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Deixe para depois — quando a procrastinação é uma coisa boa

A palavra em comum no dicionário de qualquer millennial — seja ele inglês, francês, paraguaio ou japonês — é a procrastinação, ou qualquer sinônimo dela. Todos já passamor por isso, antes mesmo de ingressar no mercado de trabalho. Quando tínhamos um prazo para entregar um projeto de pesquisa, seguíamos dizendo: “Vou fazer apenas isso antes de começar a escrever”. 

Eu iria tão longe quanto para dizer que, estatisticamente, se você estiver lendo este artigo neste momento, você está procrastinando. Eu mesma estou procrastinando ao escrever isto.

Eu deveria estar preparando as minhas aulas de português, onde eu ensino o básico do meu idioma para os meus alunos de uma escola de idiomas em Chennai. De alguma forma, o fato de eu saber que tenho que fazer algo me dá um desejo súbito e louco de fazer qualquer outra coisa.

Isso me leva ao ponto principal deste artigo — assim que você procura algo construtivo para fazer, em vez do que você “deve” estar fazendo, a sua mente é forçada a se manter aberta.

Você pode sentar-se lutando contra a urgência, olhando para uma parede enquanto tenta forçar a sua mente a um estado de motivação, ou você pode abraçar o seu desejo de procrastinar e permitir que ele o leve para outro mundo.

No entanto, muitas das melhores coisas que eu já fiz aconteceram enquanto eu procrastinava por algo a mais do que aquilo que eu “deveria” estar fazendo.

Meu exemplo favorito é quando eu estava tentando começar a escrever um artigo sobre logística reversa na época da faculdade. Antes de começar, eu dizia: “Eu vou dar mais uma espiada rápida no Orkut” (Lembra que exisitia uma rede social com esse nome?). Eu seguia, “talvez, um ou dois minutinhos a mais”.

Os dois minutinhos se inflavam até o momento em que eu chegava a dizer: “Basta! Eu deveria começar a trabalhar agora”. “Mas antes que eu faça, vou dar uma olhada neste artigo que o meu amigo compartilhou, porque talvez tenha alguma relação com o que eu vou escrever”. Não tinha nada a ver. “Acho que agora sim eu devia começar a trabalhar”.

Eu abria uma nova página no Word para começar a escrever e pensava comigo: “Na verdade, talvez eu simplesmente não consegui interpretar aquele artigo”. “Vou enviar uma mensagem ao meu amigo perguntando-lhe se ele sabe algo sobre o tema que eu devo escrever”. Com a página do Word em branco, eu estava realmente prestes a começar, mas eu me esquivei para escrever primeiro a mensagem ao meu amigo.

Quando eu estava a ponto de enviar a mensagem, eu olhei para a página em branco do Word, aberta bem na minha frente. Tão aberta como a boca de um crocodilo esperando para abocanhar a minha tarde de sol, mais ou menos assim: “Munch, munch, munch. Glup!” Desviando os meus olhos com um leve tremor, eu pensei para mim mesma “talvez, em vez de fazer isso, eu deveria passar algum tempo no LinkedIn”.

Depois de escrever uma longa postagem sobre o por quê eu acho que o curso de marketing deveria dar mais enfoque a outros tópicos mais criativos e menos ênfase nos processos de logística, eu finalmente aceitei que não podia mais justificar a minha procrastinação. Eu deveria iniciar o meu trabalho de uma vez por todas.

Poucos minutos depois, ao verificar os meus e-mails e mais uma vez a linha do tempo do Orkut, eu notei que havia acabado de receber uma oferta de trabalho por meio de um dos meus contatos do LinkedIn.

Então, eu fechei a página do Word em branco e, simplesmente, esqueci por um tempo sobre o prazo de entrega daquele artigo. Quando o mesmo prazo se aproximou, eu passei dias dedicada a escrever tudo o que eu sabia sobre logística reversa. Antes tarde do que nunca, eu entreguei um trabalho original e bem escrito.

Esse momento de procrastinação, em que eu quis evitar o que eu deveria fazer, foi um dos momentos-chave para a minha vida.

O final da história é que no mês seguinte, depois de procrastinar horas no meu trabalho da universidade, eu estava em um novo emprego, muito mais desafiador e criativo do que o que eu possuía anteriormente.

Mais do que isso, depois de um tempo, eu tinha um emprego que eu gostava e um diploma, ao invés de apenas um diploma e um problema de pescoço por passar tempo demais olhando para as mídias sociais.

O que eu aprendi com isto?

Não lute contra a procrastinação — em vez disso, seja o seu aliado

Em um livro de Frank Partnoy, intitulado “WAIT: The Art and Science of Delay, o autor exemplifica a procrastinação positiva com a limpeza da sua casa, a leitura de artigos, o contato com amigos que você não fala há muito tempo; e a procrastinação negativa como o  tempo demaisnas mídias sociais ou jogando vídeo game.

O meu argumento é que, como millennial e estudante, a luta contra a procrastinação é impossível — de uma forma ou de outra, ela sempre ganhará.

O que é possível, e vale a pena, é abraçar a procrastinação positiva e, assim, abrir a sua mente para uma série de atividades construtivas que você não faria do contrário.

Depois de chegar no mercado de trabalho, a procrastinação pode não ser mais uma opção para você. Geralmente, há uma mensagem clara: “faça isso até a semana que vem, ou faremos da sua vida um inferno”. Ninguém pode entregar algo com dias de atraso e ter a chance de fazer uma “recuperação”.

Mas, de uma maneira ou de outra, você ainda vai procrastinar.

Não há como negar que ter que definir seus próprios prazos é uma experiência inestimável de maturidade e que, se você procrastinar ao extremo, você provavelmente terá uma colisão nervosa. No entanto, há um equilíbrio saudável que você deve procurar, no qual você procrastina do jeito certo.

Cabe a você desbravar as oportunidades de desfrutar das coisas boas que a procrastinação pode colocar no seu prato.

Você concorda que a procrastinação pode ser uma coisa boa? Compartilhe seu ponto de vista abaixo.

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