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Mestrado — quando desistir não é uma opção

Eu sempre tive vontade de dar continuidade aos meus estudos e encontrei no mestrado uma forma de fazer isso. Acontece que ultimamente eu estive pensando muito em desistir do curso e então dedicar o meu tempo a outras tarefas que poderiam me trazer mais satisfação pessoal.

Mas, espera aí!

Foi esta a razão principal pela qual eu iniciei o mestrado no último ano: busca de satisfação pessoal. Como eu poderia duvidar tão rápido das minhas escolhas?

Quando iniciei o curso, eu havia acabado de chegar em Joanesburgo, pouco depois de conhecer o meu esposo que já morava por lá a alguns anos.

Eu poderia ter me dedicado a tantas outras coisas, um curso de artes manuais, aulas de ioga, corridas de longa distância, mais tempo com as amigas, etc. Só o que eu não poderia, ou seria vagamente provável, é que eu conseguisse um trabalho formal. Então, eu optei pelo mestrado.

No momento que iniciei eu já previa o nível do desafio que eu estava assumindo. Só o que eu não poderia prever é que em todas as outras esferas da minha vida eu iria me deparar com tantos outros desafios e mudanças.

Photo by Gaelle Marcel on Unsplash

Lembro bem das longas tardes que eu passei pesquisando e redigindo o conteúdo da minha proposta de pesquisa, que consistia apenas no primeiro módulo do curso. Ao mesmo tempo, eu via a minha barriga crescer — sim, eu também estava grávida — e só consegui finalizar o primeiro passo do mestrado pouco antes do nascimento da minha filha.

Foi também neste mesmo período que eu soube que o meu marido seria realocado de volta ao seu país: o Peru. Em menos de um mês depois disso, já estávamos arrumamos as malas para construir o nosso novo lar em Lima.

Chegando em Lima, tantas coisas passavam pela minha mente que eu nem considerava retomar as pesquisas e dar continuidade ao meu curso. Mas, chegou o momento de reconsiderar o desafio que assumi.

Afinal, desistir é sempre uma alternativa, mas nada me deixaria mais frustrada.

Claro que eu poderia ter mais tempo para mim e para a minha família caso eu desistisse de estudar. Porém, mais do que nunca eu vejo que preciso servir de exemplo.

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Logo, logo seria a minha filha que estará iniciando a sua vida acadêmica. Ela poderia encontrar inspiração de diferentes maneiras e por meio de inúmeras pessoas, mas eu queria assumir esse papel de ser quem ela possa se espelhar um dia.

A outra razão pela qual desistir não é uma opção para mim tem a ver com o investimento que eu já fiz. Eu investi tempo e dinheiro nessa escolha e presumo uma grande despesa se eu abandonar o curso agora. Talvez Steve Jobs ou tantos outros que abandonaram as salas de aula poderiam discordar, mas essa é uma decisão pessoal.

Agora, se alguém me pedir um conselho eu diria: não pare!

Apesar da dor e do sofrimento que você possa estar sentindo, eu não aconselho deixar um programa de pós-graduação, especialmente em uma disciplina profissional.

Existem algumas exceções, claro. Você está apenas no primeiro semestre e se sente miserável? Você está no ponto onde pode obter o mestrado de consolação em vez do Phd? Esses são casos em que eu posso aconselhá-lo de forma diferente.

Do contrário, persista, termine o curso. Por que?

Aqui está uma coisa que você deve considerar, a pós-graduação e os programas profissionais não são como diplomas de graduação. Eles são  projetados para prepará-lo para uma opção profissional específica (médico, advogado, acadêmico, cientista), e completar apenas parte de um diploma de pós-graduação não conta para o seu avanço na sua carreira.

O valor principal em um grau de graduação é geralmente a credencial, a autenticação que lhe permite praticar em um campo particular. Você pode estar recebendo muitas outras coisas importantes do seu curso, mas você só maximizará o valor do diploma se você terminá-lo.

Outro ponto é que um programa de especialização é geralmente caro. E você não poderá ver o benefício que lhe permitirá equilibrar esse custo, a menos que você o termine.

Eu sei que você pode sentir uma sensação de desespero quando pensa em mais dois anos “nessa coisa”, ou “como eu vou fazer isso pelo resto da minha vida?”. Então, vá em frente e faça uma xícara de chá, abrace-se no sofá, tenha um bom choro e depois siga em frente.

Você tem opções.

Há muitas maneiras de terminar o seu programa sem desistir 

Considere questionar-se:

O que você pode fazer em sua vida pessoal que facilitará a sua situação? Você pode fazer algum trabalho freelance para ajudar com sua renda ou soltar esse projeto de pesquisa extra para ter mais tempo? Você pode reestruturar ou criar tempo em sua agenda para uma prática de exercícios regulares, uma aula de ioga ou uma leitura não relacionada com o curso?

Photo by Jacalyn Beales on Unsplash

Em seguida, pense sobre a estrutura do seu próprio programa. Existem opções dentro dele que você poderia mudar? Você pode seguir em tempo parcial em vez de tempo integral, ou empurrar a entrega final da sua dissertação? Teria sentido mudar de universidade ou mudar de programa? Você poderia apenas dar uma pausa?

Depois de ter analisado a sua vida pessoal e ter algumas ideias, consulte o seu mentor.

Questione, explore as opções e veja onde essa conversa te leva.

Não importa onde você esteja, você ainda deve terminar

Se você se encontrar em um programa de mestrado e perceber que não tem interesse em continuar, você ainda pode conseguir esse grau e fazer outras coisas com isso. Mas, você não terá tantas opções se você não terminar.

Enquanto você segue à diante, busque apoio, seja de conselheiros de carreira ou de outros profissionais que passaram por experiências parecidas com a sua.

Eu diria o mesmo se você estiver fazendo qualquer outro programa, seja uma pós, doutorado, etc. As opções de carreira podem ser grandes, mas ainda maiores se você terminar o programa.

Você não precisa continuar fazendo exatamente o que faz pelo resto da vida, eu prometo. Você tem opções, mas desistir não é uma delas.

Você concorda com este ponto de vista? A sua opinião será bem-vinda nos comentários!

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