Mais liberdade

O que aconteceria se todos fôssemos “home officers”

Talvez, você já seja um “home officer” e não saiba. Ou, o modelo de “home office” te atrai, mas você não enxerga como essa forma de trabalho poderia ser aplicada na sua realidade. Ainda, é possível que você já tenha ouvido falar desses termos, mas não entende bem como funciona, e por isso o título desse artigo te chamou a atenção.

Eu não sei qual dos casos acima é o seu. Mas, me alegra ver o seu interesse, pelo simples fato de que ao ser um buscador de informação na internet, você está incentivando a demanda e empurrando a tendência de uma crescente formação de profissionais do meio digital, os criadores de conteúdo, que muitas vezes são home officers.

Agora, antes que você fique confuso e pense que para trabalhar de casa você deve necessariamente criar conteúdo online,  não é bem assim. O modelo de trabalho home office se aplica para uma gama crescente e bem distribuída de áreas profissionais e esse conceito está tornando obsoleta a necessidade um local de trabalho fixo.

O trabalho é algo que você faz, não um lugar para você ir

Se você é como eu e gosta de definições claras, entenda home office como algo a mais do que trabalhar em casa. Home office é a ideia de trabalhar de onde quer que você esteja.

Para provar a você que a tendência ao home office está se acelerando, aqui estão os principais fatores que eu acredito que estejam influenciando isso:

  • Tecnologia

Qualquer pessoa, cujas ferramentas de trabalho primárias são um computador e um telefone, pode se tornar um trabalhador móvel (ou, um home officer, para ser coerente ao termo). Os avanços de software tornam fácil para os empregadores verificar remotamente se o trabalho está sendo feito.

  • Economia de custos

As empresas podem reduzir drasticamente os seus custos ao manter a sua força de trabalho fora do escritório por, pelo menos, algumas vezes por semana. A economia pode incluir desde o aluguel do espaço de trabalho, eletricidade, manutenção, até taxas e impostos.

  • Um número crescente de trabalhadores temporários

Um número cada vez maior de empregadores conta com empregados contratados, freelancers e até mesmo trabalhadores a tempo parcial — que são menos propensos a ter espaços de trabalho em uma empresa.

  • Influência da nossa geração

Millennials como eu (e provavelmente você) não possuem fortes lembranças de um mundo antes da internet. Nos tempos de faculdade, as nossas visitas à biblioteca já eram primariamente virtuais. Por isso, os jovens trabalhadores não vinculam a atividade do trabalho com um local específico.

[RELACIONADO] Como a nossa geração está redefinindo o sucesso

Para quem pensa que home office se trata de passar o dia em pijamas na frente de um computador, vale a pena conhecer melhor essa modalidade de trabalho para entender melhor quais são as suas reais vantagens.

Algumas das vantagens de ser um “home officer”

  • Os trabalhadores economizam tempo e dinheiro na locomoção, causando menos prejuízo para o meio ambiente;
  • As pessoas que trabalham em casa são mais produtivas e tendem a continuar trabalhando mesmo estando doentes;
  • O modelo de trabalho oferece um cronograma mais flexível promovendo mais equilíbrio entre trabalho e família.

O que pode ser visto como desvantagem

Alguns especialistas dizem que as supostas vantagens do modelo de trabalho home office, especialmente a ideia de um melhor equilíbrio entre trabalho e família, são exageradas. A exigência de que você esteja disponível 24/7 realmente prejudica o equilíbrio entre o trabalho e a vida, porque a tecnologia da comunicação se torna impossível evitar.

Este argumento também defende que ainda existe um pequeno grupo de trabalhadores para o qual o modelo home office funciona — os gerentes e profissionais especializados. Para o resto da força de trabalho, o home office está se tornando outra maneira para os empregadores imporem encargos adicionais como condição de emprego.

O problema parece estar em aplicar o mesmo modelo para funcionários de baixa e média renda, a exemplo dos operadores de call center. Muitas vezes, estes trabalhadores não têm acesso a um ambiente adequado para o trabalho. Muitas vezes, eles não têm uma conexão de internet de alta velocidade, ou um espaço de trabalho dedicado.

Para muitas pessoas, o local de trabalho é a principal via de sociabilidade. É aí que eles fazem amigos; aí que eles fazem contatos para outros trabalhos; aí que eles conseguem treinamento de habilidades. Quando eliminamos isso, estamos sufocando a capacidade de se conectar com outras pessoas e de compartilhar os seus conhecimentos e experiências.

O problema não é apenas o fato de que home officers podem se sentir mais solitários. Eles também podem ficar distraídos quando percebem que a lavanderia está cheia de roupa suja, ou as crianças estão destruindo a casa, ou se engajam em qualquer outra forma de distração. Os mesmos trabalhadores podem se encontrar trabalhando sem intervalo para o almoço, porque simplesmente não existe o mesmo fluxo de trabalho do escritório.

Por que, então, home office está se tornando mais popular? 

A resposta é lógica: as empresas querem economizar dinheiro e os empregados querem flexibilidade. Ótimo seria se ambos pudessem obter o que desejam.

Fica claro que os programas de “home office” devem ser bem pensados para funcionarem. Antes de implementar essa modalidade de trabalho é preciso refletir sobre estes questionamentos: “Os trabalhadores estão preparados e interessados em trabalhar remotamente?” “E os gerentes, eles estão prontos para gerenciar este modelo?” Em muitos casos, a resposta é não.

Mas, se a resposta às perguntas anteriores for positiva, as estratégias de implementação ainda podem ser desenvolvidas se forem bem pensadas e se os gerentes forem capazes de aliviar o medo que os funcionários têm sobre o novo modelo.

A partir disto, dentro de qualquer equipe, podem existir funcionários trabalhando remotamente alguns dias por semana e alguns indo ao escritório todos os dias. Essa opção, na minha opinião, nunca deve ser permanente, mas renovável, em intervalos pré-definidos, já que devem ser avaliados os benefícios reais para todos.

Quando se trata de lidar com a solidão que o modelo home office pode trazer, os espaços de “co-trabalho” podem ser uma solução. Estou falando de cafés, salas dedicadas a isso ou qualquer ambiente onde diferentes home officers poderiam dedicar seus dias para o trabalho remoto.

A ideia é que eles possam interagir e colaborar entre si. Enquanto o “co-trabalho” pode satisfazer a demanda por interação e colaboração, encontrar um modelo destes que funciona é difícil.

Lugares que funcionam, com frequência, têm espaços bem desenhados que promovem a interação. No entanto, estes lugares geralmente estão no centro da cidade ou em bairros modernos onde o custo tende a ser mais caro.

Além disso, as empresas que tentam reduzir os custos imobiliários não estão entusiasmadas em pagar por espaços de “co-trabalho”, enquanto freelancers e contratados podem não possuir os recursos para isso.

O destino de tais espaços e sua interrelação com o home office oferecem apenas uma das faces do grande desafio em aplicar essa tendência.

Parece que, se já nos tornamos home officers ou não é apenas uma questão de tempo. Eu tenho esperanças que isto funcione. Mas, talvez, eu esteja enganada e este modelo de trabalho pode realmente não vingar.

Você acha que vale a pena investir nessa modalidade de trabalho? Compartilhe nos comentários as suas razões!

One comment

Deixe um comentário