Mais vida familiar

Cuidado — o amor à primeira vista acontece!

Era o dia 9 de maio de 2014, data do meu retorno ao Brasil, depois de passar uma semana na cidade de Houston, visitando a OTC (Offshore Technology Conference). O vôo duraria mais que dez horas até São Paulo, mas teve conexão em Bogotá, o que tornaria a viagem menos cansativa.

Quando a aeronave já se preparava para decolar, a comissária de bordo apareceu com um jovem que supostamente deveria sentar na direita da minha poltrona. Ele teve uma troca de assento o que justificava, ou não, o seu mau humor — e nem falou “olá”, muito menos se desculpou por esbarrar com a sua mochila em meu braço.

Foi assim que aquela viagem iniciou.

Em uma tentativa minha de tornar o vôo uma experiência menos desprazerosa, eu tentei ligar a televisão, que parecia não estar funcionando. Ele percebeu e logo tentou me ajudar. Esse foi o nosso primeiro contato amigável. Eu prontamente agradeci e esperei que ele dormisse para me levantar e usar o banheiro, apenas para evitar mais interações.

No retorno do banheiro, o mesmo passo cuidadoso que eu dei ao sair da poltrona não foi possível e eu tive que despertá-lo para voltar ao meu assento. Essa foi a nossa segunda interação, o início de uma conversa que se estendeu até o final da viagem.

Conversamos sobre a vida de expatriados (porque ele já vivia na África a quase cinco anos), sobre família, religião, comida, investimentos, tecnologia, trabalho, amigos e, por fim, da possibilidade de conciliar nossas férias de setembro com uma viagem ao Peru.

Ah! Sim, acho que eu não mencionei que ele é peruano e claro que seria ideal ter um “guia” para conhecer Macchu Picchu, um dos lugares que eu sempre sonhei visitar.

Trato feito.

Foi assim que nos despedimos no aeroporto de Bogotá. Eu, feliz com a ideia de finalmente conhecer Machu Picchu, enquanto ele, bem, eu não tinha ideia do que passava pela sua mente. Trocamos um abraço e ele seguiu para o hotel onde passaria a noite antes de encontrar com a família dele para duas semanas de férias no paradisíaco litoral colombiano.

Eu mal podia esperar para voltar ao trabalho na segunda-feira seguinte e compartilhar com toda a empresa os meus aprendizados durante aquela conferência em Houston. Então, eu abri o meu laptop e aí estava um email na caixa de entrada, com um remetente de nome familiar: Roberto Olivera. Eu apenas respondi agradecendo pelo contato, de forma gentil.

Inúmeros emails e poucas semanas depois, a correspondência que eu recebi dele dizia algo como: “Eu tenho uma mensagem que só posso te dizer pessoalmente”. No mesmo e-mail, ele propôs agendar um café comigo — em Joinville.

A sua vinda foi para pedir a minha mão em casamento. Eu disse sim. E em pouco mais de sete semanas, em Setembro, estaríamos nos casando na capital do Peru.

Eu falei de tudo isso apenas para te dar um pouco de contexto, porque acredito que não se pode nem mesmo pensar em amor à primeira vista sem entender se histórias como a minha podem realmente acontecer.

A verdade é que todos ouvimos histórias como a que eu acabo de descrever. Mais comum ainda é escutar o termo “amor à primeira vista”. Essa se trata de um ideal romântico (eu vi ele/ela e já sabia!), mas se trata muito mais do que isso.

Quem quer perder tempo com alguém que não te provoca borboletas no estômago?

Há outras vezes em que o fato de se apaixonar rapidamente faz parecer que você está atropelando as coisas. Afinal, “à primeira vista” não é muito tempo para avaliar se alguém seria ou não um bom parceiro para a vida.

E então, “à primeira vista” realmente funciona?

Eu não sei para você, mas eu respondo por mim: ABSOLUTAMENTE SIM.

É claro que cada situação, pessoa e experiência são 100% únicas. Não há uma regra ou um momento exato para determinar se você está se apaixonando muito rápido. No entanto, sabemos que o que começa rápido pode acabar rápido. Então, um relacionamento que decolou rapidamente tem maiores chances de terminar de uma hora para outra.

As pessoas mais velhas ou aquelas que estiveram ao redor de um bloqueio de relacionamento algumas vezes são mais propensas a saber o que querem e menos propensas a desperdiçar o tempo delas com alguém que não é adequado. Eu vi a minha história, que eu acabei de descrever, se replicar mais facilmente em casais com mais de 40 anos de idade.

Mas, o que dizer quando essa decisão acontece aos 20 e poucos anos de idade, assim como o que aconteceu comigo? Vamos culpar a internet mais uma vez?

Se você interagir com alguém uma vez por semana, por exemplo, levará mais tempo para descobrir se essa pessoa é a “pessoa certa”. Agora, se você interagir com alguém sete vezes por semana e as suas conversas incluem uma variedade de tópicos, você pode descobrir se essa é a pessoa certa em um curto período de tempo. Foi o que aconteceu comigo — Obrigada, internet!

Agora, se você está procurando alguém para te completar, se apaixonar muito rapidamente pode ser um desastre. A verdade é que a maioria de nós sente-se como se estivéssemos apaixonados imediatamente. Existe até uma razão científica para isso.

Escute o que diz a ciência — mas decida com o seu coração

A ciência explica muito: a oxitocina é responsável pelos efeitos psicológicos do relaxamento, confiança, vínculo, cuidados e estabilidade mental que ocorre em um relacionamento.

Por causa desse efeito químico em nosso organismo, nos sentimos seguros, adorados e profundamente protegidos com um novo parceiro. O mesmo vale para a dopamina, a resposta química que ativa a recompensa imediata e a excitação dos primeiros dias em que nos apaixonamos.

Quando essas respostas químicas se instalam depois dos primeiros dias de um encontro, a realidade também se instala e nós não conseguimos mais trazer aquelas borboletas para o nosso estômago.

É por isso que muitos casais se queixam de que seus relacionamentos se tornam mundanos e de que os seus sentimentos mudam ao longo do tempo. Pode ser que os sentimentos de amor não mudaram, mas “a química” em seus organismos sim.

Além do mais, apaixonar-se rápido apenas significa que você está emocionalmente disponível. Você é capaz de reconhecer seus sentimentos, articulá-los claramente e gerenciá-los adequadamente.

Quando você tem um conjunto claro de objetivos comuns no relacionamento, você sentirá a segurança emocional necessária para se apaixonar.

A verdade é que, quando você conhece a “pessoa certa”, basta começar a transmitir o amor profundo e genuíno que você esteve guardando por tanto tempo. Quando a conexão é inegável e autêntica, nunca se deve impedir o amor.

Tudo o que eu posso dizer agora é que se você se apaixonar rápido, pergunte-se sobre o que você está se apaixonando. Se é pela ideia de estar apaixonado por alguém, então você deve ter cuidado. Mas, se você se encontrar pensando naquela pessoa a todo momento, não ignore — talvez, você tenha encontrado o que está procurando.

Você já sentiu amor à primeira vista? Como foi a sua experiência? Compartilhe nos comentários!

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