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Dane-se marca pessoal — sou uma pessoa, não um produto

Da mesma maneira que eu coloco no meu perfil online do LinkedIn, eu repito aqui que eu sou um monte de coisas: escritora e editora freelance, autora, blogueira, esposa, mãe, millennial e candidata a um doutorado. Eu também sou uma chef de cozinha, atleta, leitora e apaixonada pela melhoria. Eu sou uma menina da roça com uma profunda apreciação pela cidade. Eu poderia ir além, mas acho que você já entendeu a mensagem.

Uma coisa que eu não sou? Um produto.

Por que eu, alguém que se considera especialista em marketing, estaria recomendando ignorar a sua marca pessoal?

Me ouça: acima de tudo, as pessoas estão cada vez mais bem informadas e sabem que o que elas vêem online é apenas a ponta do iceberg.

Ao contrário da Apple, BMW ou Coca-Cola, não sou um produto que pretende ser comprado.

Chocante, mas não estou à venda!

Photo by Yaroslav Blokhin on Unsplash
Não, eu não tenho nada a ver com a Coca-Cola!

Nunca fui alguém que se preocupou demais com o que os outros poderiam pensar

Mesmo que eu tenha mencionado neste próprio canal que eu tenho interesse em desenvolver a minha marca pessoal, como muitos especialistas recomendam, eu sempre achei que essa tarefa soava perigosa, a ponto de levar qualquer nova alternativa de carreira por água abaixo.

Mas, se eu não me auto definir, me auto promover e colocar um rótulo nas minhas capacidades, eu estou prejudicando as minhas chances de sucesso?

Eu passei a questionar sobre isso desde quando ouvi pela primeira vez na minha vida, lá no ano de 2009 nas minhas primeiras aulas de desenvolvimento pessoal na universidade, sobre a ideia infundada que eu sou apenas uma marca e que eu deveria me comportar como tal.

Segundo essa ideologia, eu não deveria apenas ser consistente dos meus elementos tangíveis (como a imagem, fala, etc), mas também em melhorar o que não se pode medir tão facilmente (como a minha personalidade, atitude e moral).

Eu desconfiei dessa ideologia, mas não foi nada fácil, porque evitar o pensamento popular costuma tomar muito mais esforço do que aceitar.

Quando eu olho para as pessoas com as quais eu estou conectada, aquelas que derramaram suor e lágrimas na construção de suas marcas pessoais, eu sigo cada vez mais certa de que uma marca é o que eu não sou

Aparentemente, essas pessoas fizeram tudo certo em termos de encontrar uma assinatura, uma voz original e um padrão reconhecível para seus fãs e clientes, mas nada disso, por si só, garantiu que elas tivessem um sucesso extraordinário.

Quão estranho é esse desejo de ter fãs apenas por ser uma versão polida de você? Se trata de persuadí-los com base nas fotos que você posta e na biografia de 160 caracteres que você concebeu para o seu perfil nas mídias sociais?

Quanto mais pessoas falam sobre marca pessoal, mais eu tenho que me perguntar se eu realmente preferiria ser conhecida como uma entidade consistente do que como uma pessoa, um ser humano, com pensamentos, sentimentos, emoções, valores e respostas adequadas para diferentes situações.

Além disso, segmentar um público de interesse e criar uma imagem para ele é altamente limitante, para não mencionar que é inevitavelmente chato.

Por mais que eu possa dizer que não me importo com minha presença online, eu me importo

Eu trabalho com as mídias digitais diariamente e seria uma tola para não investir no que aparece no meio digital quando você procura por mim.

Eu também tenho mais contas nas mídias sociais do que o número dessas mídias existentes há 15 anos, e eu gosto de usá-las. Como você provavelmente está, eu estou conectada constantemente.

Posso enviar links sobre as minhas publicações aqui no blog diretamente para o Facebook, Google+, LinkedIn, etc, e aprecio quando as pessoas “curtem” o conteúdo que eu crio, ou quando tomam seu tempo para comentar.

Mas nada disso faz de mim uma marca.

Tenho uma conta Instagram, e ela consiste principalmente em publicar minhas fotos com a família, em viagens ou os pratos que acabamos apreciando juntos. Nada disso se trata de ser consistente para atrair e seduzir um público alvo; é apenas quem eu sou.

Quando eu escrevo algo e mais tarde me arrependo, eu não entro em pânico por isso — porque quando você abandona a ideia de que você é um produto, também se livra da responsabilidade de que cada passo que você tome online deva contribuir ou possa ferir a reputação da sua marca.

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Eu definitivamente não vivo para o Instagram!

Eu não estou dizendo que a sua presença online não seja importante, especialmente, porque estamos no século 21 e as chances são de que a sua próxima oportunidade profissional será definida pela sua presença no meio digital, seja por meio de buscas de seus clientes ou contratantes, ou da validação de quem você é.

Então, sim, você deve prestar atenção aos resultados do Google sobre você e sobre como a sua vida está sendo exposta nas mídias sociais. Agora, nada disso se trata de agir como se você fosse um mero produto.

Pelo menos, eu não quero gastar a minha energia coletando 5.000 seguidores apenas para o Twitter e eu não quero conduzir a minha vida apenas para contribuir com o fortalecimento da minha marca pessoal.

O que estou fazendo é repensar o significado da minha presença 

Você também não precisa desativar as suas contas nas mídias sociais, mas lembre-se de que você é melhor do que uma foto de LinkedIn perfeitamente iluminada e profissional, você provavelmente é mais esperto do que o seu Instagram revela, e você pode ser mais bem sucedido que a biografia em seu site pessoal.

Seus “resultados de busca” no Google são uma pequena amostra de quem você é e não a soma da sua vida ou carreira.

Esqueça toda essa “embalagem” e fiquei com quem você é, com a sua história. E, se um futuro gerente de contratação não gosta do que ele ou ela vê? Oras, existem milhares de outros indivíduos que se encaixariam no que eles estão buscando!

Eu continuarei a ter uma presença online e provavelmente vou ficar animada quando alguém comentar sobre o que eu escrevi. Talvez, ao me manter conectada, eu acabe fortalecendo a minha identidade. Certamente, como escritora, eu quero que meu trabalho transmita quem eu sou.

No entanto, nada do que eu diga, faça ou publique online será um esforço para me transformar em um produto. Nada disso é para nenhum site, gerente de contratação ou base de fãs em potencial. Posso promover meus artigos e publicar fotos lindas, e você pode argumentar que tudo isso contribui para a minha marca. Pode ser, mas eu não estou à venda.

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