas, e todos nós soubéssemos mais sobre as outras gerações e deixássemos de nos guiar pelo que acreditamos?

Se praticássemos isso, naturalmente, seriamos capazes de evitar tantos estereótipos.

A verdade que nós podemos fazer isso.

Se realmente desejamos evitar estereótipos sobre a nossa geracão, devemos começar por nós mesmos, deixando de julgar aos outros e a nós mesmos.

Devemos começar estando cientes de que todos os estereótipos são ruins, porque todos eles causam males, para nós como indivíduos e para todos como sociedade.

Tudo o que precisamos é nos manter abertos para enfrentar os estereótipos enraizados na sociedade e provar que podemos ser melhores como indivíduos, para então nos tornar melhores como um todo.

Isso pode parecer difícil a princípio, mas se mantermos o foco no problema, fica ainda mais difícil encontrar uma solução.

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Agora, se você está disposto a provocar alguma mudança positiva, saiba que as maiores transformações começam com um primeiro passo.

Veja que quando Rosa Parks se recusou a deixar o seu assento no ônibus para uma pessoa branca a sua frente ela deu o primeiro passo para uma revolução. Aquela atitude marcou o início do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ela sabia o que estava fazendo quando proferiu estas palavras: “As pessoas dizem que eu não deixei o meu assento porque eu estava cansada, mas não era cansaço físico. Eu estava cansada de aceitar.”

Todas as gerações têm uma parcela de bons e maus cidadãos, de vacilões e de pessoas brilhantes. Mas, há semelhanças em nossa luta.

Quanto mais conseguimos nos identificar com o outro lado, menos confiamos nos estereótipos para preencher a lacuna entre nós. No final, todos nós somos seres humanos.

O que nos diferencia das gerações anteriores

Um fator que parece realmente diferente para millennials é que nós crescemos com a tecnologia ao alcance das nossas mãos — sejam tablets, smartphones ou computadores.

Para nós, Google não é simplesmente o nome de uma empresa, mas um verbo.

O fácil acesso à tecnologia muda a forma como navegamos pelo mundo, como encontramos respostas, como nos conectamos e trabalhamos.

Mas, por maiores que sejam as nossas diferenças, nós merecemos ser tratados como pessoas comuns, a não ser que desejamos nos destacar, porque, na verdade, podemos ser qualquer coisa, desde uma “estrela”, um líder com influência global, ou o que quer que seja.

Nós podemos surpreender se nos derem a chance.

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Agora, se você estiver navegando nas mídias sociais, é provável que você encontre algum conteúdo que fale sobre millennials. Eu mesma cheguei a encontrar vários questionários para descobrir “quão millennial eu sou”.

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Mais frequentemente, o que acabamos descobrindo, é sobre o quanto somos fracassados porque ainda não comecamos a viver a “vida adulta”. Ou, o quão pouco tempo conseguimos manter um emprego. Ou, que tiramos uma selfie a cada sete minutos. Ou, que tomamos um café por ser uma experiência, e não uma bebida.

Você também descobrirá que estamos mais interessados em caminhar pela Grande Muralha da China do que em comprar uma casa.

Mas qual é o objetivo dessas “descobertas” que fazemos online? Apresentar-nos a novos estereótipos?

Se eu não vejo nenhuma razão válida em julgar ou falar de forma depreciativa a respeito da nossa geração é porque eu entendo que isso não contribui com nada positivo à nossa sociedade.

Não estou dizendo apenas por mim, eu falo porque passo a minha vida coexistindo com outros millennials e eu não consigo enxergar todas estas falhas que as outras gerações vêem sobre nós.

Agora, veja que as críticas aos mais jovens eram repetidas por muito mais tempo do que podemos imaginar. Em 450 aC, uma citação comumente atribuída a Sócrates afirmava: “os jovens amam o luxo; eles não têm bons modos e desprezam a autoridade; eles mostram desrespeito aos anciãos e conversam em vez de trabalhar.”

Interessante como as gerações passadas esqueceram quão dolorosas eram as acusações sobre elas mesmas.

Da mesma forma, artigos de notícias atuais parecem enquadrar jovens millennials como uma ameaça.

Embora o ato de estabelecer estereótipos tenha sido o passatempo favorito da sociedade por décadas ou, melhor, por séculos, isso já perdeu a graça há muito tempo.

O que precisamos para seguir à diante

Há muitos entre nós que limitam o uso das tecnologias; muitos trabalham duro para chegar à liberdade financeira um dia, ou para realizar qualquer outro objetivo; muitos se dedicam à construção de suas famílias, e são bons em manter relacionamentos em todas as áreas da vida; muitos contribuem com os menos afortunados.

Outros não se dão ao luxo de viajar pelo mundo porque têm medo de arriscar, o que não os impede de manter um sistema de crenças e expectativas sobre seus futuros. Alguns estudam política para tomar decisões mais bem informadas.

Outros buscam preservar o ambiente que nos foi dado.

Alguns têm bebês, outros têm animais de estimação, mas comemoramos cada etapa em nossas mídias sociais.

No final, sabemos que nossas vidas não são definidas pelo status de relacionamento, mas por quem somos.

E não somos uma “geração perdida”, apenas porque somos diferentes.

Não precisamos ser o que o mundo diz que somos, porque sempre existirão indivíduos que dirão que os jovens destroem tudo. Em alguns casos, eles estão certos e em outros não.

É por isso que devemos abandonar os estereótipos.

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Não precisamos baixar as nossas expectativas pelo simples fato de sermos rotulados como outra “geração perdida”.

Há ódio suficiente no mundo, e não precisamos alimentar esse sentimento.

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Eu vou me levantar agora e seguir vivendo da melhor maneira que eu puder, com a ajuda e incentivo daqueles que me rodeiam. Eu vou fazer isso porque acredito em mim mesma.

O que importa é que eu continue avançando, amando aqueles que precisam de amor e acreditando que eu posso fazer a diferença no mundo, mesmo que apenas na minha pequena esfera de influência.

Todos nós podemos fazer o mesmo, apenas precisamos trocar as nossas lentes sobre os estereótipos e avançar.

Como você lida com os estereótipos em seu dia a dia? Suas experiências e recomendações serão bem-vindas nos comentários abaixo!

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