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Por que você deve abandonar os seus planos de Ano Novo — e o que fazer em vez disso

Como você se sente sobre a sua resolução do Ano Novo? Seja honesto. Você está animado? Se sim, por que? É porque você tem uma compreensão profunda da mudança que está fazendo e tem um plano sobre como essa mudança irá funcionar, ou você sente que deve mudar algo “porque você deveria” ou “seria bom para você”?

Eu já fiz muitas resoluções e planos para o Ano Novo que não perduraram nem até o início de fevereiro, e eu sei que não estou sozinha nisso.

Houve um ano que eu decidi que eu ia parar de comer doces. Alguns meses depois, meus episódios de ansiedade voltaram mais fortes do que nunca e eu me encontrei devorando enormes porções de chocolate e me sentindo culpada logo depois.

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Provavelmente, você também experimentou resoluções de curta duração.

Se os seus planos tiveram algo a ver com inscrever-se para uma academia, perder peso, passar mais tempo na natureza ou ter mais tempo de qualidade com a sua família e amigos, vale aproveitar o tempo que falta até o fim deste ano para entender por que essa resolução não foi bem sucedida (se estou enganada, por favor, comente no final do artigo).

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Muitas pessoas me dizem que elas deveriam começar a frequentar uma academia para perder peso. Mas, e se a razão pela qual elas nunca foram a uma academia antes é porque elas não gostam do ambiente, ou não gostam de passar horas em uma esteira e muito menos levantar pesos?

Elas deveriam realmente se forçar a ir?

Para mim, isso é contraintuitivo e limitativo. Há muitas outras opções de atividade física e temos que levar em conta que todos nós temos preferências e habilidades diferentes.

Para provocar uma mudança duradoura, primeiro você deve examinar seus hábitos e pensar sobre como eles se formaram e por que. O próximo passo é encontrar soluções sobre as quais você se encontra entusiasmado — não é algo que você acha que vai repetir por duas vezes e depois abandonar porque você não tem nada a ver com isso.

É por isso que eu gostaria de desafiar os seus planos para o Ano Novo com uma abordagem que eu acredito ser mais eficaz. Essa é a fórmula que eu pretendo usar para implementar as mudanças que eu quero realizar no próximo ano — e você também pode.

Vamos lá.

1. Reveja e redefina os seus hábitos

Em seu livro, “The Power of Habit“, Charles Duhigg explica a ciência do hábito. Segundo o autor, todo hábito é como um ciclo que se inicia com uma sugestão levando a uma rotina, que leva a uma recompensa.

Um exemplo dado pelo autor é o de comer um biscoito depois do almoço. Para quebrar este hábito, a chave é identificar por que você está nesta rotina através da experimentação. “A cada dia do seu experimento, quando você sentir o desejo de comer um biscoito, ajuste a sua rotina de modo a oferecer a si mesmo uma recompensa diferente”, sugere o autor.

No final do experimento, você deveria ter mais uma visão sobre o está conduzindo a sua rotina, o que irá ajudá-lo a determinar o melhor curso de ação para uma mudança.

O problema em fazer uma resolução de Ano Novo é que, muitas vezes, ela envolve uma abordagem padronizada para a mudança que você está tentando fazer. No entanto, impulsionar uma mudança sem entender a razão por trás dela o conduzirá ao fracasso.

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Meu objetivo para aproveitar este fim de ano é dar uma olhada mais profunda nos hábitos que eu quero mudar. Eu quero me permitir o tempo suficiente para examiná-los, contemplar suas raízes e entender as maneiras pelas quais certos hábitos são mantidos.

2. Não espere uma solução rápida

Raramente mudanças duradouras ocorrem de repente. Elas demoram para se desenvolver e serem implementadas. O melhor disso é que podemos aproveitar esse tempo para tomar as rédeas de cada mudança em nossas vidas. Podemos até influenciar mudanças no nosso cérebro para trabalharem a nosso favor.

