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Como lidar com os medos mais comuns sobre uma gravidez

Poucos anos atrás, enquanto eu seguia na minha rotina no trabalho, recebi uma alegre notícia: a minha sobrinha Sara havia acabado de chegar ao mundo! Eu mal podia conter a ansiedade para conhecê-la e desejar para a nova mamãe que ela se recuperasse rapidamente para desfrutar desse milagre da vida.

No entanto, em meu subconsciente, o que eu mais sentia era angústia, apenas por imaginar como seria se o mesmo acontecesse comigo. Naquele momento, uma gravidez, definitivamente, não estava nos meus planos.

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Eu, como a maioria das jovens mulheres hoje em dia, temia a ideia de engravidar aos 20 e poucos anos de idade. Alguns desses medos eram maiores do que outros, mas, como alguém que sofre de ansiedade, tudo isso parecia assustador.

A minha reflexão me fez questionar “quantas mulheres têm esses medos, mas se sentem envergonhadas para discutir sobre eles?”

Acredito de todo o coração que cada vez que compartilhamos um medo, o controle que ele exerce sobre nós diminui. O peso dele se dispersa, tornando-o um pouco menos pesado e mais fácil de lidar.

É por isso que hoje eu quero compartilhar com vocês todos os medos que eu tive sobre engravidar.

Antes de começar, vou deixar bem claro — eu sei que alguns desses medos podem parecer triviais, ou mesmo egoístas. É justamente por isso que estou escrevendo este artigo, para sermos mais vulneráveis ao falar sobre o que sentimos.

Vamos à eles!

Medo de não engravidar no momento certo

Se você ainda não me conhece e essa é a sua primeira visita aqui no blog, vale dizer que eu sou mãe de uma menina linda de dois anos de idade e estou à espera de outra menina. Quer dizer que eu já estive grávida duas vezes e que nunca tive problemas de fertilidade.

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Antes dessas experiências, no entanto, eu temia que não seria fértil no momento em que eu me sentisse preparada para ser mãe. Eu também sabia que teria tempo e que isso poderia acontecer a qualquer momento nos próximos anos — se eu e meu companheiro fossemos biologicamente aptos, claro.

Tanto quanto eu não tinha planos de engravidar tão cedo (saiba que eu engravidei a primeira vez aos 24 anos de idade), eu sabia que, lá no fundo, o meu coração quebraria se eu não pudesse ser mãe um dia.

Talvez, eu tenha sentido esse temor por ver pessoas queridas para mim que ainda não puderam trazer ao mundo uma criança, por maiores que tenham sido os seus esforços.

Medo de náuseas, vômitos, desmaios, etc.

Não é comum que eu me sinta enjoada ou chegue a vomitar, mas, quando isso acontece, eu me sinto miserável e só quero passar o dia na minha cama.

Eu sei que isso seria um empecilho para me sentir produtiva no trabalho, e estes sintomas da gravidez eram o que eu realmente não estava disposta a experimentar.

Eu também temia os desmaios, um sintoma comum para as mulheres grávidas que sofrem com a pressão arterial baixa. Apenas pensar no que aconteceria se eu desmaiasse em algum lugar onde eu não receberia ajuda me deixava em pânico.

Medo da privação de sono

Antes mesmo da minha primeira gravidez, eu sabia que isso me deixaria incômoda para dormir, seja pelas dezenas de vezes que eu teria que levantar para fazer “pipi” à noite, ou pelo tamanho da barriga que não me deixaria dormir na posição mais confortável para mim (barriga para baixo).

Ah, isso sem falar do medo das noites sem dormir nas primeiras semanas com um bebê em casa!

Medo de sentir o meu corpo fora de controle

Eu sei que não posso controlar todas as coisas na minha vida — mas, eu sempre me senti bem em ter algum controle sobre o meu corpo. A capacidade de cuidar dele, alimentá-lo e definir limites a respeito dele me dava paz de espírito.

Quando você está grávida, a gravidez controla o seu corpo. Tudo se desenvolve a partir de suas emoções e do desenvolvimento biológico em si. Isso demandou alguns ajustes para mim.

Eu sei que a prioridade de qualquer gravidez é gerar um bebê saudável. Honestamente, quando eu soube da minha primeira gravidez, fiquei feliz com a ideia de poder “comer por dois”, enquanto eu não queria me tornar “gigante”.

O meu medo estava nas histórias de mulheres que ganharam mais de 30kg e sofreram por um longo período depois do parto para perder esse mesmo peso. Para referência, uma mulher de peso médio deve ganhar apenas cerca de 15kg.

Medo do que aconteceria com a minha carreira

Antes da minha primeira gravidez, eu tinha uma rotina de trabalho comum, das 8:00 às 18:00, sem falar do tempo que eu passava no trânsito.

Pensar que eu não poderia me dedicar a um filho tanto quanto eu gostaria, se eu quisesse manter a mesma rotina, me aterrorizava.

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Hoje eu vejo que a maioria das mulheres passam pelo mesmo temor quando necessitam ou desejam manter a mesma rotina. Já as que decidem dedicar-se integralmente à seus filhos logo depois do nascimento acabam sendo julgadas.

O que mais poderia complicar a minha decisão?

Medo dos hormônios afetarem a minha mente

No final da minha adolescência, eu fui diagnosticada com a síndrome da ansiedade. Como optei por não tomar medicamentos para controle, eu me senti vitoriosa por ter aprendido a lidar com essa situação por tantos anos.

E se eu fosse adicionar hormônios indisciplinados na mistura?

Isso poderia ser terrível!

Confesso que foi desafiador lidar com a minha ansiedade na gravidez, mas eu sobrevivi.

Medo de algo dar errado

Esse era o meu maior medo — o resto é superficial. Eu sabia que eu poderia lidar com os outros medos, mas, e se algo desse errado durante a gravidez?

Eu falhei inúmeras vezes na minha vida e tentei sempre pensar no fracasso como uma coisa boa — mas, dessa vez, se algo desse errado — seria o meu maior fracasso? Eu sentiria que não estava destinada a ter filhos e desistiria completamente?

Eu sei que estes são apenas pensamentos ansiosos e que os pensamentos podem mudar, evoluir e crescer. Mas, esses também são pensamentos que afligem outras mulheres.

O que funcionou para mim foi falar sobre os meus medos, para que eles não possam ganhar força no eco da minha mente.

Aqui está a verdade:

Apesar de alguns desses medos se manterem, mesmo depois de eu ter me tornado mãe, eu sei que posso lidar com eles. Eu sei que esses pensamentos não estão enraizados na realidade e que a gravidez é um estado temporário.

Se você está lidando com esses mesmos medos, fale com alguém sobre eles, porque você não está sozinha e nunca deve se sentir envergonhada.

Eu acredito que quando falamos sobre nossos medos diminuímos o efeito que eles provocam em nós mesmos. Eu também acredito que é importante pesquisar em fontes confiáveis sobre como funciona todo o processo da gravidez.

Finalmente, vale a pena obter apoio de pessoas queridas à medida que experimentamos essa transformadora experiência.

Se você está tentando engravidar, quais são os seus maiores medos? Compartilhe nos comentários abaixo.

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