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Querido millennial — sinto muito, mas você não é especial

Eu vou morrer e ninguém vai se importar. Eu não quero dizer “ninguém”, como zero pessoas. Talvez alguém chore ou publique uma mensagem emocionante sobre mim no Facebook. Quero dizer, “ninguém”, como poucas pessoas. Eu não estou choramingando. Provavelmente, o mesmo aconteça com você.

Às vezes, eu fico sabendo sobre a morte de uma pessoa famosa, tão famosa que a morte dela é relatada em notícias no horário nobre, ou se torna viral na internet. Mesmo que essa pessoa seja tão famosa e eu me considere bem informada, muitas vezes, eu nem sei quem ela era. Talvez tivesse sido uma artista de outra época, ou um CEO, ou um atleta famoso. O ponto é que  notícia desta morte não me comove, apenas porque a perda não se registra em minha vida.

Por que tem que ser assim? Honestamente, eu não sei. Mas, eu defendo uma hipótese bem conhecida:

O mundo não gira em torno de você (ou de mim) — e precisamos aceitar isso

Na primeira vez que eu me deparei com essa hipótese, eu fiquei um tanto revoltada, porque eu cresci ouvindo sobre o quanto eu era especial e que eu estava destinada a fazer grandes coisas.

Os médicos disseram aos meus pais que eu iria morrer de um problema no coração antes mesmo de que eu completasse o meu primeiro aniversário. Como isso não aconteceu, a minha família passou a dizer: “É um milagre! Deus te manteve viva por uma razão! Você está aqui porque é especial!”

Eu ouvi isso tantas vezes que passei a acreditar. Até que eu acordei numa manhã dessas sem um trabalho estável e sem nenhuma reserva no banco. Todas as minhas posses entravam um uma mala. Então, eu me peguei pensando “a família que me criou não passa de um bando de mentirosos!”

A verdade é que muita gente tem medo de aceitar o fato de que a vida é mediocre, de que não somos especiais e de que o mundo não gira em torno de nós. Mas, ei, eu não estou aqui falando disso para ferir o seu ego. Tudo o que eu quero é provocar uma reflexão para que você possa fazer a sua vida valer a pena, mesmo sabendo que você dificilmente chegará a a ser especial um dia.

Sim, essa é uma dura realidade e eu estou enfrentando a mesma.

Eu sempre quis ganhar mais dinheiro, ter mais liberdade para viajar a qualquer lugar do mundo no momento que eu decidir e passar todas as minhas manhãs desfrutando de um bom livro enquanto eu termino o meu caffe latte.

Talvez, eu queria tudo isso porque eu não cresci nadando no dinheiro ou, talvez, eu desejava tudo isso porque eu sentia que tinha direito, já que eu mantinha na minha mente essa noção de que eu era especial.

Mas, depois que a vida adulta me deu um tapa na cara, eu senti que, se eu realmente desejasse esse nível de liberdade, eu teria que abrir mão de tantas outras coisas.

Isso naturalmente me provocou uma grande tristeza, raiva e sentimentos de rejeição. Talvez, fosse vergonha ou culpa. Eu só sei que eu passei a acordar todos os dias ainda mais insatisfeita com a minha própria insatisfação.

Até que eu passei a refletir mais profundamente sobre isto:

As pessoas que podem ser consideradas verdadeiramente especiais não obtêm nenhum reconhecimento pelo simples fato de se considerarem especiais. Pelo contrário, elas sabem o quanto precisam melhorar e então trabalham duro como ninguém mais. Elas sabem que não são especiais, mas fazem tudo para se desenvolverem.

Esta é a grande ironia sobre a ambição. Se você deseja ser o mais esperto e o mais bem-sucedido, você sempre vai se sentir como um fracasso. Se você deseja ser o mais amado e o mais popular, você sempre vai se sentir sozinho. Se você deseja ser o mais poderoso e admirado, você sempre se sentirá fraco e impotente.

A verdade é que cada pessoa pode ser extraordinária e alcançar grandes coisas

O seu ego deve estar saltitante por ouvir isso agora. Essa verdade serve para você se sentir bem por alguns minutos e conseguir atravessar a dura realidade da sua vida, sem o risco de ser encontrado boiando em um riacho na manhã seguinte.

Eu desejo mesmo que você acredite nisto: você pode realizar tudo o que estiver quiser, basta trabalhar duro e ser persistente (e, claro, desenvolver uma série de habilidades para realizar o que quer que seja o propósito que você tenha em mente).

Quando eu levei a sério essa mensagem, eu deixei de criar desculpas. Deixei de procrastinar e de me levar pelas distrações. Eu comecei a acreditar que tudo o que eu desejava realizar na minha vida dependia apenas das minhas escolhas e do quanto eu estava disposta a superar os obstáculos do caminho. E quando eu não estava disposta a superar alguns desses obstáculos, eu apenas mudava de rota. Isso me fez tirar das costas todo o peso que vinha dos meus auto julgamentos e expectativas elevadas.

Quando você fizer o mesmo, também poderá ter mais apreciação pelas experiências simples da vida. Você aprenderá a encontrar significado nas coisas mais comuns, encontrará prazer nas boas amizades, satisfação na criação de algo, alegria em ajudar uma pessoa carente, realização em terminar a leitura de um livro, e felicidade plena de estar com alguém que você ama.

Parece chato, não é? Pode ser, porque tudo o que é medíocre é comum — é o que todos podem fazer. Mas, talvez, tudo isso seja comum por uma razão: isso é o que importa.

Uma última reflexão:

No momento em que eu termino de escrever este artigo, existem mais de 7.5 bilhões de pessoas no mundo. E se até 10.000 pessoas (o que é muito) soubessem quem eu sou e sejam influenciados pela minha existência, eu ainda estaria impactando menos de um milésimo de um por cento. Ainda se eu não for capaz de causar um impacto desse tamanho e nunca seja considerada especial no momento da minha morte, pelo menos, eu estou deixando as coisas ao meu redor um pouco melhor do que quando as encontrei.

E você, o que poderia torná-lo uma pessoa especial? Compartilhe nos comentários!

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