Mais vida familiar

Viajar com crianças pode ser uma tremenda dor de cabeça — faça isso mesmo assim

Viajar com crianças pode ser uma das maiores dores de cabeça da sua vida. Passar uma semana de férias — se é que podemos chamar assim — em uma ilha no caribe, apenas para que o seu filho de três anos se jogue aos gritos na areia implorando por mais um sorvete, pode ser mais estressante do que se desviar da sessão de guloseimas no supermercado. Se não bastasse, você está pagando os olhos da cara por todo esse estresse.

Depois não me diga que eu não avisei: viajar com crianças é uma tremenda dor de cabeça.

Por que então você deveria viajar mesmo assim?

Essa é a realidade: viajar com os seus filhos não é apenas uma das melhores maneiras de criar memórias duradouras e de proporcionar oportunidades para conectar uns com os outros, mas também torna as crianças mais gentis e compassivas.

Psicólogos e especialistas em desenvolvimento infantil concordam que as experiências interculturais aumentam o senso de conexão e empatia.

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Quer dizer que levar os seus filhos para outros lugares e incentivar a interação deles com diferentes pessoas, especialmente em países em desenvolvimento, os expõe à diversidade socioeconômica, o que, por sua vez, faz com que eles se tornem mais curiosos e abertos à novas ideias.

Quer dizer que o envolvimento com outra cultura ajuda as crianças a reconhecer que sua própria maneira egocêntrica de olhar para o mundo não é a única forma de estar no mundo.

E tem mais:

Viajar ajuda a criar conexão e a valorizar a diversidade

Quando as crianças interagem com pessoas de diferentes idades e de outros lugares e culturas, elas aprendem mais sobre o respeito pelos outros enquanto criam mais confiança em si mesmas.

Quem não gostaria de criar filhos que tenham mais respeito e empatia pelos demais?

Acho que todos nós queremos. Tanto queremos isso para os nossos filhos, quanto muitos entre nós poderiam tomar um curso intensivo para incorporar esses valores em suas ações durante os desafios da vida adulta.

Convenhamos, a conexão real com pessoas de diferentes origens, crenças, costumes e modo de vida nunca antes foi tão importante.

Enquanto passamos grande parte das nossas vidas vivendo em nossas bolhas no mundo digital acabamos confinados e dificilmente abrimos espaço para esse esse tipo de conexão.

Nós acabamos nos cercando de pessoas semelhantes, que vivem como nós, pensam como nós e possuem as mesmas crenças. Considerando que muitos ainda vivem perto da sua cidade natal, também nos cercamos de pessoas com educação e fundamentos comuns.

Enquanto esta vida em nossas bolhas pode ser mais confortável, isso não nos ajuda a expandir a nossa visão de mundo ou nos apresentar a novas ideias e estilos de vida. Em outras palavras, permanecer em nossa zona de conforto apenas reforça as nossas próprias ideias, que muitas vezes são preconcebidas e equivocadas.

As crianças, por outro lado, têm todas as suas trajetórias pela frente — o que lhes poderia proporcionar oportunidades incríveis de sair de suas bolhas e conectar-se com os demais.

[RELACIOANDO] Como lidar com as crenças que te impedem de viajar

Agora, apenas considere isto:

Permanecer no mesmo lugar nos torna desinteressantes

Eu cresci em uma zona rural de uma pequena cidade no interior do Brasil. Por lá, haviam mais vacas pelas ruas do que carros e todos conheciam todos. O nosso estilo de vida era seguro e confortável. Mas, enquanto há muitas coisas que eu amo sobre a região onde eu cresci, a falta de diversidade não é uma delas.

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Felizmente, aos 13 anos de idade, eu acabei me mudando para uma cidade maior, onde acabei descobrindo uma maneira de expandir a minha zona de conforto e de chegar mais longe.

Enquanto eu cresci acostumada ao mesmo estilo de vida, aos 21 anos de idade, eu me vi do outro lado do mundo, interagindo com pessoas de diferentes culturas e praticando, ao menos, um novo idioma.

Eu vivi na Índia durante seis meses, na Itália durante outros cinco e ainda fui para a Turquia por outros 30 dias. Não parei por aí, claro — depois de me casar, acabei me mudando para a África do Sul e logo para o Peru, onde vivo atualmente.

Eu sou profundamente grata por todas essas experiências porque vejo que elas me ajudaram a tornar-me uma pessoa mais interessante. O efeito dessas viagens abriu a minha mente e me deu a confiança para olhar para fora da minha própria bolha.

Se eu pudesse, eu teria feito essas mesmas viagens muito antes em minha vida. Mas, como criança, eu não tive esse privilégio — seja por falta de tempo ou de dinheiro — o que ainda é a realidade de muitas pessoas.

Como obter os benefícios de viajar sem ir muito longe

Se você teve ou não a oportunidade de viajar quando criança, ainda pode fazer isso pelos seus filhos. Não acredita?

Apenas pense que eles podem participar de excursões organizadas pela escola onde frequentam, ou sair com você para um fim de semana até a cidade mais próxima.

Tenha em mente os benefícios de viajar, aqueles que falamos no decorrer deste artigo, e invista nisso. Talvez seja necessário poupar algum dinheiro a cada mês para as passagens de avião, ou negociar o seu período de férias.

Não importa exatamente o que você faça e como você faça isso. O importante é que os seus filhos tenham a oportunidade de interagir com outras culturas, crenças e modos de vida.

Se você tiver a chance de levá-los para conhecer uma mesquita, sinagoga ou religião diferente da sua, já está valendo — desde que você tome o tempo para ensiná-los a tratar a diversidade com respeito e empatia.

Quer maneira mais fácil de obter o mesmo resultado? Então, incentive o seu filho a construir uma amizade com aquele amigo imigrante que acaba de chegar na escola dele.

Sempre que você tiver a chance de incentivar seus filhos a saírem de suas próprias bolhas, faça isso.

Agora não pense que investir todas as suas economias em passagens e hospedagens para conhecer o outro lado do mundo farão o seu papel por si. Os pais também precisam conversar com seus filhos sobre o que eles estão experimentando. Faça o seu papel.

Ainda que seus filhos sejam muito pequenos, vale apresentar experiências interculturais a uma criança. Fazendo isso, você estará instilando e reforçando características valiosas que continuarão a desenvolver-se ao longo do tempo.

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De que maneira você saindo da sua bolha e despertando seus filhos para conhecer novas culturas? Comente logo abaixo.

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