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O que os erros do passado podem ensinar

Em março de 2017, eu completei 26 anos de idade. E desde o meu último aniversário eu me peguei refletindo muito sobre mim e o meu passado.

Naturalmente, boas lembranças surgiram na minha mente, especialmente do quanto era bom ser criança, de não precisar trabalhar para colocar comida na mesa e de deitar na cama todas as noites, tranquila, sem pensar que a qualquer momento a minha filha me despertaria chorando de fome.

Mas, em meio às boas lembranças, como você pode imaginar, eu acabei recordando de muitos erros do passado. Alguns deles foram “erros moderados”, como quebrar algumas peças de porcelana da minha mãe, enquanto outros causaram um pouco mais de dor.

A verdade é que para lembrar das nossas falhas não é necessário passar muito tempo refletindo. Basta um momento de insatisfação que começam a surgir os auto-julgamentos sobre o que acabamos de fazer, quando não podemos pensar em mais nada que não seja o quanto fomos estúpidos por tudo aquilo que fizemos de errado.

Mas, quer saber? Isso acontece com todo mundo. Em todas as idades. E parece que quanto mais envelhecemos, maiores as chances de acumularmos uma pilha de erros para serem lembrados.

A solução?

Perdoe-se.

Desapegue deste peso.

Esta é a única forma de lidar com um passado nebuloso e, então, passar a desfrutar mais do momento presente.

Bônus: Ao aprender a perdoar-se, você entenderá que os seus erros foram meras oportunidades de aprendizado. É isso mesmo, quando erramos, intuitivamente aprendemos que não é necessário repetir a mesma atitude no futuro e isso tem um papel valioso no momento de decidir o que fazer de agora em diante.

Eu aprendi com essas minhas reflexões, e é sobre isso que eu quero discutir neste artigo.

Vamos começar com o meu erro mais tosco.

Erro #1: Não saber mais sobre dinheiro

A idade dos 20 e poucos é o momento certo para planejar e investir dinheiro. O planejamento de aposentadoria não deve ser adiado. Entender coisas chatas como seguro de vida, juros de financiamentos e a reforma previdenciária é importante. Pagar todas as suas dívidas deve ser prioridade.

Sério, como ninguém nunca me disse isso antes?

Pelo menos, até agora, eu já aprendi alguma coisa. E você pode fazer o mesmo.

Então, se você tem uma dívida, vamos imaginar, de mais de 10% do seu salário bruto anual, essa é uma bandeira vermelha. A não ser que você esteja endividado porque fez um “ótimo” investimento, pare de gastar, pague as suas dívidas e comece a economizar.

Feito isso, é importante criar um “fundo de emergência”.

Porque, bem, imagine por um momento tornar-se parte de uma dessas histórias de terror onde as pessoas arruinam as suas vidas por problemas financeiros que as impedem de cuidar da própria saúde. Ou, então, precisam lidar com ações judiciais, divórcios, negócios ruins, etc.

Por isso, simplesmente esconda uma parcela de cada pagamento que você recebe, de preferência, em uma conta que seja mais rentável do que a conta poupança.

Eu teria economizado mais dinheiro em um fundo de emergência, porque as minhas despesas inesperadas destruíram o meu orçamento muitas vezes.

O segredo é: não gaste frivolamente.

Não compre uma casa, a menos que você possa se dar ao luxo de obter um bom financiamento, com taxas de juros extremamente baixas. Essa regra vale para qualquer investimento sobre o qual você não entende nada. Isso pode te salvar das “calças curtas” se a sua carreira der uma virada para pior e você acabar tendo que viver de salário a salário nos próximos 30 anos.

O ponto é esse: economize e invista o máximo possível, o quanto antes. Não importa o quão pequeno seja o seu salário atual. Não importa se você tem filhos para colocar na escola ou cães e gatos para alimentar, você ainda pode economizar e investir alguns trocados.

Pense no resultado futuro disso: porque começou cedo e investiu sabiamente, você pode se aposentar antes do tempo e se tornar financeiramente livre. Huhulll!!!

Erro #2: Negligenciar a saúde por muito tempo

Todos nós sabemos que devíamos cuidar da nossa saúde. Todos nós sabemos que devíamos comer melhor e dormir melhor e fazer mais exercícios e blah, blah, blah.

Mas da mesma forma que acontece com a poupança para a aposentadoria, a única maneira de desfrutar de uma vida boa até depois na aposentadoria é começando agora.

A maneira que você trata o seu corpo tem efeito cumulativo. Não é que o seu corpo de repente “se quebra”. Ele tem sido prejudicado todo o tempo, talvez sem que você perceba. E se você ainda é jovem, quer dizer que tem toda a sua vida pela frente para evitar essa “eventual quebra”.

E isso não é apenas um típico conselho, como o da sua mãe que insistia para você comer todos os vegetais do seu prato.

Eu falo porque conheci sobreviventes de câncer, de ataque cardíaco, de acidente vascular cerebral, pessoas com diabetes e problemas de pressão arterial, além de vítimas de outros problemas comuns e de dor crônica. Todas essas pessoas dizem a mesma coisa: “Se eu pudesse voltar no tempo, eu começaria a comer melhor e a fazer mais exercícios físicos”. Outros ainda dizem: “Eu jamais negligenciaria a minha saúde mental”.

