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O que é preciso para viver no presente de uma vez por todas

Se você tivesse que adivinhar quantas horas por dia gastamos consumindo informações vindas de algum tipo de tela, o que você diria? Quatro horas? Cinco? Bem, se você é como a maioria, esse número provavelmente seja muito maior. De acordo com o estudo de Nielsen de 2016, uma pessoa comum gasta quase 11 horas por dia “informando-se por meio de diferentes tipos de telas.

Pense nisso!

Você está com o seu smartphone em mãos quando acorda, no caminho para o trabalho e antes de dormir. No trabalho, você abre guias extra em seu navegador para percorrer feeds de notícias, mídias sociais e assistir a vídeos virais. Quando finalmente chega em casa, após um longo dia no trabalho, você passa horas na frente da televisão — sempre com o seu smartphone em mãos.

Não acha que é muito tempo olhando para uma tela?

Eu não estou te julgando — eu me incluo nas estatísticas.

Quando a maior parte das nossas interações sociais acontece online, é difícil imaginar que a realidade seria diferente, nem mesmo entender por que passar tanto tempo conectado ao mundo virtual seria ruim.

Você já deve ter ouvido o termo FOMO antes — o medo de ficar por fora, que decorre do nosso desejo inato, como seres humanos, de experimentar a melhor versão da vida que podemos. Quer dizer que, se não estivermos atualizados sobre as informações mais recentes, observando as tendências à medida que evoluem em tempo real e consumindo notícias do momento, sentimos que estamos perdendo algo.

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O FOMO é nada mais que uma luta constante pela gratificação instantânea. A gratificação instantânea por sua vez ilumina os nossos cérebros com a ajuda de nossas máquinas portáteis de dopamina, assim como os cidadãos do futuro distópico do livro de Fahrenheit, vivem a toda velocidade, bombeando-se de adrenalina para se tornar as versões mais rápidas e produtivas de si mesmas.

Ah, você não leu Fahrenheit?

Eu entendo, porque, na medida que estamos tão ocupados com as distrações digitais, buscamos livros mais curtos, condensados, tablóides e acabamos perdemos a capacidade de concentração por mais de 15 minutos.

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Enquanto penso sobre isso, muitas vezes, me vejo revisando a linha do tempo no Instagram e no Facebook, através da leitura rápida de legendas, absorvendo informações a um ritmo relâmpago.

Qual o impacto de tudo isso em nossas vidas

O que inicialmente deveria nos dar mais tempo para aproveitar a vida acabou nos controlando e empurrando para trabalhar mais. O que inicialmente pretendia otimizar a nossa saúde acabou interferindo na nossa capacidade de ficar bem.

É sério — nossos smartphones estão nos deixando doentes!

A conexão virtual — isso mesmo que você está fazendo neste momento — vem com um alto custo para a nossa postura, sistema imunológico, saúde mental e capacidade de atenção. Mais do que isso, estamos pagando um preço muito alto por deixar de viver no presente.

Parece que a conveniência de uma vida rápida é boa demais para deixar passar. Mas todas as ações provocam uma reação igual e oposta e cada movimento promove um contra-movimento.

A vida lenta é a resposta do mundo à vida rápida, e seu evangelho incentiva a encontrar prazer offline, a tomar tempo para considerar suas relações com os outros e com o mundo ao seu redor.

À medida que o movimento cresce, FOMO está inspirando uma reação oposta — o medo do desgaste.

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As pessoas sentem que estão perdendo sua autonomia. Elas se sentem sobrecarregadas e tentam retomar o controle sobre as suas próprias vidas — não se afastando do mundo, mas simplificando estrategicamente o acesso digital.

Como limitar o acesso digital pode melhorar a sua vida

Enquanto simplificar fisicamente as nossas vidas pode libertar a nossa obsessão com coisas, a redução estratégica do ruído virtual pode diminuir a dependência pela tecnologia e permitir-nos reconectar com o mundo real.

Agora você deve estar me perguntando “como eu posso fazer isso?”

Eu tenho algumas recomendações extremamente simples:

Primeiro, limpe a sua caixa de entrada de e-mails, smartphone e computador

Se você é qualquer coisa como eu, a pasta de downloads em seu computador é um pesadelo total, sua caixa de entrada do Gmail é aterrorizante e seu smartphone está cheio de aplicativos que você quase não usa.

Reserve algum tempo para fazer uma limpeza completa no seu computador, excluindo os arquivos baixados há dois anos, transferindo fotos para uma nuvem ou disco rígido, e organizando seus arquivos de forma simples e livre de estresse.

Feito isso, é hora de passar pelo seu smartphone. Elimine os aplicativos que você mal usa (ou, no mínimo, mova-os para uma pasta, para que seus aplicativos usados ​​regularmente sejam mais visíveis e acessíveis).

Reconheça que você não pode fazer tudo

O problema com o FOMO é que “perder” é uma inevitabilidade no mundo de ciclos de notícias de 24 horas e feeds intermináveis ​​que encontramos nas mídias sociais.

Reconheça que está bem não estar a par das informações mais recentes e, em vez disso, volte sua atenção para tirar o máximo proveito do seu tempo.

O que você poderia fazer agora para que a sua vida valha a pena?

Centralize seu foco ao que faz sentido para você, em vez de dar tempo à confusão digital.

Desative notificações das mídias sociais

Está bem visitar eventualmente o Facebook, Instagram e Twitter no seu smartphone.

No entanto, considere desligar suas notificações para todos os aplicativos das mídias sociais, para que seu aparelho não acenda sempre que alguém curte ou comenta as suas postagens. Assim, você irá verificar seus feeds de forma consciente e periodicamente, ao invés de acabar se distraindo sempre que você receber uma notificação.

Use o “modo avião” por, pelo menos, uma hora a cada dia

Seja qual for a sua agenda, defina uma hora por dia para desligar-se de todas as telas.

Dê uma volta, leia um livro ou aproveite o seu tempo para conversar com alguém.

Saber que nenhuma notificação chegará até você enquanto o seu smartphone estiver desligado o ajudará a controlar o seu desejo de verificar o mesmo enquanto estiver “desconectado”.

Abrace o tédio

Estamos constantemente estimulados, o que significa que a nossa tolerância geral ao tédio tornou-se mínima. Quem mais tem problemas esperando o semáforo abrir?

Por outro lado, não fazer nada, apenas apreciar a nós mesmos e o que nos rodeia é uma prática fundamental, porque nos proporciona a energia que precisamos para fazer qualquer coisa.

Não podemos mentir que estamos desfrutando de um lindo céu, se não estamos. A apreciação deve ser genuína.

Quando o desejo de verificar as suas mídias sociais surgir, abrace o sentimento de tédio. Finalmente, permita-se viver a vida no presente. Permita-se existir, realmente.

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O que mais você poderia fazer para desfrutar presente? Deixe as suas próprias recomendações nos comentários abaixo!

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