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Vida e trabalho na Índia — o que eu aprendi em 6 meses

Quando as pessoas me perguntam por que eu escolhi a Índia para realizar um intercâmbio profissional, eu costumava responder algo como: “eu queria praticar ioga”, ou “eu queria aprender a vestir um Sari”, ou até mesmo “eu queria aprender a falar Hindu, ou Tamil, ou qualquer outro dos mais de 300 idiomas praticados no país”.

A verdade é que eu mesma não sabia o que esperar da minha experiência em território indiano.

Mas, depois de ter tido essa experiência, se você me perguntasse, a minha resposta seria um pouco mais elaborada. Agora, se você não estiver disposto a me ouvir durante dez minutos falando abertamente sobre isso, este artigo será uma maneira mais prática de ouvir a minha resposta.

Aqui estão os meus principais aprendizados vivendo (e sobrevivendo) por seis meses na Índia:

As pessoas são boas

Claro que há exceções! Mas, quando você se coloca em uma posição vulnerável, e quando abre o seu coração com confiança e boa vontade, você será amplamente recompensado com gentileza. Muitas vezes, até com  uma bondade extraordinária.

Eu tenho tantas histórias que poderia mencionar aqui sobre pessoas me ajudando durante todo o tempo em que eu vivi na Índia. Apenas para você ter uma ideia, elas me ajudaram a encontrar um lugar seguro para passear nos finais de semana e me indicaram os pratos mais saborosos que eu deveria provar, mesmo que eu não tivesse nenhuma relação de amizade com nenhuma delas.

Eu ouvi muitas outras histórias semelhantes de pessoas que receberam algum tipo de ajuda enquanto viajavam pela Índia, ou por qualquer outro destino.

Quando você viaja, você tem a oportunidade de ajudar e dá às pessoas a oportunidade de ajudá-lo.

De qualquer forma, tudo funciona

Na Índia, eu tive que lidar com multidões, caos, atrasos, condições anti-higiênicas, grandes insetos, pequenos roedores, doenças, atendimento indesejado, entre outras coisas.

O que aprendi com tudo isso é que, de uma forma ou de outra tudo funciona.

Não só tudo funciona, como os desvios do seu plano original, em algum momento, se mostram muito melhores do que qualquer coisa que você poderia ter planejado. De fato, deixar as coisas acontecerem, ao invés de tentar controlá-las o tempo todo, é a melhor fórmula para desfrutar o seu tempo na Índia.

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E mesmo que pareça que as coisas não estejam funcionando, às vezes é apenas a nossa percepção e compreensão que está fora de contexto.

Quando visto através da lente certa, tudo é perfeito e o universo 100% nos apoia.

Gentilmente (e, às vezes, não tão gentilmente), somos guiados para as lições que precisamos aprender. E dentre essas lições, eu aprendi que não costumamos ver o mundo como ele realmente é; nós vemos o mundo do jeito que queremos.

A Índia também me ensinou esta verdade:

Qualquer atitude será refletida de volta para você

Se você está com medo, você terá experiências assustadoras. Se você é suspeito, você será roubado. É por isso que sempre aconselho as pessoas a irem para a Índia com uma atitude aberta e confiável.

Com o tempo, eu passei a amar a Índia, e confiar (quase sempre) nas pessoas de lá. No geral, eu tive experiências muito boas durante a minha estadia naquele país.

Claro que há momentos em que o instinto nos ensina a ser cautelosos — e eu sempre escuto e respondo a esses sentimentos. Especialmente, enquanto eu estou caminhando sozinha, fora de casa, tarde na noite.

Também ajuda que eu tenha aprendido a confiar em mim mesma, e essa é a raiz da confiança.

A verdade é que viver na Índia foi uma das coisas mais desafiadoras que eu já fiz, e o grau de autoconfiança que construí por causa disso é imensurável.

Ioga não se trata apenas de sentar-se de pernas cruzadas

Há uma grande diferença na forma como o ioga é ensinado e compreendido na Índia, em comparação com o resto do mundo. O ponto do ioga é abrir a mente para que você possa experimentar a verdade de seu ser.

Esse melhor entendimento sobre a prática de ioga me ensinou que todos somos parte de uma consciência; que somos feitos de bem-aventurança; e que o amor é a substância básica do universo.

Você pode alcançar esse entendimento através da intensa prática de ioga física? Talvez. Mas, essa não é a intenção. As práticas de ioga que eu vi na Índia se destinam a ajudá-lo a relaxar o corpo e mantê-lo apto e saudável, para que você não se distraia em suas atividades mais elevadas. É um meio e não um fim.

O dinheiro não compra felicidade

No resto do mundo orientado para o consumismo e materialismo, chegamos a equiparar dinheiro e felicidade. No entanto, em sociedades mais tradicionais como na Índia, essa relação não é tão forte (embora isso esteja mudando com o surgimento da classe média).

Para exemplificar o meu ponto de que dinheiro não compra felicidade, saiba que algumas das pessoas mais felizes que eu conheci na Índia são também algumas das menos materialistas. Quando elas têm suas necessidades básica atendidas, isso basta para ser feliz.

Trata-se de um tipo de felicidade difícil de ser conseguida em um universo materialista.

De fato, muitos estudos sobre felicidade mostram que estas coisas que acabo de mencionar contribuem mais para a felicidade do que uma TV de tela grande, um carro do último modelo, uma casa enorme, um telefone celular de última geração, sapatos de grife, rosto sem rugas e um corpo sem gordura.

Talvez a felicidade dos indianos seja explicada pelas suas crenças. Eu não sei, mas eu percebi que a tradição religiosa dos indianos ensina as pessoas a se contentarem, a serem gratas e regularmente agradecer.

Elas comemoraram pelo simples dom da vida, pela beleza e pela abundância da natureza. Na Índia tradicional, a natureza é considerada sagrada e a sociedade atribui um grande valor à vida familiar e aos relacionamentos.

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Se não bastasse, lá as pessoas sabem quem são, elas estão ligadas a suas famílias, comunidades e raízes. Tudo isso forma uma base de pessoas calorosas, generosas e que sabem o que é importante em suas vidas.

Eu dou tanta ênfase neste ponto, porque conhecer pessoas assim foi a melhor parte da minha experiência vivendo na Índia.

Por fim, eu aprendi algo sobre o trabalho.

O trabalho, em si, é uma experiência

Eu vivi na Índia graças a uma oportunidade profissional criada por uma organização internacional de estudantes, a AIESEC. O meu trabalho consistia em receber e interagir com hóspedes de diferentes nacionalidades para garantir que eles tivessem uma excelente estadia no hotel Taj Connemara, parte do Taj Group, uma importante rede hoteleira do país.

No trabalho, eu me senti bem acolhida pelos colegas, que seguiam rigidamente o código de conduta da empresa. Fazendo isso, eu aprendi que os indianos prezam pela excelência nos serviços de hospitalidade.

Eu também tive a oportunidade de desfrutar da riqueza, sabor e autenticidade gastronômica do Sul da Índia em um dos restaurantes do hotel, e isso contribuiu para que eu tivesse uma experiência de trabalho excepcional.

Mas, nada disso teria feito sentido se eu não fosse capaz de entender a minha verdadeira função naquele trabalho: viver a experiência, com a mente e o coração abertos.

Você já esteve na Índia? Compartilhe nos comentários abaixo quais foram os seus aprendizados.

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