Mais liberdade

Que este Ano Novo seja o meu melhor sabático

Quem me acompanha nas mídias sociais sabe que 2016 foi, sem dúvida, outro ano cheio de desafios na minha vida. Eu me havia me mudar de Joanesburgo para a capital do Peru, com uma filha de seis semanas de idade, enquanto eu me dedicava para dar continuidade ao meu mestrado e ao trabalho aqui no blog.

Realmente, poucas pessoas têm a oportunidade de fazer tantas coisas transformadoras em um ano e eu sou muito grata por ser uma delas. Mas, nos bastidores, 2016 também foi um dos anos mais difíceis da minha vida. Então, você chega e me diz: “Espera aí, você está me dizendo que mesmo com todas as coisas incríveis que aconteceram, você teve um ano difícil?”

Sim, é isso mesmo.

As pessoas têm uma ideia errada do que é ficar em casa, “sem ter que trabalhar”. Quase todo mundo tem a mesma sensação de que essa é uma vida sem problemas, mas essa visão é totalmente errada.

Eu tive um ano feliz, sem dúvida, mas em meio a tudo isso, eu tive que lidar com muitas coisas que eu não estava preparada e isso nem sempre é fácil ou prazeroso.

Vamos por partes.

O ano passado (2016)

Logo no início do ano, ou melhor, durante os três primeiros meses do ano, eu mal podia dormir, não apenas por ter uma recén-nascida em casa, mas pela preocupação em tomar uma importante decisão: onde iríamos viver.

Considere que eu, meu marido e a nossa filha tínhamos acabado de chegar de outro continente e, mesmo sem nada da nossa mobília e o resto da bugiganga que chegaria depois em um container, nós alugamos uma casa enquanto decidíamos entre continuar alugando ou assumir um financiamento para a compra do nosso lar.

Para quem vive no Brasil ou em outros países onde as pessoas já estão acostumadas a fazer esse tipo de dívida, isso parece a coisa mais natural. Mas, não para nós, porque sabemos que investir tudo o que temos (e também o que não temos) em um único “bem” não é o que costumamos chamar de “uma das melhores decisões financeiras“.

Por fim, decidimos comprar um apartamento pequeno, com a vantagem de estar localizado a poucas quadras do trabalho do meu marido. Mas, esse luxo de ele não ter que passar horas por dia no trânsito veio com um alto preço. Poderíamos comprar um imóvel pelo mesmo valor em Paris ou Nova York.

Claramente, eu não estava tranquila e passei a me preocupar sobre como pagar essa dívida no menor tempo possível. 

Por outro lado, ter um teto sobre a minha cabeça me fez decidir que 2017 seria o ano em que eu passaria a me dedicar a o que eu mais valorizo: a minha nova família. Enquanto eu quero construir um novo lar, eu também desejo desfrutar do meu casamento e me dedicar ainda mais aos primeiros anos de vida da minha filha.

Eu também queria voltar a praticar alguma atividade física regularmente e, com sorte, encontrar um novo propósito para a minha vida, já que uma certeza eu tinha: eu não queria mais sair buscando trabalho no mercado formal.

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O mito do ano sabático

Nesses últimos três anos eu encontrei tantas pessoas cansadas da vida que levam, da carreira, do namorado, do trânsito, de tudo.

Elas foram demitidas ou levaram um pé na bunda e acham que viajar é o que precisam para encontrar o seu propósito, mudar de carreira, ter uma ideia para um negócio ou encontrar um grande amor em algum vôo, assim como eu mesma fiz.

É claro que sempre vai existir um Tim Ferris no meio de 10 milhões de pessoas no mundo (quem não sabe de quem eu estou falando, ele é o autor do livro que se tornou uma filosofia de vida Trabalhe 4 Horas por Semana).

Mas, quem conhece a filosofia de Tim Ferris sabe que tem muito mais na decisão dele do que apenas pedir demissão, vender tudo, fazer uma mala e entrar em um avião. Embora isso tenha sido exatamente o que eu fiz há dois anos, o mesmo pode não funcionar para todos.

Eu estava insatisfeita com a minha rotina de trabalho e com a vida que eu levava praticamente sozinha em Joinville. Então eu percebi que queria ter mais tempo e liberdade para viajar, já que isso era o que me fazia mais feliz. Também percebi que eu viajava para fugir do meu dia a dia e era a leveza de não me preocupar com nada que me fazia feliz, não a viagem em si.

Eu ficava deprimida quando as férias acabavam porque eu não queria voltar para a minha realidade. Quando retornava, imediatamente, eu começava a planejar a próxima viagem para ter algo para esperar e me manter firme e forte no trabalho.

Quando eu decidi me casar, achei que tinha encontrado a solução perfeita para a minha vida. Rapidamente, eu percebi que o fato de estar viajando e conhecendo novas culturas e lugares não estava me deixando tão feliz quanto eu esperava. Por que?

Porque eu estava carregando não só o trabalho, mas tudo aquilo que eu queria fugir durante as férias dentro da minha mala.

Um ano depois

Eu queria terminar esse texto dizendo que no último ano (2016) eu encontrei o meu propósito e estou feliz e saltitante vivendo uma vida glamourosa fora da roubalheira do meu país, mas que graça teria se a vida fosse assim tão perfeita, não é?

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Se eu me arrependi de ter largado tudo para começar de novo, mais uma vez? Jamais! Eu só sei de tudo isso hoje porque um dia eu fui lá e fiz exatamente tudo o que eu fiz, e depois eu fiz de novo e farei quantas vezes eu achar que for preciso.

E você que tem dúvidas se deve tirar o seu sabático a minha dica é: VÁ, TIRE! Mas, vá de coração aberto sabendo que nem sempre a resposta estará em uma viagem ou em um período sem trabalhar. Faça isso sem a expectativa de que você vai encontrar respostas, pois talvez você só encontre mais perguntas.

Se eu ainda pretendo viajar? Muito! Mas, não mais para fugir de nada. Também não para publicar fotos nas mídias sociais ou para dizer que eu conheci todos os lugares do mundo.

Eu quero viajar para passar tempo com velhos amigos que eu fiz no caminho, para voltar a comer croissant na Europa ou dosa na Índia. Para voltar a lugares que me fizeram feliz no passado e também para conhecer novos lugares.

Ficar sem trabalhar ou até mesmo escrever (depois que eu exclui o meu antigo blog “Devaneio Sobre Tudo”) me mostrou o quanto eu sinto falta de interagir com as pessoas, de descobrir e criar coisas novas, e de inspirar quem busca por mudança.

Continuar escrevendo para este blog durante mais este ano é a melhor forma de fazer isso? Só o tempo dirá, mas dessa vez eu não vou tentar, eu farei acontecer.

Como você passaria um ano sabático? Comente e me deixe saber!

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