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Atenção aos novos pais — a depressão pós-parto é mais comum do que se pensa

Antes de dar a luz à minha primeira filha, eu me preparei para identificar as bandeiras vermelhas da depressão pós-parto. Essas incluíam emoções dramáticas, como desejar distância do bebê; ter a intenção de ferí-lo; chorar o dia todo; sentir-se incapaz de sair da cama; ou odiar a experiência da maternidade por completo.

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Eu confesso que chorei muito, mas, felizmente, não experimentei nada disto.

Eventualmente, eu voltei a fazer caminhadas, o que me fazia sentir como eu me sentia antes da maternidade. O mais importante, eu me dediquei a cuidar da minha filha integralmente, enquanto ainda encontrei tempo para outros interesses pessoais. Claro, o apoio do meu esposo e familiares foi crucial neste momento.

Eu tive sorte. Eu não tinha nada para me queixar. No entanto, após alguns meses, a minha ansiedade começou a atingir níveis descontrolados, o que poderia ser diagnosticado como uma depressão pós-parto.

Eu sabia que não estava sozinha — a ansiedade e a depressão pós-parto afetam uma em cada sete mulheres. E, com mais celebridades, como a Adele, falando abertamente sobre suas experiências, o estigma sobre essa condição poderia diminuir.

Aqui estão cinco coisas que você precisa saber sobre esta condição completamente normal.

1. É mais do que “baby blues”

Lembro-me de pensar um dia “eu definitivamente não estou sofrendo de uma depressão pós-parto, apenas estou me sentindo para abaixo e jamais teria a capacidade de prejudicar-me ou de ferir a minha filha”.

A maioria dos meus pensamentos negativos era fugaz, seguidos de sentimentos de alegria ou contentamento. Eu pensei que era apenas uma fase e que eu simplesmente estava tendo problemas para me adaptar à maternidade.

No entanto, a depressão pós-parto pode variar em gravidade e ocorrer dentro de alguns dias ou meses depois do nascimento de uma criança.

Os sintomas geralmente são mais intensos do que os chamados “baby blues”, que são comuns para o ajuste da vida com um recém-nascido e, normalmente, duram mais tempo.

Alguns sinais comuns de uma potencial depressão pós-parto podem incluir insônia, mudanças de humor severas, perda de apetite, afastamento de pessoas e atividades, ataques de pânico, baixa concentração, fadiga e raiva.

Em alguns casos raros, podem surgir pensamentos ou comportamentos que ameaçam a vida, como as alucinações ou paranóia, que requerem tratamento imediato.

Mas não há um nível de qualificação que define onde começa uma depressão.

Ainda que você não se sinta bem, fale com quem você confia sobre quaisquer conflitos emocionais.

2. Os hormônios têm seu papel nisso

Eu percebi que a minha maior ansiedade centrou-se em torno das mudanças no meu corpo e na minha nova rotina em razão da amamentação.

Em geral, os hormônios ficam descontrolados depois de dar à luz e isso também pode levar a uma depressão.

Isso me fez lembrar que os aspectos emocionais e físicos da depressão pós-parto também envolvem o fato de eu ter outro ser humano junto do meu corpo constantemente — uma experiência que exige um tempo de recuperação.

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Existe uma expectativa social de que as mulheres “se recuperem” rapidamente, o que é injusto em geral, mas também contribui para a crença de que qualquer emoção pós-parto negativa é controlável.

No entanto, eu não podia controlar tudo o que eu sentia e isso é parte do motivo pelo qual demorou tanto para me manifestar — eu me sentia egoísta dizendo em voz alta que eu estava sofrendo.

A depressão pós-parto acontece com milhões de mulheres e você não pode prever como o seu corpo, mente e espírito vão reagir aos altos e baixos da maternidade. Reconheça isso e saiba que o que você pode estar sentindo não é culpa sua.

3. Os pais estão em risco, também

Apesar de tentarmos aumentar a visibilidade e a consciência para as mães que lutam com a depressão pós-parto, os pais também são suscetíveis.

Ainda que os seus corpos não atravessam o passeio selvagem da gravidez, do parto e da recuperação por meses após o nascimento de seus filhos, um estudo recente mostra que mais de 4% dos novos pais também vivenciaram sintomas de depressão.

O que isso significa?

Quando você combina uma rotina agitada, falta de sono e mais estresse, todos os novos pais correm o risco de ter a saúde emocional e mental prejudicada.

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4. Não tenha medo de pedir ajuda

Demorou meses para que eu tivesse a coragem de pedir ajuda e admito que eu precisava disso.

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Ainda no escritório do pediatra, enquanto eu preenchia um pequeno formulário questionando se eu havia sentido alguma sensação ruim ultimamente, eu indiquei “não”. Por quê?

Eu pensei que poderia lidar com os meus sentimentos por conta própria, o que acabou atrasando a minha recuperação. Agora eu admito que eu gostaria de ter solicitado ajuda mais cedo.

Para muitas mulheres, o tratamento de uma depressão pós-parto pode ser tão simples quanto dormir mais, exercitar-se e ter alguém para cuidar do bebê de vez em quando — mas isso também pode envolver terapia e antidepressivos.

Não importa o que você precisa para curar-se, certifique-se de fazer o que é certo para o seu corpo e mente, porque isso é o que é melhor para você, para seu bebê e a sua família.

5. Você não é uma má mãe

Durante o meu período pós-parto, depois do nascimento da minha primeira filha, eu me senti extremamente sensível e defensiva, como se estivesse faltando uma camada de mim para proteção.

Eu não conseguia dormir, não tinha apetite, nenhum interesse em sexo e nem vontade de falar com alguém ou ir a lugar algum. Ondas de raiva, irritabilidade e ressentimento me lavariam inesperadamente ao longo do dia e eu ainda me sentia culpada por tudo isso.

Por que eu não poderia lidar com a minha vida como antes? Por que eu não era uma melhor esposa, amiga e mãe? Esses questionamentos me faziam sentir que eu nem merecia estar triste, assustada ou estressada.

A depressão pós-parto pode levar a sentimentos assim, de vergonha ou inutilidade, que dizem que você não é bom o suficiente para cuidar do seu filho e seu filho seria melhor sem você.

Enquanto isso, muitas representações da depressão pós-parto são histórias de mulheres prejudicando seus bebês — o que é assustador e encoraja as mães a manterem-se caladas por medo de serem rotuladas como “mães ruins”.

É por isso que a minha ou a sua história e a de milhares de outras são importantes. Elas ajudam outras mães a passar por algo semelhante, a sentirem-se menos sozinhas e, finalmente, buscarem tratamento.

Se você é pai ou mãe e sente que já passou por uma depressão pós-parto, como fez para lidar com isso? Suas recomendações serão bem-vindas nos comentários!

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