Mais vida familiar

Em defesa das mães que trabalham fora

Após o nascimento da minha primeira filha, um membro da minha família me perguntou se eu planejava voltar ao meu trabalho logo depois do parto. “Ah, claro que sim!”, eu respondi com entusiasmo. “Eu mal posso esperar!” Então, ele me disse: “mas e a sua filha, você não vai sentir falta dela?”

Saltando sobre a montanha de sentimentos que eu estava sentindo naquele momento, vou logo te dizendo que as coisas não aconteceram como estavam nos meus planos.

Logo depois do nascimento da minha filha, eu acabei mudando de país, mais uma vez acompanhando o meu esposo, e as chances de voltar ao mercado de trabalho sem ao menos dominar o novo idioma eram bastante remotas.

Então, se você está se perguntando por que eu admiro tanto as mães que decidem manter o seu trabalho depois da maternidade, aqui estão os meus motivos:

Elas têm uma diferente definição de equilíbrio

Não existe tal coisa como equilíbrio perfeito entre vida e trabalho para as mães profissionais. A realidade?

Muitas comem uma barra de proteína para o café da manhã no carro, praticam exercícios na hora do almoço e correm para casa no final do dia a tempo de brincar com seus filhos, enquanto comem pizza para o jantar e dobram a roupa.

Se você não sabe, elas dominam a capacidade de ser multitarefa, por bem ou por mal.

Em alguns dias, elas conseguem fazer malabarismos com várias bolas no ar, sem falhas. Em outros dias, essas bolas figurativas caem e elas também, até que possam recomeçar na manhã seguinte.

Eu me orgulho dessa habilidade, porque trabalhar em tempo integral não é brincadeira, muito menos a maternidade.

Eu me sinto realizada e segura sabendo que estou fazendo o meu melhor em diferentes áreas da minha vida, assim como fazem as mães que trabalham fora.

[RELACIONADO] O que faz de você uma mãe millennial?

Elas têm prioridades familiares e de carreira

Algumas mães têm a sorte de trabalhar para uma empresa que valoriza a vida familiar em conjunto com o crescimento de suas carreiras, o que significa que elas não precisam ter medo de colocar seus filhos primeiro quando necessário.

Elas sabem quando devem intensificar seus esforços no trabalho e, às vezes, isso resulta em madrugadas trabalhando, noites até tarde e horas roubadas dos finais de semana.

Em alguns ambientes de trabalho, a vibração é diferente: você deve deixar seu chapéu de mãe em casa e ativá-lo como empregado, enquanto desenha uma linha rígida entre os dois.

Mas, à medida que mais organizações vêem o valor de apoiar as mulheres através do crescimento profissional e da maternidade, mais mulheres se sentem confortáveis priorizando as duas responsabilidades ao mesmo tempo.

Photo by Daiga Ellaby on Unsplash

Ser uma mãe que trabalha fora, na minha opinião, significa que você nunca poderá dar 100% a todos os aspectos da sua vida de uma só vez. No entanto, elas podem obter uma enorme satisfação em escrever um discurso profissional da mesma maneira que se enchem de alegria ao assistir seus filhos darem os primeiros passos.

Para mim, também não existe uma ou outra coisa que seja a mais importante, quando se trata de dois aspectos valiosos em minha vida.

A carreira e a família são prioridades para mães que trabalham, e é bom saber que estamos começando a perceber isso.

Elas trabalham sabendo que esse é um privilégio

Elas podem ter um trabalho fantástico, horários flexíveis, colegas que as suportam e uma carreira promissora.

Elas também podem ter amigos e familiares para se apoiarem, uma boa casa para viver, cuidados de saúde e renda suficiente para comprar o que precisam, incluindo cuidados infantis de qualidade.

O sentimento de privilégio destas mulheres surge quando elas reconhecem que esse não é o caso de todas as mães que trabalham.

Pense nas mães solteiras, cuidando de famílias numerosas, enquanto manipulam três empregos de meio período. Essas mães são as que literalmente não têm escolha senão trabalhar.

Pense também nas mães que desejavam desesperadamente poder ficar em casa com seus bebês o dia todo, mas, em vez disso, estão amarradas em uma mesa de trabalho que odeiam.

Muitas vezes, trabalhar em tempo integral é longe de ter sido uma decisão. Por isso também eu tenho orgulho das mães que trabalham fora.

[RELACIONADO] Maternidade ou carreira — a difícil decisão feminina aos 20 e poucos anos de idade

Elas têm o direito de se apaixonar por algo a mais

Quando as pessoas perguntam como é ser uma mãe que trabalha, isso tende a ser uma versão mais passiva de “ah, então você gosta mais do seu trabalho do que do seu bebê?”

Claro que em alguns dias o trabalho pode ser mais fácil do que a maternidade.

Em seus trabalhos, as mães sabem o que esperar. Elas se sentem produtivas, úteis e competentes. Em casa, por sua vez, ainda que elas façam todas as coisas certas (deixar a criança de barriga cheia, fralda limpa, em uma cama aconchegante, etc), as crianças podem deixar qualquer mãe desejando pedir demissão.

No entanto, elas sabem que podem se apaixonar pelos dois.

Photo by Daiga Ellaby on Unsplash

A paixão provoca reações  fortes que nem sempre são um mar de rosas. Nenhum desses papéis é fácil, mas há uma grande recompensa em seguir seus sonhos enquanto colabora para a criação de outro ser humano.

Elas sabem compartilhar e pedir ajuda

O título de “mãe” é bastante semelhante ao de “gerente” — você apenas trabalha para duas equipes diferentes.

Fazer ambos os trabalhos é um lembrete de que a gestão de uma casa não é muito diferente de supervisionar uma equipe.

Significa que as mães devem ser 100% responsáveis pela culinária, limpeza, organização, planejamento, alimentação, mas isso é tão injusto quanto falso. Imagine se o seu chefe fizesse TODOS os trabalhos, ou se você quisesse liderar cada projeto.

No trabalho, você precisa de outras pessoas para desenvolver um processo criativo, cumprir prazos e executar uma estratégia. Então, por que pensamos constantemente que as mães deveriam fazer tudo sozinhas?

As mães que trabalham aprendem a apreciar quando seus companheiros oferecem ajuda, e o mesmo acontece comigo na minha casa. Nós dois fazemos a nossa parte e isso torna o trabalho e a maternidade um pouco menos difícil.

[RELACIONADO] Por que ser mãe em tempo integral não é o pior trabalho do mundo

Elas reconhecem a importância de seus valores

Não importa a sua escolha como mãe — trabalhar fora, não trabalhar, trabalhar a tempo parcial, trabalhar de casa — seja o que for, você pode seguir transmitindo os seus valores para seus filhos de muitas maneiras diferentes.

As mães que trabalham não têm inseguranças sobre trabalhar em tempo integral e sabem a importância de estar presentes durante as horas que estão com os seus filhos. Enquanto fazem isso, elas ensinam às crianças valores como a diligência, a dedicação e o trabalho duro.

À medida que seus filhos crescem, elas se dedicam para criar uma vida familiar sólida.

Assim como essas mulheres, eu estou trabalhando para ser capaz de transmitir o melhor de mim, em todos os meus papéis.

Você é mãe e também trabalha fora de casa? O que você aprendeu com a sua experiência? Compartilhe nos comentários abaixo!

Deixe um comentário