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Por que estamos todos tão atarefados e como lidar com isso

Durante todo o mês de agosto eu estive extremamente atarefada. Eu estava tão ocupada que eu achei que em algum momento o meu calendário mensal iria parar para me dizer: “ei, não percebe que eu tenho apenas 31 dias?” Na verdade, o único período mais atarefado do que foi o mês de agosto é (ai de mim!) setembro.

Basta olhar para o meu calendário para sentir a pressão. Eu vejo os fins de semana que passarei estudando e já posso sentir nos meus ossos quão exausta eu estarei no domingo à noite, antes mesmo de começar uma nova semana. Este tempo que eu passo observando o meu calendário também me faz pensar sobre por que eu faço isso comigo mesma.

Talvez, eu me mantenha ocupada por que todos estamos fazendo o mesmo.

Por que estamos tão atarefados

A razão pela qual, muitas vezes, chegamos a um ponto de ocupação crônica é que não sabemos dizer “não”. De uma forma indireta, estamos certos porque acreditamos que estamos sendo mais produtivos.

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No entanto, há uma razão muito mais profunda pelo qual comprimimos os nossos horários de cada dia com tantas coisas que poderiam encher um estádio de futebol. É por isto: a ocupação nos faz sentir menos inadequados. Estamos ocupados porque escolhemos estar. A ocupação é a nossa muleta.

Eu leio todas estas coisas na Internet (e em todos os lugares) sobre as pessoas acordando às 5:00 da manhã para serem mais produtivas, e se eu for totalmente honesta, tudo isso me faz sentir desgastada. Não é que eu ache que há algo de errado em acordar tão cedo e depois ser insanamente produtivo, mas essas recomendações não se aplicam para todos, nem mesmo para mim nessa etapa da minha vida.

Eu até já passei por longas temporadas acordando às 5:00 da manhã. Eu também estou sempre tentando maximizar a quantidade de trabalho que eu faço com uma determinada quantidade de energia. No entanto, o motivo pelo qual a ideia de fazer mais com menos se torna desgastante para mim é porque, no final do dia, não importa o quanto eu realizo, não importa quão cedo eu acordo, eu simplesmente não sinto como se eu tivesse feito o suficiente.

Além disso, eu gosto de me manter ocupada. É confortável para mim. Eu sou mais feliz quando tenho minhas listas de tarefas me dando um senso de eficiência. A ocupação me ajuda a lidar com meus sentimentos de inutilidade.

Se eu puder fazer mais, ser mais, ir mais longe, ganhar mais dinheiro, me encaixar melhor, agradar mais pessoas, obter mais atenção e elogios para as minhas realizações, talvez, um desses dias, uma dessas realizações me fará sentir como nada disso foi um desperdício de tempo. Talvez, um dia, se eu estiver ocupada o suficiente, eu finalmente começarei a sentir valorizada.

O que aconteceria se diminuíssemos a velocidade

Pouco mais de um uma semana atrás, eu visitei a casa de uma tia no sul de Santa Catarina. Lá as pessoas se mantêm privadas de basicamente tudo o que encontramos na cidade de Joinville (que fica no Norte do Estado).

Não existem shoppings, hospitais, farmácias, danceterias, teatros, nem mesmo cafés. O único lugar aonde alguém vindo de fora poderia encontrar comida é na casa dos moradores. Do contrário, seria necessário passar o dia comendo frutas, verduras e grãos crus, encontradas nas plantações ao redor do vilarejo.

Incrivelmente, esta foi uma das viagens mais produtiva da minha vida. Eu senti como se a falta de acesso à internet ou a capacidade de refletir sobre o estilo de vida daquelas pessoas me fez desenvolver muito mais do que se eu tivesse lido toda a Wikipédia na mesma tarde.

Não tenho certeza sobre o que você pensa sobre tudo isso. Talvez, eu seja a única pessoa desse Planeta que sobrecarrega a própria agenda. Talvez, eu seja a única que, num dia em que eu não tenho nada a fazer, encontro coisas para fazer para continuar me sentindo produtiva. Mas, honestamente, eu acho que não sou a única.

Então, se você está interessado em saber o que eu aprendi durante aquela curta viagem ao interior, aqui está a minha resposta:

A solução para lidar com o desgaste está em dizer “não”

(Politicamente, é claro.)

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Eu digo “não” para lavar a louça enquanto os meus convidados para o almoço ainda estão sentados ao redor da mesa, assim podemos continuar conversando. Mesmo que isso me faça sentir ansiosa, eu me dou esse tempo com eles.

Eu digo “não” a um projeto que parece uma ótima oportunidade ou uma grande vantagem para a minha carreira, mesmo que fosse um tipo de coisa que eu não poderia perder. Então, eu presto atenção em como isso me faz sentir. Talvez, eu nunca conseguiria tempo para realizá-lo e isso me deixa ainda mais aliviada.

Eu digo “não” a um evento voluntário que beneficiaria tantas pessoas e me faria parecer solidária e gentil. Então, eu presto atenção em como isso me faz sentir. Naqueles lugares onde eu me sinto vulnerável por não fazer, eu aprendo a me admirar.

Então, eu me lembro de que nenhuma quantidade de sucesso, dinheiro ou fama, ou mesmo a atenção ganha por fazer “o melhor” jamais me deixará bem. Nenhuma quantidade de proeza doméstica jamais me fará sentir como se eu fosse o suficiente.

De qualquer maneira, todos esses sentimentos não duram por muito tempo e isso apenas acontece se eu posso encontrar algum espaço no meu calendário. Claramente, eu ainda estou a um longo caminho para digerir esse conceito: dizer “não” é tão necessário quanto o nosso desejo em nos sentir realizados no final do dia.

Finalmente, apenas seremos capazes de realizar mais com as poucas horas que temos em cada dia quando soubermos eliminar o que está apenas roubando o nosso tempo.

Como você lida com todas as suas tarefase? As suas dicas serão bem-vindas nos comentários!

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