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Como lidar com as crenças que te impedem de viajar

Há seis meses atrás eu nem tinha um passaporte. Eu havia acabado de concluir uma pós-graduação e ainda estava vivendo em um quarto emprestado na casa de um dos meus cinco irmãos. Eu apenas possuía um emprego estável na minha área de formação (marketing), quando eu me convenci de que o momento certo para largar tudo e viajar estava diante dos meus olhos.

Então, o meu primeiro passaporte foi emitido. Eu tinha a opção de escolher entre, pelo menos, 144 países para visitar, sem precisar de um visto. Como eu vivia fora da casa dos meus pais desde os 13 anos de idade (quando comecei a trabalhar) eu me sentia independente e preparada. Eu poderia arrumar a mala a qualquer momento e simplesmente partir para qualquer destino.

O que eu não mencionei ainda é que eu não tinha dinheiro para isto. Pelo menos, eu pensava que não tinha. Tudo o que eu economizei nos oito anos anteriores haviam sido (bem ou mau) investidos em minha própria educação formal e usado para custear as minhas outras necessidades básicas. Eu nem mesmo tinha uma mala.

Como alguém poderia acreditar que eu estava pronta para viajar?

Por dentro, eu me sentia preparada

Eu estava decidida e não queria esperar mais um ano ou dois para colocar os meus pés em outra parte do planeta. Essa decisão foi tudo o que eu precisei para desenvolver paciência, trabalhar duro e guardar cada centavo para realizar o meu propósito.

Então, chegou o grande dia. Eu entrei na sala do meu diretor na empresa e disse que queria conversar sobre um assunto importante. Ele já veio me abordando: “Ah, eu já sei, você veio pedir demissão para viajar pelo mundo!”

Ele sabia, porque eu já havia mencionado sobre as minhas intenções no momento em que eu entrei na empresa.

Agora, eu me sentia ainda mais “preparada”.

Então, eu juntei todo o dinheiro da minha rescisão com os trocados que eu consegui acumular no banco. Comprei uma mala, uma passagem de ida de volta à Itália e um casaco para o frio. O troco eu levei no meu bolso.

Antes de partir, eu me reuni com os meus amigos para me despedir. Eles estavam curiosos: “Como você aprendeu italiano tão rápido”. Em inglês você é fluente, não é?” Eles continuavam: “Vai dar tudo certo, se não der você volta”. “Não se preocupe, você não tem nenhum compromisso por aqui”. “E não esquece de trazer um presente pra mim”.

Tudo o que eu pude dizer aos meus amigos naquele momento é que eles poderiam fazer o mesmo. Mas, parece que eles não acreditvram nisso. “Eu? Jamais!” “Eu não tenho dinheiro pra isso.” “Eu tenho tantas responsabilidades”. “Eu não posso deixar o meu namorado.” “Se eu não tivesse filhos, até poderia considerar a ideia, mas…” Parece que eu era a única que estava “ficando maluca” e que viajar definitivamente não é para todo mundo.

Seis meses depois de ouvir essas conversas pessoalmente, eu ainda vejo as mesmas desculpas por aqui e por ali. Basta passar algum tempo na linha do tempo dos meus velhos amigos no Facebook para notar que eles permanecem lá, reclamando e de braços cruzados e diante de tantas desculpas para não fazer as malas.

Enquanto eu já me sinto uma pessoa bem diferente daquela garota que deixou o Brasil apenas com uma mala, as desculpas que eu ainda vejo são basicamente as mesmas:

“Eu não posso deixar o meu trabalho”

A preocupação que muitos têm é que sair do trabalho para fazer uma viagem pode ser prejudicial para as suas carreiras.

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Claro que há os prós e contras nisso e é algo que só você pode pesar na sua vida, mas eu diria que há duas razões para cair na estrada: primeiro, a experiência internacional é cada vez mais atraente para os empregadores e, segundo, se você se aposentar aos 60 anos de idade e olhar para trás em sua vida, você ficaria mais feliz pensando que manteve o seu trabalho todo esse tempo ou que teve coragem de largá-lo para realizar seu sonho de viajar? A sua resposta depende das suas prioridades.

Eu abri mão de um emprego estável para viajar e não me arrependo. Talvez o mesmo aconteça com você. Talvez você tenha experiências incríveis na estrada, conheça muita gente bacana e depois retome à sua carreira assumindo ainda melhores oportunidades.

“Viajar sozinho é muito arriscado”

Você sonha em conhecer a Europa viajando de trem ou “mochilar” pela América do Sul, mas você não consegue convencer ninguém a ir com você, certo?

Essa é mais uma desculpa comum e, como a desculpa da falta de dinheiro, é uma razão bastante justa, mas não deve ser o suficiente para impedi-lo de viajar.

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Mais uma vez, existem várias soluções. A mais óbvia é a de “seguir carreira solo”, o que é uma experiência extremamente gratificante. Na verdade, não existe esse negócio de “viajar sozinho”, porque você facilmente vai se deparar com outros viajantes no caminho, com quem você poderia fazer planos para o restante da viagem.

A outra possibilidade é buscar online por um companheiro de viagem. Isso é algo que eu nunca tentei, mas há pessoas que tiveram sucesso com anúncios em sites e fóruns que têm um ramo inteiro dedicado a encontrar companheiros de viagem.

“Eu não sei falar outro idioma”

Muitas pessoas ficam completamente aterrorizadas ao pensar em uma viagem para um lugar onde não falam o idioma oficial.

É verdade que as coisas podem ficar complicadas se você está à procura da sua hospedagem e não consegue encontrar as palavras para pedir as direções para qualquer passeio. Ou, se você acabar tendo que comer alguns alimentos bizarros, simplesmente porque não entende o menu do restaurante. Ainda assim, eu percebo que os viajantes relutantes superestimam a importância de ser fluente em uma língua.

Há muitas soluções para esta questão. Se você pensar bem, perceberá que existem formas de se comunicar em qualquer idioma e que, mesmo mantendo apenas a nossa própria língua, você pode usar a comunicação não-verbal.

Se for preciso, você pode apontar para algo que outro cliente está comendo ao pedir o seu prato. Se estiver procurando a sua acomodação, você pode mostrar a alguém o endereço e eles podem indicar o caminho certo.

A melhor saída, no entanto, é tentar aprender um pouco da língua falada em seu destino e isso pode ser feito de graça e online, através de sites como o Duolingo. Sabendo apenas algumas palavras-chave, ou expressões comuns, e com a ajuda de um dicionário decente, você vai se sair bem. As dificuldades de comunicação se tornarão apenas mais algumas lembranças engraçadas depois da viagem.

Uma coisa é certa:

Ninguém é obrigado a conviver com a incerteza, com a falta de grana, com a distância da família. Mas, por favor, se você decidir que não consegue largar tudo, não arrume desculpas e nem culpe ninguém por isso. Apenas seja feliz com a sua decisão, olhe para o lado bom da sua vida, agradeça e entenda que você está onde está por escolha própria.

O que o mantêm com medo de fazer as malas? Compartilhe nos comentários!

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