Mais vida familiar

Por que alternar do “modo mãe” para o “modo sexy” é tão difícil

As luzes estão apagadas e as nossas filhas estão dormindo em suas camas. Parece que as estrelas finalmente se alinharam enquanto eu e meu marido temos uma rara oportunidade que só pode significar uma coisa: é hora de colocar a mão na massa. E por assim dizer, significa que podemos ter um tempo de intimidade, o que pode ser mais difícil do que nunca, com duas crianças pequenas agarradas ao redor do meu corpo o dia todo.

Pensar que essa é a nossa chance e que precisamos abraçá-la — literalmente — não é tão fácil para mim.

Primeiro, por que eu ainda estou usando a mesma roupa suja que usei para preparar o jantar. Depois, porque a oportunidade chegou tão depressa que nem me deu o tempo de preparar a minha mente.

Perplexa, eu olho para o meu marido, que parece ter entrado em seu “modo sexy” a anos luz antes de mim. Ele apenas me olha e eu já sinto que o moletom que ele havia me emprestado não combina para este momento.

Intantaneamente, eu me recordo que passei o dia sem um banho e que essa seria uma oportunidade para lavar os meus pensamentos e liberar todas as minhas preocupações.

Eu volto do banho em questão de dois minutos.

Parece que apenas um banho não foi o suficiente para livrar-me dos pensamentos sobre as consultas com os pediatras, as roupas que deveriam ser passadas ou o almoço para a creche no dia seguinte.

Eu me sento sobre a cama, apenas para me questionar se as minhas filhas estão se desenvolvendo no mesmo ritmo que as crianças da mesma idade, enquanto o meu marido apenas me olha com mais intensidade e me pede para fazer um carinho.

Como eu poderia estar sentindo tanta pressão?

Nem sempre eu fui assim, mas quando estou constantemente sob a carga mental de manter uma família e um lar em bom funcionamento, isso pode resultar em uma crise de ansiedade, exatamente como eu me sinto em momentos assim.

Photo by Naomi August on Unsplash

No fundo, eu admiro a maneira como o meu marido pode, automaticamente, deixar o seu “modo pai”. Como o capitão da equipe de handebol da época do meu ensino médio, ele está pronto para entrar em ação sem aviso prévio. Mas tanto quanto eu admiro a sua prontidão, essa é uma habilidade que eu simplesmente não possuo.

Enquanto isso, eu acabo pensando no que eu deveria preparar para o jantar amanhã ou no que eu poderia fazer sem ter que passar pelo supermercado mais uma vez.

“Tenha pensamentos eróticos”, eu digo a mim mesma com firmeza. Ironicamente, a voz na minha cabeça parece muito com a que eu uso para dizer “leve a fralda na lixeira” ou “coloque os seus sapatos”. Mas eu tento.

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Eu volto para o “modo mãe” antes mesmo de ter saído dele

Então, eu começo a pensar em coisas tão desconsoladoras quanto “oh, meu deus, o meu marido realmente tem uma boa pinta, será que outras mulheres estão olhando para ele?”

Como se eu tivesse medo de deixar os meus pensamentos vagarem para coisas tão futis, eu tento voltar para a minha inocente mentalidade infantil, despreocupada e que negligencia qualquer um dos meus deveres.

Então, eu apenas me recordo da meia dúzia de livros e da centena de artigos na internet que li ultimamente sobre manter um relacionamento amoroso. Parece que os “especialistas” estão cheios de conselhos e promessas para que eu pudesse me basear.

“Dê um ao outro tempo para acariciarem-se, tocarem-se e beijarem-se”, eles dizem. Eu juro que tento fazer isso. E, enquanto aumentar as preliminares é uma ótima idéia em teoria, é difícil quando você nunca sabe quanto tempo ininterrupto haverá até que uma das crianças desperte.

Além disso, as preliminares apenas tomam mais do nosso tempo de sono e tudo isso é extremamente cansativo.

“Faça um plano para o sexo”, dizem outros especialistas. Mais uma vez, soa como uma boa ideia na teoria, mas na realidade isso faz com que pareça apenas mais uma coisa para a minha lista de tarefas sobrecarregada.

Qualquer um que tenha filhos sabe disso: a maioria dos planos acaba indo por água abaixo

Ah, e se não bastasse, eu começo a me questinar sobre a minha imagem corporal. Eu não tinha essa flacidez no meu abdomem antes de ter filhos, como eu permiti que o meu corpo ficasse assim?!

De repente, eu lembro que a professora da creche pediu para levar um prato doce para a festa de encerramento de um projeto bimestral, e eu nem tive tempo de ir ao supermercado para comprar os ingerdientes. “Já é tarde demais de todas maneiras, amanhã eu ainda posso resolver isso antes das 8:00” — eu digo a mim mesma.

A última coisa que vem na minha mente é a recomendação mais trivial dos especialistas “deixe os pratos sujos na cozinha e tomem um banho de espuma juntos”. Tão bom quanto isso possa parecer, tudo o que eu penso é naqueles pratos no pior momento possível.

Eu continuarei tentando deixar de lado o meu “modo mãe”, porque sinto falta dos velhos tempos, da fase da lua de mel e da nossa versão pré-parental quando eu não precisava me preocupar se o leite estivesse vazando dos meus seios.

Tanto quanto o meu marido diz que sente, eu também sinto falta do “meu modo sexy”, aquele que mantinha o meu foco no toque do meu parceiro em vez de pensar na conta da eletricidade que deve ser paga.

Algum dia eu vou encontrar algo que funcione para mim, mesmo que isso signifique eliminar primeiro todas as coisas que não funcionam. Até que eu encontre, vou continuar tentando dominuir a pressão que eu coloco sobre estes momentos.

Essa pressão não é realista, não neste ponto, e eu sei que não está ajudando em nada.

Enquanto eu poderia me sentir “sexy” de uma hora para outra em outro momento da minha vida, eu já não sou a mesma — e é natural que eu esteja respondendo de forma diferente agora.

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De que forma você consegue ser aquela versão de si mesmo no momento de realizar algo que você deseja muito? A sua opinião será muito bem-vinda nos comentários abaixo.

3 comentários

  1. Amiga me vi em tudo o que disse, mudamos de pais mas mães são mães em qualquer um deles não é? O que era pra ser um jeito de descarregar a pressão,,como é para os homens, nos deixa mais precionadas pelo fato de termos quase a obrigação de agradar os maridos do que realmente nos ajuda. E realmente mais uma tarefa que está na lista e infelizmente no final dela.

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