Como?

Um estudo de Harvard descobriu que a redução do estresse baseada na atenção plena causa alterações em partes do cérebro envolvidas na regulação emocional, aprendizagem e memória, e a nossa relação com o ambiente externo.

Quer dizer que temos uma oportunidade de provocar uma mudança duradoura de forma gradual, por meio de qualquer atividade cotidiana em que nos envolvemos.

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Em seu livro, Mindsight, o psiquiatra Daniel Siegel discute sobre isso. O autor sugere que práticas diárias de atenção plena ajudam a cultivar a capacidade de resposta e a consciência de nossos comportamentos e ações. Essa é a chave para mudar.

Então, se você estiver na mesma rotina há meses, ou mesmo anos, não espere que ela se transforme da noite para o dia. Da mesma forma, comprometer-se a uma resolução de Ano Novo não está te preparando para o sucesso.

Enquanto isso, aproveitar o tempo para explorar as nossas rotinas e praticar a atenção plena são maneiras mais prováveis de nos ajudar a conquistar os resultados desejados.

3. Dedique tempo e atenção para você mesmo

Para mim, isso pode significar negar o meu desejo por doces e dizer que eu realmente não quero mais um pedaço de chocolate, em vez de examinar o “por quê” eu estou repetindo o mesmo comportamento insalubre.

Com mais atenção sobre os meus “por quês”, eu percebi que, muitas vezes, eu ansiava por doces quando estava cansada, quando trabalhava até tarde e acreditava que o açúcar iria me ajudar a “despertar”, ou quando eu estava sob pressão e buscava aliviar o meu estresse.

Ao longo do tempo, enquanto eu sentia os mesmos impulsos, aprendi a identificar a causa dos meus desejos em um determinado momento, e passei a tomar uma decisão consciente de ir dormir mais cedo e então acordar mais cedo, se eu precisasse terminar um trabalho a tempo.

Eu também aprendi a gerenciar o estresse de forma mais efetiva através da atenção plena. Além disso, comecei a praticar a alimentação consciente, o que ajudou a controlar o tamanho das porções de tudo o que eu comia, mesmo quando eu decidia me entregar aos doces.

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Ao invés de tentar mudar seus hábitos superficialmente e pensar apenas nos resultados finais — por exemplo, estabelecer um objetivo para perder “X” quilos –, pergunte a si mesmo “como eu posso olhar para dentro de mim motivando-me a fazer algo mais saudável?”

4. Entenda que a auto compaixão é fundamental

Se a perda de peso é o seu objetivo, em vez de contar os quilos que você precisa perder, pergunte a si mesmo “como eu posso nutrir o meu corpo e a minha mente para sentir mais energia, ter uma imagem mais positiva e promover comportamentos mais saudáveis?”

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Torna-se muito mais fácil alinhar-se com um objetivo conduzido internamente, ao invés de eliminar sobremesas ou lanches, ou frequentar a academia durante os sete dias da semana.

Quer dizer que, se você perder a linha, tudo bem. Ter auto compaixão é saber que isso pode acontecer a todos nós, porque somos humanos e erramos. Isso permite que você supere os seus desvios mais rapidamente, sem tanta culpa, para então seguir em frente.

5. Reconheça que a solução não está ao nível do problema

Esta é uma citação que ouvi de Deepak Chopra e estou compartilhando porque resume os primeiros quatro pontos deste artigo.

“Para provocar mudanças, você precisa cavar mais fundo, explorar seus comportamentos e ações, e descobrir as motivações por trás deles.”

Quero dizer que, se você ainda está pensando em manter as suas resoluções de Ano Novo, tudo bem, apenas considere levar um caminho consciente, seja paciente e não se julgue.

Tendo isso em mente, convido você a escrever sobre seus planos de Ano Novo nos comentários abaixo. O que o tornaria a melhor versão de si mesmo em 2018?

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