Mais liberdade

Qual é o verdadeiro preço que pagamos pela nossa liberdade

Crescer em uma área rural pobre me fez pensar que eu nunca teria dinheiro suficiente para fazer as coisas que eu gosto na vida. E para não mencionar toda a bagagem que vem com esse estilo de vida, o descontentamento, a ansiedade e a incerteza eram apenas alguns dos mais frequentes sentimentos durante a minha infância.

Eu não posso dizer que chegou a faltar algo na minha casa. Os meus pais trabalhavam duro, literalmente de sol a sol, para que nunca faltasse o necessário para a minha família: comida e abrigo.

Eu até me sentia privilegiada por ter um banquete na mesa todos os dias, já que tudo era cultivado na pequena propriedade agrícola dos meus pais.

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Na adolescência, eu comecei a acreditar que se eu ganhasse dinheiro suficiente, eu poderia alcançar a minha liberdade (ou pelo menos financiá-la). Então, eu comecei a trabalhar aos 13 anos de idade.

Quando eu me formei no ensino médio, eu já tinha um trabalho mais estável, e então poderia pagar as mensalidades da universidade. E, claro, eu optei por um curso que potencialmente poderia trazer um bom retorno financeiro.

Enquanto eu estudava na universidade à noite, eu trabalhava oito horas por dia e passava outras três horas no trânsito. O pouco tempo que me restava me fez valorizá-lo ainda mais, porque eu sentia que o luxo de desperdiçar tempo não era para mim.

Eu comecei a ler, estudar e fazer as minhas tarefas no caminho de ônibus para casa — tudo o que fosse necessário para aproveitar melhor o meu tempo.

Continuei trabalhando até completar os meus 21 anos de idade. Naquele momento, eu aprendi uma das maiores lições da minha vida: eu já não poderia usar o meu bem mais precioso (o tempo) apenas em troca de dinheiro, porque isso estava me deixando cada vez menos livre.

Quanto mais dinheiro eu ganhava em meus últimos empregos, mais aprisionada eu me tornava, porque eu estava mais esgotada de tanto trabalho.

A minha decisão foi quebrar este ciclo

Eu estava decidida a correr atras do tempo perdido e ir em busca da minha liberdade.

Foi então que eu larguei tudo para viajar.

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A maioria de nós acha que quer o mesmo. Eu aposto que muitos de vocês querem ficar ricos e abandonar os seus empregos para viajar pelo mundo. Mas, na verdade, talvez não seja bem isso o que você realmente quer.

O que a maioria entre nós quer é a liberdade.

O dinheiro pode até ser irrelevante — é apenas o meio para um fim — para comprar a nossa liberdade.

E isso me leva à pergunta que não quer calar:

Qual é o verdadeiro preço que pagamos pela nossa liberdade?

Sempre que eu escrevo uma lista das coisas que eu valorizo, a liberdade aparece no topo. Quer dizer que a liberdade é de fato o mais importante da minha vida. Eu quero ser totalmente livre!

Aos 10 meses de idade, eu comecei a caminhar. Aos quatro anos eu já sabia ler e escrever algumas palavras. Na mesma idade (aos quatro), eu queria preparar a minha própria comida, carregar as minhas próprias coisas e escovar os meus próprios dentes. Eu dizia a meus pais que eu poderia fazer tudo sozinha. Embora esse comportamento não seja tão incomum para uma criança, eu continuo agindo da mesma forma, 22 anos depois.

Para mim, a liberdade não significa apenas viajar ou ter dinheiro suficiente para comer em bons restaurantes, mas também saber que eu sou completamente independente, que eu não respondo a ninguém e que eu posso mudar de ideia de um dia para o outro.

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Eu vivo desta maneira, provavelmente mais do que a maioria das pessoas, mas não tanto quanto alguém com liberdade como sua principal prioridade deveria viver. Aqui está a razão:

Eu não tenho certeza de que estou disposta a pagar o preço

Depois de passar algum tempo no fim de semana passado com meus bons amigos que têm famílias e relacionamentos maravilhosos, eu percebi que a liberdade vem com um preço muito alto.

Sonhar em se tornar um milionário e todas as coisas que faríamos se tivéssemos todo esse dinheiro é fácil. É sempre seguro dizer que as nossas carteiras não são as melhores e, portanto, permanecemos escravizados no escritório. Dizemos que não podemos ter liberdade porque não somos suficientemente ricos, mas isso não é a verdade.

Não ter os recursos iniciais pode causar algum atraso no caminho, mas se tudo o que realmente desejamos fosse a liberdade e estivéssemos dispostos a fazer o que fosse necessário, chegaríamos no nosso destino, mais cedo ou mais tarde. Encontraríamos uma maneira de ganhar esse dinheiro. Contaríamos os dias como um preso esperando para sair da prisão.

Sou inteligente o suficiente, sou ambiciosa, trabalho duro, tenho uma boa educação e sou teimosa, então por que ainda não sou completamente livre? Por que ainda tenho que pagar o financiamento do meu apartamento por outros cinco anos? Por que ainda estou tentando construir amizades que não funcionam? Por que ainda não iniciei um negócio e fui viver em uma ilha isolada para nunca mais ser vista?

A verdade é que não tenho certeza do que fazer com a liberdade. Ou, talvez, eu estive enganada por todo esse tempo e a liberdade não seja mesmo a minha prioridade.

Talvez, os meus compromissos e relacionamentos sejam mais importantes que tomar champanhe em um terraço no sul da França pelo resto da minha vida. E eu preciso dos outros. Afinal, quem eu levaria comigo na jornada para a liberdade?

Isso não é tudo

Com liberdade absoluta, não há mais ninguém a quem confiar. Não há ninguém a quem culpar. Não há nada para se preocupar.

De repente, tudo depende de mim.

Não preciso agradar o meu chefe, não preciso me dar bem com os meus colegas de trabalho, não tenho que me comprometer com mais nada. As escolhas são todas minhas, mas também a responsabilidade.

Para cuidar de mim, ganhar dinheiro, preencher o tempo, construir relacionamentos, encontrar algo significativo, aprender e crescer. E até para fazer a diferença. Tudo depende de mim.

E isso me assusta, não posso negar.

Também estou começando a me questionar sobre o quanto a minha liberdade vale. Talvez eu tenha sido roubada pela ideia de liberdade e estive pagando demais por ela.

Talvez, fazer um sabático a cada dez anos seja suficiente para se sentir livre?

Talvez, mais dias de férias e algumas festinhas, ou mesmo um hobby, teriam o mesmo efeito?

Talvez, não precisamos de milhões no banco para nos sentirmos livres.

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Precisamos manter as nossas prioridades claras. Então, precisamos negociar com a liberdade. Quanto ela vale? O que estamos dispostos a pagar por ela? E, o mais importante, para o que precisamos e como queremos viver quando finalmente nos tornarmos livres?

Pessoalmente, eu acho que vou deixar a liberdade para outra posição da minha lista de prioridades, logo depois do amor e dos relacionamentos significativos.

Que preço você estaria disposto a pagar pela sua liberdade? Ela tem mesmo um preço? Compartilhe a sua opinião nos comentários abaixo!

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