Mais liberdade

Somos uma República, Democracia, Oligarquia, Plutocracia, Socialismo…?

P quem ainda se pergunta por que continuamos tomando o 15 de novembro como um feriado nacional, vale lembrar da relativa importância que um evento de 1889 provocou na realidade política que vemos hoje no Brasil. Espera. Por que eu falaria disto? Não seria melhor ficar calada e aceitar os fatos? Pode ser. Mas, isso é o que a maioria dos brasileiros já está fazendo, enquanto segue na frente da televisão em um dia como este.

Você se dispõe a me acompanhar até o final do artigo?

Ótimo. Então, vamos recordar juntos do que aconteceu há 128 anos no Brasil.

Deveria ser uma manhã qualquer quando Marechal Deodoro da Fonseca foi acordado em meio à madrugada para realizar um ato histórico: a Proclamação da República.

Não houve qualquer tipo de derramamento de sangue, a não ser a esperada reação da nobreza: a Imperatriz Tereza Cristina chorou ininterruptamente, a Princesa Isabel ficou relativamente muda por um longo intervalo de tempo e o Imperador Dom Pedro II repetia que todos estavam literalmente loucos.

No entanto, logo depois do episódio, esses foram os dizeres do Imperador, em uma carta aos brasileiros: “Resolvo partir com a minha família para a Europa amanhã. Ausentando-me, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, e faço os mais sinceros votos para que essa nação atinja a sua grandeza e a merecida prosperidade.”

Já pensou se os acontecimentos daquele dia tivessem sido postergados até hoje e continuássemos vivendo em uma monarquia? Como você acha que o Brasil estaria?

Não tenho ideia de como estaríamos, mas, definitivamente, viver em uma república federativa constitucional presidencialista, como vivemos hoje, não nos garantiu nem grandeza, muito menos a nossa merecida prosperidade.

A República é uma forma de governo em que o poder reside no povo. À frente do governo estão líderes eleitos que deveriam governar de acordo com as leis destinadas a ajudar os cidadãos. Se acreditarmos nesta definição, então não somos uma República, porque nossos líderes não governam por lei ou pelo que os eleitores querem. Em vez disso, nossos funcionários públicos (governantes) governam segundo os interesses de empresas e bilionários.

Talvez, seja melhor acreditar que somos uma democracia. A Democracia fornece a todos os cidadãos legais de certa idade o direito livre e igual de participar de um sistema de governo que elege representantes dos povos pela maioria das pessoas.

Enquanto fomos qualificados como uma democracia logo após o fim do regime militar, em meados dos anos 80, as táticas de manipulação dos eleitores menos privilegiados com uma educação de qualidade (que são a grande maioria) é apenas uma das práticas que impede o Brasil de ser uma democracia. Se os “cidadãos” brasileiros não são nem capazes de tomar decisões inteligentes sobre quem votar, então o país não é uma democracia.

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Talvez, então sejamos uma oligarquia?

Uma oligarquia é um tipo de governo em que um pequeno grupo exerce controle especialmente para fins corruptos. Eu diria que grande parte dos políticos brasileiros assume essa forma de governo.

O Brasil se tornou um país onde o dinheiro substituiu a liberdade de expressão e as corporações substituíram as pessoas. Enquanto as pessoas comuns têm menos direitos e menos controle sobre o governo, as grandes corporações são livres para influenciar diretamente a legislação e destruir nosso país para seus próprios interesses.

O Brasil parece dirigir-se na direção da Plutocracia. Esta forma de governo acredita que uma sociedade deve ser governada por seus membros mais ricos.

O Supremo Tribunal permitiu uma inundação de dinheiro para comprar nossas eleições, e não a vontade do povo. A desigualdade de renda está crescendo, a classe média está desaparecendo e o governo continua a bloquear o aumento do salário mínimo para os cidadãos que trabalham duro. As mulheres não recebem o mesmo salário por um trabalho igual e os CEOs obtém recompensas financeiras insanas, enquanto os trabalhadores são pressionados por uma maior produtividade por menos dinheiro.

Os ricos estão ficando cada vez mais ricos, enquanto os pobres quase não recebem salários para sobreviver. Esse modelo de governo não é o que deveríamos almejar.

Deveríamos considerar uma teocracia?

Uma teocracia é uma forma de governo sujeita pela autoridade religiosa. Nosso país foi baseado na liberdade de religião e na separação da igreja e do estado. Mas, o que dizer dos conselhos escolares que estabelecem em seus currículos de ensino fundamental a pregação do criacionismo versus a teoria da evolução ou explicação científica? Eles querem que suas crenças religiosas sejam a base para nossas leis e governo.

Honestamente, acho que isso não nos levaria ao progresso.

Claro, ainda poderíamos recorrer ao socialismo, um conceito econômico que defende a propriedade pública de todos os recursos.

Acho que também não nos adequamos ao socialismo. Antes de qualquer coisa, vamos recordar que o governo não possui os recursos neste país, as empresas privadas sim. O governo tem outro papel na nossa sociedade. Ele deveria estar fornecendo segurança (polícia, militares), infra-estrutura (estradas e pontes) e educação de qualidade para todos. Isso não é o socialismo, é apenas fazer o trabalho que deveriam fazer.

Incrível é que mesmo quando os nossos funcionários eleitos não fazem o seu trabalho, eles seguem colecionando cheques de pagamento emitidos pelo governo.

Se não podemos confiar inteiramente que o governo vá cumprir o seu papel, nos resta contribuir para a formação de um estado de bem-estar, com iniciativas independentes de apoio aos menos afortunados com a assistência necessária, tais como, segurança social, assistência médica, apoio à educação, etc.

Agora, não podemos dizer que somos uma república enquanto o poder não reside no povo; e não podemos nos considerar uma democracia enquanto seguimos tomando decisões idiotas em relação aos nossos votos.

Mais do que isso, estamos longe, muito longe, da nossa merecida prosperidade, quando acreditamos que votar, por si só, nos qualifica como cidadãos.

Talvez, esse feriado seja melhor aproveitado se tomamos um instante para refletir sobre a realidade política do nosso país e sobre o que podemos fazer para progredir mais como indivíduos e nação, em vez de seguirmos alienados na frente da TV.

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