Claro que a mudança não acontece da noite para o dia. Especialistas dizem que você deve manter hábitos saudáveis por, pelo menos, três meses, até que você veja algum resultado.

Quer dizer que, se você está implementando um estilo de vida mais ativo e saudável em sua rotina, você verá uma queda no seu peso (ou ganho, se você for realmente magro), um melhor equilíbrio e maior disposição. Mas, tudo isso toma algum tempo.

Importante notar também que não há apenas uma maneira de entrar em forma. Se você não gosta de andar ou correr, experimente zumba, tênis, ioga, dança ou mesmo tai chi. Faça o que quiser. E faça todos os dias, mesmo que seja apenas uma boa caminhada.

Confie nisso, você vai se sentir melhor e se ver melhor. E o seu corpo e mente estarão prontos para o que quer que seja o seu próximo desafio.

Então, o que você está esperando?

Erro #3: Não dedicar tempo para a família

Família é o tema relevante para a nossa geração, em ambas as extremidades. Seus pais são velhos e você precisa começar a considerar como seu relacionamento com eles vai ser conduzido de agora em diante. E então você também precisa contemplar a criação de sua família própria.

Você é “adulto demais” (se me permite chamá-lo assim) para culpar os seus pais por qualquer desvantagem em sua vida até agora. Apenas ame-os, com falhas e tudo. E, claro, para isso é preciso que você passe mais tempo com eles.

Lembre que todo mundo fica velho. Todo mundo morre. Tire proveito do tempo que você tem para ajustar as coisas com os seus pais.

Eu sei. Você não tem tempo. Você não tem o dinheiro. Você precisa aperfeiçoar a sua carreira primeiro. Como você poderia dedicar-se aos seus pais? Pior ainda, como seria possível criar os seus próprios filhos?

“Espere! Crianças, como aquelas que correm pelo parque descontroladas ou as responsáveis pela choro que desperta toda a minha vizinhança nas madrugadas?”

“Jamais!”

Talvez você pense dessa forma. A verdade é que os seus filhos seriam “exatamente” como você. Então, não se sinta pressionado a se casar ou ter filhos, se você não quiser. O que faz uma pessoa feliz não faz feliz a todos. Eu escolhi casar e ter filhos. Mas, você deve saber o que é certo para você.

O problema de não ter filhos é que as crianças são maravilhosas em torná-lo uma pessoa melhor. Em todos os sentidos. Elas o empurram a seus limites. Eles fazem você feliz em dias escuros.

As crianças são o empreendimento mais gratificante, desafiador e exaustivo que qualquer pessoa poderia construir. Ter filhos poderia te trazer o melhor retorno sobre o seu investimento.

Então, se você está em um bom casamento, vive em um ambiente saudável e já está nos seus 30, agora é a hora de decidir sobre isso, e não mais tarde.

Erro #4: Manter laços com pessoas tóxicas

Depois de dedicar mais tempo à minha família e cuidar melhor da minha saúde e finanças, se eu pudesse mudar algum aspecto pessoal nos meus últimos anos, eu iria evitar pessoas tóxicas na minha vida. Porque eu pisei na bola neste aspecto várias vezes.

E o que eu aprendi foi dizer “não” às pessoas, atividades e obrigações que não agregam nenhum valor na minha vida.

O que isso significa?

Não tolere pessoas que não o tratam bem. Nem por razões financeiras, nem por razões emocionais, nem por causa das crianças, ou por conveniência. Não se contente com amigos, parceiros, ou colegas medíocres. 

Eu não estou dizendo que você seja melhor do que nenhum deles, mas certamente existem pessoas neste mundo que são capazes de nos ajudar a tornar-nos pessoas melhores. Enquanto outras, simplesmente não são.

As pessoas lutam com limites, porque elas acham difícil ferir os sentimentos de outra pessoa, ou elas ficam presas no desejo de mudar a outra pessoa ou tratá-los da maneira que elas querem ser tratadas. O problema é que isso nunca termina bem.

O egoísmo e o interesse próprio são duas coisas diferentes. Às vezes você tem que ser cruel para ser gentil.

Quando estamos com 20 e poucos anos, o mundo está tão aberto às oportunidades e temos uma experiência tão curta de vida que nos apegamos às pessoas que conhecemos, mesmo que elas não tenham feito nada para ganhar a nossa confiança.

Mas, depois de um tempo, aprendemos que os bons relacionamentos são difíceis de se conseguir, que não há falta de pessoas para encontrar e amigos para serem feitos, e que não há razão para desperdiçar o nosso tempo com pessoas que não nos ajudam em nada.

Ao impor limites mais rigorosos sobre quem deixamos entrar em nossas vidas, nos resta mais tempo para os amigos e familiares que nós decidimos manter por perto.

E ponto final.

