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Por que eu desisti de procurar um emprego e não me arrependo disso

Há alguns meses atrás, eu desisti de procurar um emprego de uma vez por todas. Mas, isso não significa que eu passo os meus dias jogada no sofá assistindo televisão. Bem longe disso, hoje eu tenho uma agenda mais ocupada do que nunca.

Então, antes que você venha me dizer que eu tenho a vida ganha e que eu sou mais uma millennial privilegiada, eu vou logo avisando que eu desisti de procurar emprego por uma razão: nem sempre as recompensas de um bom emprego superam o esforço em encontrá-lo.

Aqui estão sete razões.

1. Porque as empresas não respondem

Você pode pensar que na era da internet seria mais fácil obter respostas das empresas que recrutam, mas as respostas pessoais em aplicações de trabalho dificilmente acontecem nos dias de hoje.

Tenho muita simpatia com outros candidatos mais jovens e os mais velhos também. Sem feedback, os jovens que procuram o seu primeiro emprego não podem ter uma ideia do que o mercado quer. E as pessoas mais velhas que enfrentaram demissões demoram um tempo para conseguir uma entrevista. Tudo por culpa deste “sistema” falho.

Se eu vejo que um formulário preenchido nunca chega a ser lido por um ser humano, eu me pergunto: “Quantos excelentes candidatos aquelas empresas estão perdendo?” Mas, parece que elas não estão nem aí.

Essa foi a primeira razão pela qual eu desisti de procurar trabalho.

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Vamos à segunda:

2. Porque os recrutadores não se importam

Sinto muito se eu estou generalizando injustamente — não foi a minha intenção. O que eu vejo é que os recrutadores são as pessoas que pensam mais “dentro da caixa” em qualquer empresa. Como resultado, muitos deles não estão nem aí para o seu caso particular.

Quantas vezes você recebeu um email daquele “profissional” dizendo “Olá! Eu vi o seu currículo …” que é obviamente uma mensagem automática? Quem criou essa mensagem? Supostamente, alguém que não tem ideia do que é uma descrição da vaga.

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Conheço poucos bons recrutadores pessoalmente, e eu realmente os respeito, mas eles são uma pequena porcentagem. Enquanto isso, a maioria simplesmente não se importa. Eles são outro motivo por que desisti de procurar trabalho.

3. Porque eu não sou uma líder de pensamento

Eu tinha um emprego estável e desejava recuperar essa “estabilidade” logo depois que eu pedi demissão para me casar e mudar de país.

Então, eu fiz o que qualquer outro millennial na mesma situação faria: eu coloquei o meu chapéu de “intitulada” e esperei que o mercado realmente fosse minar as minhas capacidades, não importa aonde eu estivesse.

Isso claramente não funcionou. Alguns meses depois de ter largado o meu último emprego, eu ainda estava desempregada e sem nenhuma nova posição à vista.

Eu não era uma consultora de alto nível ou uma especialista em vendas (apesar de ser uma das poucos profissionais criativas com um MBA na última empresa onde trabalhei).

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Pense nisto: Quantos “líderes de pensamento” a sua empresa realmente possui? Quantas pessoas são realmente “ninjas” ou “gurus” ou “capazes de provocar mudanças de paradigma de liderança” em seus cubículos — e quantos precisam ser?

Algumas coisas simplesmente não evoluem tanto quanto gostaríamos. Algumas unidades de negócios continuam mantendo o empregado funcional fazendo algumas tarefas com competência. E a maioria dos diretores de recursos humanos resmungam porque essas pessoas estão cada vez mais difíceis de se encontrar.

Então, uma vez que eu percebi isso, eu desisti de procurar o meu lugar aonde eu não tenho.

4. Porque tantas entrevistas são chatas

Se eu ainda for para uma entrevista de emprego, é porque eu estou realmente interessada em saber o que é o trabalho e como posso fazer isso.

Eu não quero saber de responder perguntas como “onde eu me vejo em cinco anos” ou “quais foram as cinco situações em que eu mostrei liderança”, e você também não deveria.

Algumas empresas mantém políticas de entrevistas chatas, para não dizer absurdas, que me deixam tão deslocada como um banqueiro da cidade que aparece para a entrevista em um macacão de encanador.

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A entrevista formal é a pior forma de contratação, sem nenhuma razão melhor do que você está fazendo perguntas à pessoa menos objetiva da sala. E há maneiras muito melhores de avaliar qualidades pessoais do que em uma mesa de entrevistas.

5. Porque trabalhos normais precisam de gente normal

Fora de alguns setores criativos, como os de publicidade e software, poucas empresas querem empregados fora das normas sociais. Buffett, Gates, Jobs, mesmo Zuckerberg: você não teria contratado essas pessoas, porque elas são “bizarras”.

Os profissionais de RH sabem o quanto é difícil animar um candidato incomum através do processo de contratação (em contraste com os recrutadores, os profissionais de recursos humanos são as pessoas mais pacientes e compreensivas que já conheci).

O melhor funcionário tende a ser alguém que se encaixa muito bem em uma caixa, que marca itens em uma lista de verificação, mas nenhum fora dele.

Pessoas incomuns — como e — não se encaixam. Também é por isso que parei de procurar trabalho.

6. Porque bons empregos são difíceis de encontrar

Essa é uma realidade do mercado e não um viés humano. Um grande número de empregos bem remunerados apenas pagam bem porque o trabalho envolve o gerenciamento de pessoas.

Quanto maior o seu grau de remuneração, maior o investimento do seu empregador em sua capacidade de tirar o máximo proveito de você.

Photo by Paul Bence on Unsplash

Fazer parte disso leva ao estresse, ao divórcio, aos ataques cardíacos e à pressão arterial elevada. E essas são apenas as consequências mais óbvias.

As pessoas que podem gerenciar o capital humano são raras.

Contratar pessoas, gerenciá-las, oferecer recompensas são as coisas mais difíceis. Talvez, uma em cada mil pessoas tenha a habilidade para fazer o mesmo com competência. Eu ainda estou sendo otimista.

Essa é outra razão pela qual desisti de procurar um emprego.

Finalmente, vamos para a última razão deste artigo.

7. Honestamente, porque eu não sou boa nisso

Este último ponto não é auto depreciativo. Algumas pessoas simplesmente não se encaixam em alguns empregos e nunca adivinharam os códigos secretos e os comportamentos de ser um indivíduo empregável.

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Evidências sugerem que eu sou uma boa profissional (basta olhar para as minhas recomendações no LinkedIn, ou estar do meu lado quando eu ouço bons comentários a respeito dos últimos trabalhos), mas a rotina das 8:00 às 18:00 não me atrai.

Até os meus 24 anos de idade, eu estive bem com a mesma rotina (depois de dez anos trabalhando formalmente), mas uma vez que eu tive essa década de experiência, eu decidi cair fora.

Essa é a última razão pela qual eu parei de procurar emprego. E das sete que eu enumerei aqui, essa última é provavelmente a que mais importa.

Me desculpem, empresas — mas para um número crescente de trabalhadores experientes — digamos, centenas de milhões de bons profissionais — trabalhar para vocês simplesmente não é uma opção atrativa.

Você pode querer nos contratar — você pode precisar de nós, mas nós não estamos procurando.

Você segue buscando um emprego formal? Compartilhe o que funciona para você nos comentários!

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