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O que eu aprendi lidando com a minha própria compulsão alimentar

Nada aquece mais o meu coração do que o delicioso sabor de um pão caseiro saindo do forno, ou o cheiro dos deliciosos waffles que a minha mãe fazia na minha infância, mas esse sentimento terno que eu tenho por esse tipo de alimentos teve altas e baixas. Como em todo relacionamento, por vezes eu sentia amor e ódio por mim mesma e pelo que eu acabava comendo.

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Se admitimos isso ou não, o relacionamento que construímos com os nossos alimentos também determina o nosso nível de produtividade, de humor e de energia.

Quando eu era uma jovem estudante, eu cheguei a um ponto crítico na minha relação com a comida. Além de trabalhar em tempo integral e fazer malabarismos para chegar à tempo na universidade no final do dia, eu me dedicava para pagar as contas oriundas do estilo de vida que eu levava — moradia, transporte, alimentação, mensalidades, etc.

Poucos perguntaram como eu fazia para gerenciar tudo, mas esse não é o ponto. Devido aos meus horários e metas insanas, os meus hábitos alimentares começaram a sofrer.

Como eu precisava economizar dinheiro para custear o meu estilo de vida e me manter na universidade, eu comia apenas o que poderia pagar — sem nunca considerar a carga nutricional — pães, biscoitos, etc. Ah, eu mencionei o excesso de café?

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Dentro de poucos meses levando esse estilo de vida, eu fui diagnosticada com gastrite nervosa e sintomas de anorexia. Os médicos me recomendaram a diminuir a velocidade e dar mais atenção para a minha alimentação.

Felizmente, eu reconheci que precisava de ajuda e busquei aconselhamento nutricional. Mas, o meu processo de cura não aconteceu da noite para o dia. Foram necessários anos de dedicação e mudanças graduais nos meus hábitos alimentares.

Com o passar do tempo, eu percebi que o meu bem-estar não se limitava a exercitar certos rituais, nem mesmo à preparação das minhas refeições — isso apenas se tratava da superfície. Eu também precisava de mudanças em outros aspectos: relacionamentos pessoais, gerenciamento do estresse, saúde mental e emocional, e assim por diante.

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Com base no que eu aprendi enquanto eu me recuperava de um relacionamento insalubre com a comida, eu deixo aqui estão alguns pontos-chave que me ajudaram:

Comer saudável é um processo gradual e não imediato

Ao decidir fazer melhores escolhas alimentares, não vale cortar imediatamente tudo o que costumamos comer. Digamos que o refrigerante tenha sido a sua bebida favorita por anos. Então, comece a consumir menos, até que a bebida seja completamente eliminada.

O corpo experimenta grandes níveis de estresse quando se trata ​​de mudanças de hábitos alimentares, então devemos pensar duas vezes antes de fazer mudanças drásticas.

Lembro-me de um dia acordar e decidir que eu deveria comer apenas ovos cozidos no café da manhã, em vez de pão e café. Adivinha o que aconteceu?

Eu me senti mal. Em vez de a nova alimentação me dar mais energia, comecei a sentir náuseas e fadiga.

Quando o corpo é acostumado com um determinado estilo de vida, levará um certo tempo para reestruturar novos padrões.

A saúde mental é um componente chave da alimentação equilibrada

Nossa mente está voando durante a semana. Entre inúmeras tarefas e compromissos, o nosso cérebro experimenta estresse a todo momento. Tirar uma pausa apenas relaxar, sem distrações, é crucial.

Aprender a dizer “não” também é extremamente necessário. Para quem lida com pessoas diariamente, pode ser difícil rejeitar convites ou recusar certos compromissos, mas isso deve se tornar uma prioridade se buscamos equilíbrio.

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A melhor maneira de ajudar as pessoas é oferecendo a melhor versão de nós mesmos e, se não pudermos fazer isso, é porque não estamos tendo tempo de investir nisso (em nós mesmos).

Com isso em mente, faça um novo cronograma para a sua rotina e deixe espaço para se desconectar de tudo por algum tempo. Não há nada de errado em descansar a mente, ao contrário.

Exercício físico deve ser feito porque você ama o seu corpo, não porque o odeia

Muitas vezes, o exercício é associado à perda de peso e à mudança das nossas características físicas, o que vem com motivos superficiais que estão longe de nos manter motivados. Isso raramente funciona. Eu diria que é hora de assumir o corpo que temos! Ele merece ser amado por cada gordurinha extra, ruga ou imperfeição.

O exercício é simplesmente uma maneira de mostrar esse amor por nós mesmos, porque merecemos ter um corpo saudável e nos sentirmos bem em nossa própria pele.

Mesmo que nos exercitar possa parecer intimidante no começo, todos nós temos que começar em algum lugar.

Podemos começar com uma intensidade menor, fazendo uma caminhada pelo parque todos os dias após o trabalho, por exemplo. Essa pode ser uma forma incrível de aliviar o estresse e também de se conectar com a natureza.

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Os relacionamentos que escolhemos determinam a vida que vivemos

Nunca pensei em relacionamentos como uma parte central da minha saúde, mas eles nos afetam mais do que possamos reconhecer. Os relacionamentos afetam nossas decisões, nossos hábitos e, às vezes, nossa autoconfiança.

De membros da família a outros entes queridos, é importante nos cercar de pessoas que nos motivam a ser melhores.

Se há colegas que oferecem incentivo e apoio, mantenha-os ao seu redor. Eles são os que fazem do mundo um lugar melhor com suas mentalidades, e você naturalmente será influenciado.

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Pense nisto: não fomos feitos para viver sozinhos; quem permitimos que entre em nosso círculo social faz a diferença nas pessoas que nos tornamos.

Finalmente, a saúde e o bem-estar não dependem de obter um corpo perfeito

Embora não haja nada de errado em ter um corpo bonito, ser mais saudável trata-se de encontrar o que funciona melhor para nós individualmente, sem comparação com os demais.

Essa era uma conversa que eu evitava, por causa da minha mania de comparar-me com os demais.

Tenha isso em mente: em vez de seguir dietas e recomendações vazias sobre “como manter o peso ideal”, pense na sua saúde como uma escolha diária. Se essas escolhas envolvem uma fatia de pão fresco ou um waffle de vez em quando, que assim seja.

Agora me conte: como é o seu relacionamento com a comida? A sua experiência será bem-vinda nos comentários abaixo.

2 comments

  1. Bom artigo e bom testemunho. Sem saúde mental , é difícil unir o resto. A paleo ensinou-me a controlar o meu vício por açúcar e ainda mais, a escolher melhores alimentos que podem ajudar a minha tiróide.
    Rose*

    1. Que bom, Lucy! Fico contente quando vejo casos de dietas bem-sucedidas! Enquanto isso, eu sigo o que funciona para mim: comer de tudo, em moderação. Obrigada por contribuir. Abraços, Thaís

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