Erro #5: Acreditar que o futuro pode ser previsto

A menos que você esteja morto – mentalmente, emocionalmente e socialmente – você não pode antecipar a sua vida em cinco anos no futuro. Nada vai acontecer como você espera. Então pare de acreditar que você sabe o que está fazendo.

Pare de assumir que você pode planejar a vida muito adiante, porque o futuro será completamente diferente de qualquer maneira.

Bem, a verdade é que eu não posso garantir nenhuma mudança. Mas, de acordo com a multidão acima dos 40, parece que eles viram alguma mudança nos últimos 20 anos.

E o impressionante é que a maioria do que você acha que é importante agora parecerá sem importância em 10 ou 20 anos. Quando isso acontecer, seja bem-vindo à maturidade.

Lembre disso: apesar das tecnologias e descobertas da ciência terem avançado muito nos últimos anos, você e nem ninguém é capaz de prever o futuro, não importa o quão confiantes as suas promessas possam parecer.

Enquanto essa verdade possa ser perturbadora para aqueles que se agarram à estabilidade ou a segurança, ela também pode ser muito atraente. Imagine, que a sua vida pode dar uma grande virada nos próximos anos?! (se você trabalhar duro, claro)

Você ainda não sabe tudo. E isso é bom.

Erro #6: Achar que se pode ter tudo na vida

Na vida, tudo é uma troca. Você desiste de uma coisa para obter outra, mas você não pode ter tudo. Aceite isso.

Aos 20 e poucos anos de idade, nós temos muitos sonhos. Acreditamos que temos todo o tempo do mundo. E que se acreditarmos o suficiente, todas as coisas boas acontecerão com a gente. Essa é a maior falácia do milênio: a lei da atração.

Eu me lembro de ter ilusões sobre a minha a carreira antes mesmo dos 20 e poucos, já que eu comecei a trabalhar aos 13 anos de idade. Pouco eu sabia que levaria, pelo menos, uma década para começar a me considerar “habilidosa” em alguma coisa. E esse é só um exemplo.

A maioria das pessoas faz escolhas de carreira muito cedo e, como era de se esperar, escolhemos errado. Demora anos para descobrir no que somos bons e o que gostamos de fazer. Mas é melhor focar em nosso talento inato, e a partir daí evoluir.

Em uma palavra: foco. Você pode fazer mais da vida se você se concentrar em uma única coisa e fazê-la muito bem. Mas, não se distraia. Você tem que aceitar que você não pode ter ou fazer tudo. É preciso muito sacrifício para conseguir algo especial na vida.

Também devemos abandonar a noção de que qualquer pessoa, homem ou mulher, pode dedicar-se à família e à carreira ao mesmo tempo. Infelizmente, um dos pais acabará fazendo mais em casa e perderá oportunidades de carreira, enquanto o outro vai perder algumas alegrias da família, mas chegará em um nível profissional mais elevado.

Para algumas pessoas, isso significa assumir riscos, mesmo quando você ja não está mais em seus 20 e poucos. Pode significar abandonar uma carreira que você passou uma década construindo, ou desistir de um bom salário que você trabalhou tanto para conquistar.

O que nos leva a:

Erro #7: Deixar de tomar riscos calculados

Os indivíduos com os maiores arrependimentos são aqueles que permanecem em algo que sabem que não está certo. É fácil ver os dias se transformando em semanas, e as semanas em anos, apenas para acordar aos 40 anos de idade com uma crise de meia-idade por não ter tomado medidas em um problema evidente a 10 anos atrás.

O medo de arriscar é uma força prejudicial. Isso afetou o meu casamento, a minha carreira, a minha auto-imagem de uma maneira ferozmente negativa. Se eu pudesse voltar ao passado, eu teria arriscado [ainda] mais.

Agora pense sobre isso. Você tem dois recursos extremamente valiosos: o seu corpo e a sua mente. A maioria das pessoas pára de buscar a melhoria depois que recebe o primeiro canudo universitário. Mas se você continua a educar-se, a evoluir o seu pensamento e a cuidar da sua saúde mental e física, aos 40 anos de idade você estará à frente de muitos jovens de 20 e poucos.

Mesmo que a sociedade nos diga que aos 30 deveríamos ter descoberto tudo, seja na área profissional, nos relacionamentos, ou nas finanças, isso não é verdade. Não deixe que essas expectativas sociais de ser um adulto o impeçam de tomar riscos e de recomeçar.

E quer saber mais?

Tantas pessoas reinventam as suas carreiras aos 30. Um amigo deixou um trabalho lucrativo como engenheiro civil para se tornar um professor. Cinco anos nesta última função, ele afirma que essa foi a sua melhor decisão de carreira.

Muitos voltam para a faculdade aos 30. Outros estudam online para obter alguma vantagem aos 40. Outros começam a meditar aos 50. Outros, ainda, abrem os seus primeiros negócios aos 60, ou se mudam para um novo país, digamos, aos 70.

Como Warren Buffett disse uma vez, o maior investimento que um jovem pode fazer está em sua própria educação, em sua própria mente. Porque o dinheiro vem e vai. Os relacionamentos vêm e vão. Mas o que você aprende uma vez fica para sempre.

De fato. Vamos à diante.

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